Se São Januário não tem tamanho suficiente e a dupla Fla-Flu não libera o Maracanã, talvez o Vasco possa fazer do Nilton Santos a sua casa no duelo contra o Boca Juniors, pela semifinal da Sul-Americana. Afinal, foi assim que o time se sentiu ontem na vitória por 2 a 1 sobre o Botafogo, pela 29ª rodada do Brasileirão. Mesmo em partida com o mando do alvinegro, o cruz-maltino teve o domínio completo das ações em campo, principalmente no setor central, justamente por onde construiu a vitória.
Com o sétimo triunfo nas últimas nove partidas, tendo apenas uma derrota no período, o Vasco chegou aos 34 pontos e pulou para a 14ª colocação. Colou no Botafogo, que venceu somente um dos últimos nove jogos no Brasileirão, e segue estacionado com 35 pontos, em 13º. Primeiro time dentro da zona de rebaixamento, o Inter tem 31.
Marcados por Lescano e David, os dois gols do Vasco nasceram em contra-ataques. No primeiro tempo, Bruno Duarte recebeu ótimo passe em profundidade de Thiago Mendes após cobrança de escanteio alvinegra e teve calma para driblar Vitinho e achar Lescano na pequena área. Na segunda etapa, foi a vez de Colidio ser acionado por Marino em velocidade e deixar David na cara de Gabriel Batista para ampliar.
Sintomáticos, os lances reverberam aquelas que já eram as principais qualidades do Vasco de Pedro Emanuel e as deficiências do Botafogo que, ainda que já existissem antes da chegada de Tite, ainda não foram solucionadas pelo treinador, que foi expulso por reclamação no fim. De um lado, o time visitante viu seus principais nomes do meio para frente resolverem as jogadas com triangulações e movimentações bem entrosadas. Do outro, o alvinegro segue sem encaixe na trinca de meias e com uma péssima transição defensiva.
Nem mesmo o golaço de falta de Alex Telles na segunda etapa foi capaz de colocar o Botafogo na partida. O alvinegro seguiu sem brilho com a bola e desatento sem ela.
Tiquinho vira esperança
Na reta final, os gols de Thiago Mendes e Tiquinho Soares, anulados pela tecnologia do impedimento semiautomático, movimentaram, mas não mudaram o curso do jogo. No fim das contas, pode-se dizer que o Vasco saiu de campo feliz com os merecidos três pontos, mas com a sensação de que sofreu mais do que deveria. Com duas bolas na trave, ótimas defesas de Gabriel Batista após finalizações de fora da área e uma chance clara desperdiçada por Robert Renan, o time criou para matar o jogo sem precisar ser pressionado nos minutos finais.
Para o Botafogo, fica o alento criado com a entrada de Tiquinho no segundo tempo. Com o jejum vivido por Arthur Cabral, que está há cinco meses sem marcar, pode ser que o ídolo alvinegro se torne a solução para a carência ofensiva.
— Conversei com o (Arthur) Cabral e posso falar desses dois jogos. Conversei com o Kadir e com o Tiquinho também. São características semelhantes do Cabral e do Tiquinho de jogar como pivô em uma área mais central do gramado. Compete a mim eles terem mais oportunidades. O Kadir já é um jogador de atacar espaços, de ter mais velocidade. Sei da qualidade do Cabral, sei também dos números. Só com trabalho, persistência — avaliou Tite.
Análise: Vasco faz do Nilton Santos sua casa e vence o Botafogo com domínio em clássico
