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setembro 24, 2026
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Alvo da Carbono Oculto, operador de Vorcaro ligado a investigação sobre 'Dark horse' era conhecido como 'pioneiro nas Bahamas'; saiba quem é

Por · setembro 24, 2026
Alvo da Carbono Oculto, operador de Vorcaro ligado a investigação sobre 'Dark horse' era conhecido como 'pioneiro nas Bahamas'; saiba quem é


Entre os alvos da terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira, estão endereços ligados a Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial; seus irmãos, André e Bruno Tupinambá; e ao empresário Antonio Carlos Freixo Junior, o “Mineiro”, dono da Entre Investimentos. Freixo assinou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito das investigações sobre o Caso Master.
A Polícia Federal afirmou ao Supremo Tribunal Federal que Mineiro era descrito como “pioneiro nas Bahamas” em razão de estruturas offshore que teria montado no país caribenho. A informação consta de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) citado pela PF ao pedir a abertura de uma investigação específica sobre o financiamento de “Dark horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Cumpre ressaltar que Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, não é um intermediário financeiro de perfil convencional. O RIF nº 144413 destaca que Freixo é descrito publicamente como “pioneiro nas Bahamas” em razão de estruturas offshore que teria montado naquele país, tradicionalmente considerado um paraíso fiscal”, escreve a corporação em documento incluído nas investigações relacionadas ao filme.
A referência ao histórico de Freixo nas Bahamas aparece na representação da PF justamente quando os investigadores detalham a estrutura financeira usada para os aportes no filme. O empresário é ligado à Entre Investimentos e Participações e, em delação, disse que realizou sete remessas para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, que totalizaram US$ 12,3 milhões em 2025.
O fundo fica sediado nos Estados Unidos, é administrado por Paulo Calixto, próximo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), e foi usado para o financiamento de “Dark horse”.
Freixo confirmou as transferências em seu acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República. Segundo o relato do delator, os pagamentos foram realizados a pedido de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A trajetória de Freixo com estruturas offshore nas Bahamas é anterior à operação envolvendo o filme. Na representação, a PF afirma que ele “não é um intermediário financeiro de perfil convencional” e destaca sua atuação no país caribenho. O documento não aponta que a existência dessas estruturas, por si só, configure crime, mas usa o histórico para contextualizar o perfil de Freixo e sua participação na estrutura financeira sob investigação.
A conexão com Vorcaro também é anterior ao “Dark Horse”. Ao explicar por que considera relevante a escolha da Entre Investimentos para as remessas, a PF afirma que Freixo e Vorcaro mantinham um relacionamento financeiro consolidado, com histórico de operações compartilhadas. Para os investigadores, portanto, a utilização da empresa não teria ocorrido de maneira aleatória.
O caminho identificado pela PF para os recursos do filme, contudo, não passa pelas Bahamas. As transferências investigadas foram feitas da Entre Investimentos, no Brasil, para o Havengate, nos Estados Unidos.
A movimentação internacional de Vorcaro nas Bahamas, porém, também é alvo de uma frente distinta de investigação. Como mostrou O GLOBO, um relatório do Coaf incorporado ao inquérito sobre as fraudes do Banco Master aponta que o banqueiro movimentou US$ 89,6 milhões, cerca de R$ 455 milhões, em transações financeiras nas Bahamas entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025.
O relatório reúne operações envolvendo Vorcaro, a Mosaic Financial, uma corretora de valores mobiliários registrada nas Bahamas, e outras empresas. As movimentações foram consideradas suspeitas por diferentes razões, entre elas possível corrupção, origem suspeita dos fundos, transações sem propósito econômico aparente e operações envolvendo jurisdição estrangeira de alto risco.
No caso do filme, a PF encontrou no celular de Vorcaro um contrato que previa investimento total de US$ 24 milhões na produção. O valor seria dividido em 14 parcelas. Segundo a representação, as remessas posteriormente identificadas entre a Entre e o Havengate tinham valores praticamente correspondentes às parcelas previstas no contrato.
Em uma das conversas analisadas pelos investigadores, Vorcaro orientou que um pagamento relacionado ao filme fosse realizado “via Entre” – uma referência, segundo a PF, à Entre Investimentos. Poucos dias depois, foi localizado um comprovante de uma transferência de US$ 2 milhões da Entre para o Havengate, com a indicação de que o pagamento era destinado ao filme.
O documento em que constam os relatos foi assinado pela Polícia Federal em 8 de julho de 2026 e nele pedia ao sTF a instauração de uma investigação separada para os achados descritos “com a finalidade de apurar a eventual prática de crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e delitos correlatos no contexto do financiamento transnacional da produção cinematográfica Dark Horse”.
Flávio Bolsonaro, que teve conversas em que pede dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar a cinebiografia do pai é investigado no Supremo.

Alvo da Carbono Oculto, operador de Vorcaro ligado a investigação sobre 'Dark horse' era conhecido como 'pioneiro nas Bahamas'; saiba quem é