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outubro 8, 2026
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Entre território e ideologia: mapa dos dez mais votados para deputado estadual mostra os caminhos de cada um até a Alerj

Por · outubro 8, 2026
Entre território e ideologia: mapa dos dez mais votados para deputado estadual mostra os caminhos de cada um até a Alerj


O mapa dos dez deputados estaduais mais votados no Rio revela duas formas distintas de conseguir uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Parte deles concentra apoio em cidades onde os próprios políticos, parentes ou aliados mantêm bases de poder consolidadas. Outros atravessam fronteiras municipais e espalham votos pelo estado, impulsionados por bandeiras políticas, atuação parlamentar e alcance nas redes sociais.
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Márcio Canella (União) é o exemplo mais evidente do primeiro grupo. Ex-prefeito de Belford Roxo, ele recebeu no município 133.956 dos 197.178 votos que obteve — quase 68% do total. Duque de Caxias e São João de Meriti aparecem em seguida. Juntas, as três cidades da Baixada Fluminense concentraram 82,4% de seus votos. O padrão se repete, em diferentes intensidades, entre outros nomes do grupo de campeões de votos.
Quinto no ranking, Guilherme Delaroli (PL) teve melhor desempenho em Itaboraí e na vizinha Tanguá, além de Maricá. Sua principal base eleitoral é Itaboraí, administrada pelo irmão, Marcelo Delaroli (PL).
Os campeões de votos, Armelau e Canella
Arte O GLOBO
Já Rosenverg Reis (MDB), o sexto mais votado, teve em Duque de Caxias o centro de sua força eleitoral. Irmão do ex-prefeito Washington Reis, ele integra uma família com longa presença na política da Baixada.
Já a votação de Dra. Gabriela (PL), a décima na preferência dos eleitores, concentrou-se na Região dos Lagos. Irmã do prefeito de Cabo Frio, Doutor Serginho (PL), ela recebeu 51.154 dos seus 96.267 votos no município. São Pedro da Aldeia, cidade vizinha, respondeu por outros 10.210. Os dois municípios somados à capital representaram 69,5% de sua votação.
Para Josué Medeiros, cientista político, professor da UFRJ e coordenador do Observatório Político e Eleitoral (Opel), o fenômeno faz parte de uma forma tradicional de organização da política brasileira, em que estruturas municipais ajudam a consolidar bases eleitorais.
— As máquinas das prefeituras são muito importantes nessa estruturação do voto — afirma.
Medeiros ressalta, porém, que esse tipo de escolha não deve ser tratado como menos consciente do que aquela orientada por posições políticas. Por isso, prefere “voto territorial” a “curral eleitoral”:
— São dois tipos de voto, duas formas de atenção, ambas com muita consciência, muito pragmatismo e muito interesse. A pessoa está no bairro e quer alguém que melhore aquele lugar, alguém em quem confie. O voto ideológico também tem interesse: o eleitor procura quem represente as pautas que considera importantes.
Os (quase) sem reduto
Por outro lado, também houve candidaturas cuja identificação política ajudou a romper fronteiras municipais. Anderson Moraes (PL), oitavo mais votado, atribui diretamente ao apoio da família Bolsonaro boa parte de sua votação. Ele terminou a eleição com 129.325 votos.
— Não tenho reduto eleitoral. Meus votos são espalhados. Coloquei os pés nos 92 municípios. E o fator Bolsonaro virou um canhão — reconhece.
Durante a campanha, Moraes diz ter impulsionado nas redes sociais vídeos em que Flávio e Carlos Bolsonaro declaravam apoio à sua candidatura.
— Sou franco. Os meus votos são do Bolsonaro. Por mim, teria 30 mil votos. Bolsonaro me deu cem mil. Consegui mostrar para mais pessoas que tinha o apoio dele e de sua família — diz.
Seu melhor desempenho ocorreu em Barra do Piraí, mas bairros da Zona Sudoeste da capital também aparecem entre os principais pontos de votação. A região foi igualmente importante para Índia Armelau (PL), a mais votada do estado, com 248.504 votos, e para Costenaro (Novo), nono colocado, apadrinhado pelo mineiro Nikolas Ferreira (PL-MG).
À esquerda, a força se desloca no mapa. Cria da Maré, Renata Souza (PSOL), terceira mais votada, teve desempenho expressivo na Zona Sul, no Centro e na Grande Tijuca — entre as cinco sessões onde recebeu mais votos, a Maré aparece em quarto.
Na sequência, Renata Souza e Dani Balbi
Arte O GLOBO
Dani Balbi (PCdoB), em quarto, também teve votação maior na Zona Sul do Rio, assim como Elika Takimoto (PT). A diferença é que a sétima na preferência do eleitorado recebeu votos em municípios de diferentes regiões.
Elika teve 135.271 votos, dos quais 75.644 na cidade do Rio. Niterói, Campos dos Goytacazes, Nova Iguaçu, São Gonçalo e Macaé aparecem na sequência entre os municípios onde conquistou mais votos, numa distribuição bem menos concentrada em um único reduto.
A deputada associa esse resultado à combinação entre presença física e comunicação digital:
— É a confluência de duas coisas. Tem um trabalho nas redes sociais, que é reconhecido, mas tem também a visita. Andei muito pelo interior, e não é só na campanha.
Fator rede social
Para Medeiros, as redes ajudam a ampliar o alcance desse tipo de candidatura, mas não substituem a atuação política.
— A rede social sozinha não leva. Mas, se você tem entrega e uma rede boa, consegue construir esse movimento. Um mandato consistente gera essa possibilidade — explica.
O cientista político vê ainda uma intensificação da polarização no desenho eleitoral da capital:
— Sempre teve um voto da esquerda mais forte na Zona Sul e um voto da direita mais forte nessa região da Zona Oeste. O que me parece novo é a intensidade da polarização. Foram movimentos com mais concentração.
A sequência final dos dez mais votados
Arte O GLOBO
Medeiros também aponta avanço de candidaturas de esquerda em áreas da Zona Norte, como Andaraí, Grajaú, Tijuca e Méier, regiões que, segundo ele, não apareciam com a mesma força em eleições anteriores.
As duas lógicas não formam blocos estanques. Candidatos de perfil ideológico também são particularmente fortes em algumas regiões, assim como nomes ligados a estruturas municipais precisam buscar apoio fora de seus redutos. O que muda é o peso de cada elemento na composição dos votos.
Veja a quantidade de votos dos dez deputados estaduais campeões nas urnas:
Índia Armelau (PL) — 248.504
Márcio Canella (União) — 197.178
Renata Souza (PSOL) — 176.871
Dani Balbi (PCdoB) — 169.474
Guilherme Delaroli (PL) — 166.374
Rosenverg Reis (MDB) — 139.866
Elika Takimoto (PT) — 135.271
Anderson Moraes (PL) — 129.325
Costenaro (Novo) — 121.780
Dra. Gabriela (PL) — 96.267

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