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Anderson Talisca lança álbum com 9 músicas que compôs e fala em shows nas férias do futebol: ‘Só chamar’

BRCOM by BRCOM
abril 22, 2025
in News
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Talisca é conhecido na música como Spark — Foto: Divulgação

Spark é um trapper romântico, canta coisas do amor em meio a cenas cotidianas, não é do tipo ostentador, “só love”, ele define em entrevista ao GLOBO. Spark é também o nome artístico de Anderson Talisca, jogador de futebol de 31 anos, meia-ofensivo do Fenerbaçe, um dos maiores clubes da Turquia. No dia 15 de maio, ele lança seu primeiro álbum nas plataformas, “Notas”, com nove músicas autorais.

Não parece uma aventura ou um rompante qualquer de quem procura um novo hobby. A música apareceu cedo na vida de Talisca. Para conseguir uma bolsa de estudos na cidade natal, Feira de Santana (BA), ele entrou ainda novo para a banda da escola, onde tocava percussão. Quando ingressou no futebol, mais precisamente na base do Bahia Esporte Clube, manteve, desde então, o sonho de tocar a carreira artística.

— Não sabia nada de música, mas aprendi percussão naquela época com o Professor Juarez — diz Talisca, em chamada por vídeo, direto da Turquia. — Depois de uns quatro ou cinco anos, começou a ter competição intercolegial. A gente tocava em feriados de 7 de setembro, essas coisas. Foi um aprendizado muito grande.

Pela percussão, tocando instrumentos como o surdo e o timbal, Anderson Talisca se aproximou do axé, lá para 2008, quando o gênero estava em alta. Também tocava pagode. O rap veio mais tarde, fruto do convívio com a garotada da base do Bahia.

— Os moleques escutavam muito rap no quarto. Na época, Chris Brown tinha lançado um álbum que estava bombando. Comecei a pesquisar vários sons, mas sem compromisso, porque eu estava sem fazer música. Mas fui apurando o meu ouvido todos os dias, e fiquei com aquilo na cabeça, de fazer alguma parada na música futuramente, e deixei fluir — relembra.

Quando foi jogar no Benfica, de Portugal, em 2014, Talisca passou a se interessar mais pelo business da coisa, estudando o universo do streaming e de gestão de carreiras, e resolveu montar sua própria gravadora, a T Music, dedicada a axé e pagode. Depois, fundou outro selo, a Nine Four Records, voltada para música urbana, como o trap e o rap. A empresa lançou nomes como Ítalo Melo, Rafael Porrada, Têco e PH, entre outros artistas. Em 2019, surgiu Spark — o Talisca trapper. De lá para cá, lançou singles e fez feats com artistas importantes da cena como Lennon e Kiaz. Nas letras, nada de futebol:

— Não misturo, não falo de futebol nas minhas músicas. Sou um cara romântico, sincero, são histórias de relações que já vivi, histórias de amigos. O Spark é tipo um gângster amoroso (risos). Um personagem que se veste brabão, aquela coisa toda de streetwear, uma parada bem rua, mas que só fala de amor. Ele só quer love. É uma mistura de R&B com trap. São as referências que eu escutei lá atrás.

Todo esse love fica nítido ao longo das nove faixas de “Notas”, como na faixa “Preta rara”, com participação de Luccas Carlos, na qual ele reverencia uma musa “gostosa e trajada/ marquinha de praia/ toda tatuada”. Em “Novela”, descreve um romance de folhetim das 20h, regado a vinho e carícias entre quatro paredes num quarto trancado.

— A gente traz uma referência gringa, um beat mais pra frente. Eu já trouxe um R&B mais West Coast, mas agora trago uma coisa mais trap, gosto de trazer variedade nos estilos. Sempre aperfeiçoando, trazendo coisas novas. Venho feliz com o crescimento da minha carreira na música — diz.

Depois do Bahia e do Benfica, Talisca jogou no Besiktas, da Turquia, e no Guangzhou Evergrande, da China. Neste último, estreou com um hat-trick (três gols na mesma partida) na vitória da equipe contra o Guizhou Hengfeng. Foi campeão chinês com o Guangzhou em 2019. Em 2021, foi para o Al Nassr, da Arábia Saudita — o time de Cristiano Ronaldo —, com o qual foi campeão da Liga dos Campeões Árabes de 2023. De volta à Turquia, chegou no Fenerbaçe em janeiro deste ano e tem contrato com o clube de Istambul, comandado por José Mourinho, até junho do ano que vem.

Talisca é conhecido na música como Spark — Foto: Divulgação

Aos 31 anos, Talisca não pensa em aposentadoria. Não arrisca a dizer com quantos anos pretende parar de jogar futebol profissionalmente. Tem uma única certeza: quer continuar fazendo música. Os shows do Spark, ele diz, virão nas férias da bola:

— Os contratantes que tiverem interesse, é só chamar (risos). Abro seis datas em junho.

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