Com milhões de visualizações no TikTok, a massagem no couro cabeludo ganhou status de tendência e se transformou em mais do que um simples ritual de autocuidado. Criadoras de conteúdo ao redor do mundo compartilham rotinas que chegam a durar até duas horas por dia, com o objetivo de estimular o crescimento dos fios e aumentar sua densidade.
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A técnica, que envolve movimentos circulares com os dedos ou o uso de acessórios, como massageadores elétricos adaptados a bonés e lenços, viralizou por meio de hashtags como #scalpcare, #scalpmassage e #scalp, que já acumulam bilhões de visualizações na plataforma.
Mas o que há, de fato, por trás dessa febre digital? A médica Alexandra Lopes, especialista em Medicina Capilar da Onne Clinic (RJ), alerta para os cuidados necessários e esclarece os reais efeitos do hábito.
— Sim, quando realizada da forma correta, a massagem pode trazer benefícios. Ela estimula a microcirculação local, o que melhora o aporte de nutrientes e oxigênio para os folículos pilosos. Além disso, pode ajudar a relaxar a musculatura da região, reduzir a tensão e melhorar a percepção corporal, o que tem reflexos positivos até na saúde emocional — explica.
Apesar dos possíveis efeitos positivos, a prática não é indicada para todo mundo. Pessoas com inflamações ou doenças no couro cabeludo devem evitar o procedimento, especialmente em fases ativas.
— É preciso cautela em alguns casos. Em quadros como dermatite seborreica ou psoríase ativa, o atrito pode agravar a inflamação. O mesmo vale para alopecias inflamatórias, como a alopecia frontal fibrosante ou o líquen plano pilar, que apresentam queda com dor ou vermelhidão. Além disso, após procedimentos químicos, o couro cabeludo pode estar sensibilizado, e a massagem pode causar ardência ou descamação — alerta.
Embora os vídeos de antes e depois nas redes sociais impressionem, os efeitos da técnica ainda carecem de comprovação científica robusta. A Dra. Alexandra destaca que os resultados, quando existem, são sutis e devem ser vistos como complemento, não como substituição a tratamentos médicos.
— Ainda que os estudos sejam limitados, algumas pesquisas preliminares indicam que a massagem regular pode aumentar a espessura dos fios e estimular o ciclo de crescimento capilar. Um estudo japonês publicado no ePlasty (2016) mostrou melhora na densidade e na espessura capilar após 4 minutos de massagem diária por 24 semanas. Mas é importante reforçar: os efeitos são modestos e não substituem tratamentos médicos quando há alguma patologia associada — destaca.
Para quem deseja aderir à tendência de forma segura, a especialista dá algumas recomendações práticas:
- Evite exageros: 5 a 10 minutos por dia já são suficientes. Sessões muito longas podem causar efeito rebote, como oleosidade ou sensibilidade.
- Use os dedos com leveza: a massagem deve ser gentil, com movimentos circulares.
- Evite acessórios caseiros adaptados: como massageadores amarrados com lenços ou bonés — isso pode causar tração indesejada ou fricção excessiva.
- Óleos? Só com indicação: o uso de óleos naturais pode obstruir os poros se não forem bem removidos. Prefira fórmulas leves e adequadas ao seu tipo de couro cabeludo.
- Se há queda intensa, ardência ou descamação, procure um especialista.
A massagem capilar, portanto, pode sim ser uma aliada na rotina de autocuidado, desde que feita com consciência e orientação. E embora a estética digital muitas vezes priorize resultados imediatos, a saúde dos fios e do couro cabeludo continua sendo um processo que requer equilíbrio, paciência e informação confiável.