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outubro 8, 2026
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Em águas cariocas, o bar está pra peixe

Por · outubro 8, 2026
Em águas cariocas, o bar está pra peixe


Mar calmo nunca fez bom marinheiro. E enquanto o sanduíche de peixe empanado fez parte do cardápio do McDonald’s, ninguém dava muita bola para ele. Para se ter uma ideia, numa campanha que estimulava a fazer os pedidos pelos números, o combo com ele não ficava nem entre os cinco primeiros exibidos nos letreiros da época. Por ter uma logística mais complicada, com itens específicos para sua montagem, como peixe polaca, ele acabou saindo do menu em 2019.
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Poucos anos depois, uma onda de saudosismo tomou conta das redes sociais com o movimento “Volta McFish”. Ali, as pessoas expressavam indignação com o sumiço da iguaria criada por Lou Groen em sua loja dos Estados Unidos em 1962 para salvar as vendas na época da Quaresma e pediam pela sua volta imediatamente. Eram memes, montagens, juras de amor e até contrabando de filet-o-fish, nome original e adotado no resto do mundo, com dicas de como ser ressuscitado na air fryer.
Demorou, mas deu certo. Em 2024, ele voltou com a marra de galã de filme adolescente que sofria bullying na escola e, magicamente, tinha virado um astro de rock. Inclusive, suas exigências. Ele estava lá, mas não era para todo mundo. Uma edição limitadíssima, com pré-venda e espera. Quem conseguia abocanhar um fisgava seguidores querendo saber como foi a experiência. A estratégia funcionou tão bem que, de tempos em tempos, é lançada uma nova temporada de McFish, tipo uma série de streaming. Tem uma no ar agora.
Em águas cariocas, a maré é boa, e os sanduíches de peixe estão na crista da onda. Pedro Coronha tem sua própria versão, o Koral Fish. Peixe frito na massa de tempura, molho tártaro de camarão, com aioli, pepino, ceboulete, picles de cebola, furikake, togarashi, endro e raspas de limão-siciliano e alface no brioche seladinho na manteiga. Não tem no cardápio, não tem data certa. Bateu a onda, ele faz e avisa no Instagram. Nunca dei a sorte de pescar um.
Mas se tem um lugar onde se pode jogar a rede com tranquilidade, é o Peixoto — Bar de Brasa e Mar. O comandante Ricardo Lapeyre entende de peixe, de brasa e de bossa. No bar que nasce só com lenha e carvão, sem gás, ele brinca com insumos frescos que chegam diretamente da peixaria do outro lado da calçada, transformando as pedras portuguesas de Copacabana numa grande faixa de areia ensolarada, mesmo quando está chovendo.
Ricardo Lapeyre
Tomas Rangel/Divulgação
Faria um primeiro mergulho nas ostras. São três os tipos, com sabores e tamanhos diferentes, vindos de Florianópolis, Tibau do Sul e Cananeia. Servidas apenas com limão-galego. E a brincadeira é justamente essa: sentir as diferenças, sem muita firula por cima. Coisa raríssima por aqui e também à mesa por lá são lambretas. Chegam do sul da Bahia todas as quintas-feiras. Com um pé no Brasil e outro na França, Ricardo fez com elas a sua interpretação de moules frites.
Com o mar inteiro a seu favor, claro que o chef ia ter um sanduíche de peixe para chamar de seu. O LapFish já nasceu como objeto de desejo: é feito com peixe do dia em tempura, coleslaw preparada na hora no balcão e molho béarnaise, no brioche. Para alegria de muitos, inclusive a minha, a previsão é de Mar de Almirante com o LapFish como opção fixa no cardápio.

Em águas cariocas, o bar está pra peixe