Proteína antes da academia? Na rotina de Virginia Fonseca, o ingrediente também aparece nos cuidados com os cabelos. A influenciadora, que mantém uma rotina de beleza compartilhada nas redes sociais, inclui entre os produtos de sua marca, WePink, a Proteína Condicionante My Hair Ultra Repair, voltada para a reconstrução da fibra capilar.
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A proposta acompanha a popularização dos tratamentos reconstrutores, que passaram a ocupar espaço nas rotinas de cuidados com os fios. Produtos com proteínas são associados à reparação de cabelos danificados e podem ser especialmente interessantes para quem enfrenta os efeitos de procedimentos químicos, calor e outras agressões. Mas isso não significa que quanto mais proteína, melhor o resultado.
A dermatologista e tricologista Bianca Almeida explica que esse tipo de tratamento pode ser útil quando existe dano na fibra.
“As proteínas presentes nos cosméticos podem ajudar a melhorar algumas características da fibra danificada, proporcionando temporariamente uma sensação de maior resistência e melhorando a aparência dos fios. Mas isso não significa que todo cabelo precise de reconstrução frequente. A necessidade depende do estado daquela fibra e do histórico de procedimentos”, afirma.
Virginia recorre à proteína nos cabelos: até onde o tratamento ajuda os fios?
Reprodução Instagram
Quando a reconstrução faz sentido
Descoloração, tintura, alisamento e o uso frequente de secador, chapinha e babyliss estão entre os fatores que podem comprometer a estrutura dos fios. Nesses casos, produtos com proposta reconstrutora podem integrar a rotina de cuidados.
A frequência, porém, não deve ser definida apenas pela popularidade de um produto ou pelo resultado observado em outra pessoa. Hidratação, nutrição e reconstrução têm objetivos diferentes e a necessidade pode variar conforme as características e o histórico de cada cabelo.
“Um produto pode trazer um resultado muito bonito em determinado momento e isso fazer com que a pessoa queira utilizá-lo cada vez mais. Mas a necessidade do cabelo muda de acordo com o nível de dano, químicas realizadas, exposição ao calor e características individuais dos fios”, diz a médica Amanda Caroline Costa Leitão, que atua na área capilar.
Proteína demais pode deixar o cabelo rígido?
O excesso de produtos reconstrutores também merece atenção. Em alguns casos, o uso frequente pode deixar os fios mais rígidos e com menor maleabilidade, o que pode favorecer a quebra.
“O uso excessivo de produtos com proposta reconstrutora pode não ser adequado para todos os tipos de cabelo. Em alguns casos, o fio pode ficar mais rígido e menos maleável, o que favorece a quebra. É importante observar como aquele cabelo responde e não simplesmente reproduzir a frequência de uso mostrada por outra pessoa nas redes sociais”, alerta Bianca.
Por isso, sinais como aspereza, rigidez e quebra podem indicar que a rotina precisa ser revista. A aparência de um cabelo mais encorpado ou resistente após determinado tratamento também não significa que novas aplicações devam ser feitas automaticamente.
E para quem treina?
A rotina de exercícios pode trazer outros fatores para os cuidados com os fios. Suor, lavagens mais frequentes, elásticos e penteados apertados e a manipulação do cabelo ainda úmido podem interferir na saúde do comprimento.
Isso não significa, porém, que a proteína seja necessária antes ou depois da atividade física. São questões diferentes e devem ser avaliadas separadamente.
“A rotina de quem pratica atividade física precisa ser pensada como um todo. Suor, forma de prender os fios, frequência de lavagem e cuidados com o comprimento são questões diferentes. Não existe uma indicação universal de proteína capilar simplesmente porque a pessoa vai treinar”, pontua Amanda.
Reconstrução não trata queda
Outra distinção importante está entre quebra e queda. Quando o fio se parte ao longo do comprimento, a questão está relacionada à própria haste. Já o aumento de fios que se desprendem pela raiz, a redução de densidade ou o aparecimento de falhas podem ter outras causas e exigem uma avaliação diferente.
“Um cosmético pode melhorar as características de uma fibra danificada, mas ele não trata todas as causas de queda de cabelo. Se a pessoa percebe aumento persistente da queda, falhas ou redução importante de volume, é necessário investigar. Existem diferentes tipos de alopecia e diferentes causas para a perda dos fios”, ressalta Bianca.
A distinção é especialmente relevante diante da velocidade com que produtos de beleza circulam nas redes sociais. Um tratamento desenvolvido para melhorar a aparência e a resistência do comprimento não deve ser entendido como solução universal para crescimento, queda ou qualquer outra queixa capilar.
Amanda também destaca que o resultado observado em uma influenciadora não necessariamente se reproduz em outros cabelos.
“O cabelo de uma influenciadora pode ter histórico de descoloração, extensão, fontes de calor ou outros procedimentos completamente diferentes do cabelo de quem está assistindo. Usar o mesmo produto não significa ter a mesma necessidade e nem necessariamente produzir o mesmo resultado”, observa.
Virginia recorre à proteína nos cabelos: até onde o tratamento ajuda os fios?
Reprodução Instagram
A proteína, portanto, pode fazer parte dos cuidados de cabelos que apresentam necessidade de reconstrução. O ponto está em entender o que o fio precisa e ajustar a frequência de acordo com sua resposta, em vez de associar um tratamento específico à ideia de que mais aplicações necessariamente significam mais força.
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