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outubro 10, 2026
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Alckmin defende 'falar com a classe média' para virada no segundo turno: 'Mostrando os prejuízos que podem ter'

Por · outubro 10, 2026
Alckmin defende 'falar com a classe média' para virada no segundo turno: 'Mostrando os prejuízos que podem ter'


Faltando cerca de 15 dias para o segundo turno, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que a vitória da chapa encabeçada pelo presidente Lula (PT) é “perfeitamente possível” e lembrou que a diferença no primeiro turno foi de 2,2 milhões de votos, enquanto o contingente de abstenções atingiu 33 milhões de eleitores. A declaração ocorreu em ato da organização Judeus pela Democracia, que manifestou apoio à reeleição de Lula e Alckmin — a iniciativa teve como objetivo destacar a importância da democracia e da mobilização popular contra a escalada da extrema direita.
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— Em política não se obriga, se conquista. Nós temos que falar com os independentes, com o centro, com a classe média e convencer o pessoal, mostrando os prejuízos que podem ter. A população quer mudança, mas não pode ser mudança para pior, para piorar a vida da população — disse o vice-presidente.
Para injetar otimismo na militância, Alckmin citou sua experiência ao lado de Mário Covas (PSDB) nas eleições estaduais de 1994, em São Paulo, quando entraram no segundo turno 10 pontos atrás e conseguiram virar o resultado a apenas quatro dias da votação. Ex-tucano, Alckmin foi vice de Covas e assumiu o governo paulista após a morte dele, em 2001. Depois, foi eleito governador do estado outras três vezes, em 2002, 2010 e 2014.
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Em um aceno ao setor econômico, o vice-presidente reconheceu a necessidade do ajuste fiscal, mas argumentou que o corte de gastos deve incidir sobre os supersalários, e não sobre a população mais pobre. Ele destacou que 70% dos aposentados e pensionistas do Brasil ganham apenas um salário mínimo (R$ 1.621) e criticou qualquer proposta de corte de benefícios.
O evento deste sábado ocorreu na Casa do Povo, centro cultural fundado em 1946 no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, e que tradicionalmente abriga judeus progressistas. A movimentação pretendia também se contrapor a judeus que têm apoiado a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) — o grupo já havia manifestado apoio à candidatura do PT por meio de um manifesto publicado em agosto nas redes sociais. Até agora, o médico Claudio Lottenberg, presidente da Confederação israelita do Brasil (Conib), é o único nome já confirmado pelo candidato do PL como ministro de seu governo, caso seja eleito. Lottenberg chefiaria o Ministério da Saúde.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) em ato da comunidade judaica, na Casa do Povo, em São Paulo
Maria Isabel Oliveira
Em busca do centro
Chamado para participar mais ativamente da campanha à reeleição de Lula, o vice-presidente intensificou a agenda em torno de religiosos, segmento com o qual a candidatura busca maior interlocução. Na quinta-feira (8), ele participou de uma live da plenária “Povo de Deus com a Democracia”. Ele também já marcou uma visita para a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida do Norte (SP), na segunda (12), feriado da Padroeira, um dos assuntos que dominou a reta final do primeiro turno da eleição presidencial.
O foco de Alckmin é procurar pelo eleitor de centro que não morre de encantos por Lula, mas desconfia de um possível governo do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As ex-ministras Simone Tebet (Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente) também compareceram ao evento. Ambas têm apelo junto ao eleitor centrista. Embora tenham sido derrotadas na disputa ao Senado por São Paulo, ambas têm apelo junto ao eleitor centrista. Ao acusar Flávio de representar um risco à democracia, Tebet citou um episódio que veio a público neste sábado: um grupo de WhatsApp do PL compartilhou um imagem do filho de Jair inspirada na iconografia fascista de Benito Mussolini.
— Nós estamos com Lula e com Alckmin porque sem eles nós não temos mais democracia. E nós sabemos, vocês mais do que nós, o que significa não ter democracia. É importante ficar atentos, porque a democracia já tá sendo destruída e ela (a destruição) é feita aos pouquinhos, com a mentira e com a fake news, que é banalizada como algo normal. Eles estão sequestrando os veículos de comunicação. Sem comunicação e com fake news. Vocês sabem qual é o próximo passo. Hoje num grupo de WhatsApp do PL do partido do candidato Flávio postaram uma foto de Flávio Bolsonaro estilizado na figura de Mussolini. É disso que nós estamos tratando nessa luta — afirmou Tebet, que, assim como o vice-presidente, está filiada ao PSB.
Flávio Bolsonaro e Israel
Na quinta (8), o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, conversou com o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e o convidou para visitar Israel a fim de “renovar a profunda amizade” entre ambos os países. Netanyahu parabenizou o senador brasileiro “por sua grande conquista no primeiro turno das eleições presidenciais” durante um telefonema.
O senador lidera as pesquisas de intenção de voto contra o presidente Lula. Caso o bolsonarista vença o pleito, tudo indica que o país mais populoso da América Latina adotará uma posição mais favorável a Israel.
Lula, por sua vez, tem relação estremecida com Netanyahu, a quem critica pela ofensiva no território de Gaza. O presidente brasileiro já chamou a campanha militar israelense no enclave palestino de “genocídio”. Em outubro do ano passado, porém, ele disse que o Brasil não tem problemas com Israel, mas sim, com o primeiro-ministro.

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