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novembro 7, 2026
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Ao promover Stephen Miller após derrota eleitoral, Trump reforça agenda linha-dura e sinaliza que não pretende mudar de rumo

Por · novembro 7, 2026
Ao promover Stephen Miller após derrota eleitoral, Trump reforça agenda linha-dura e sinaliza que não pretende mudar de rumo


Nos primeiros dias após a dura derrota sofrida pelos republicanos nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos da última terça-feira, o presidente americano, Donald Trump, pareceu mais contido — quase conciliador. Ele disse que trabalharia com os democratas e voltou a afirmar, como já fez ao longo dos anos, que poderia chegar a um acordo com o partido sobre imigração, talvez a questão doméstica mais polarizadora de seu segundo mandato. Perto do fim da semana, porém, em vez de ceder às evidências claras do descontentamento dos eleitores, Trump recorreu a uma estratégia conhecida: mais MAGA.
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Na sexta-feira, o presidente afastou sua ex-aliada próxima Susie Wiles do cargo de chefe de gabinete da Casa Branca e a substituiu por Stephen Miller, até então vice-chefe de gabinete. Mais do que qualquer outro assessor de alto escalão, Miller incentivou o uso agressivo dos poderes do Executivo quando Trump voltou à Presidência.
Susie Wiles, chefe de gabinete da Casa Branca, ouve o presidente Donald Trump durante uma mesa-redonda sobre agricultura na Sala do Gabinete, na Casa Branca, em Washington, em 8 de dezembro de 2025
Tierney L. Cross / The New York Times
Miller foi o principal articulador das ações mais contundentes do presidente, incluindo o emprego de táticas cada vez mais hostis para capturar imigrantes em todo o país e os bombardeios a pequenas embarcações no Mar do Caribe e no leste do Oceano Pacífico, que ele e Trump declararam constituir uma invasão estrangeira.
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A escolha do presidente enviou um sinal claro sobre a postura que pretende adotar nos dois últimos anos de seu mandato e sobre sua pouca disposição para mudar de estratégia em resposta à derrota política mais expressiva em meio século. Trump também colocou no centro do palco uma figura que já era um dos principais alvos dos democratas, determinados a usar seus novos poderes no Congresso para impor limites ao governo.
A força do MAGA
Em uma publicação nas redes sociais, Miller elogiou Trump como “o líder político mais transformador” da história dos EUA e afirmou que ele havia “salvado sozinho os Estados Unidos daqueles que pretendiam destruí-los”.
“A missão agora está mais clara do que nunca: lutar com toda a nossa alma para apoiar nosso presidente e defender esta magnífica República”, acrescentou.
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Pessoas próximas a Miller afirmaram que ele nunca demonstrou interesse em fazer concessões aos democratas no Congresso e está preparado para uma disputa em torno de intimações e investigações que devem partir do Legislativo. Sua principal prioridade, segundo essas pessoas, é reconstruir a fragmentada coalizão MAGA e levar adiante políticas capazes de mobilizar os eleitores que escolheram Trump em 2024.
“Stephen é, e sempre foi, a chama eterna do movimento MAGA — colocando em prática as palavras e as políticas do presidente”, escreveu em uma mensagem Hunter Morgen, que trabalhou como assessor de Miller durante o primeiro mandato de Trump e atualmente é lobista da Ballard Partners.
Stephen Miller, assessor de política interna da Casa Branca, ri ao lado da assessora presidencial Natalie Harp enquanto deixam a Casa Branca para acompanhar o presidente Donald Trump em sua viagem à Flórida, na sexta-feira, 6 de novembro de 2026
Alex Kent / The New York Times
Enquanto Wiles deixava claro que não considerava sua função proteger o país do presidente, como alguns dos principais assessores de Trump no primeiro mandato fizeram, Miller está muito mais disposto do que ela a ultrapassar os limites legais.
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Ele conhece o funcionamento das engrenagens do governo. É um dos dois principais integrantes da equipe da Ala Oeste que também fizeram parte da primeira administração, quando os democratas conquistaram a maioria na Câmara dos Representantes, em 2018, dando início a uma onda de intimações do Congresso.
Miller passou os anos entre os dois mandatos de Trump recrutando uma equipe que o ajudasse a implementar uma ampla agenda assim que voltasse ao poder. Atualmente, ele conta com aliados entre os advogados de órgãos estratégicos de todo o Poder Executivo, além de manter diálogo constante com o procurador-geral Todd Blanche e o secretário de Defesa, Pete Hegseth.
Hegseth comemorou a promoção de Miller com várias publicações nas redes sociais. “Parabéns enormes”, escreveu, chamando-o de “um verdadeiro patriota e defensor da América em primeiro lugar”. Em seguida, publicou a mensagem “Patriotas no comando” e, depois, uma foto ao lado de Miller.
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Ainda assim, aliados de Miller indicaram que ele entende que a guerra contra o Irã foi um desastre político e acredita que o presidente precisa voltar a priorizar políticas populares entre a base MAGA.
O desgaste de Wiles
Embora Wiles possa continuar próxima de Trump ao assumir uma função ainda não definida na estrutura política externa do presidente, sua saída e a ascensão de Miller vão transformar profundamente o círculo de assessores ao redor de Trump, enquanto a Casa Branca absorve o impacto das eleições de meio de mandato.
— Eu queria fazer uma mudança — disse Trump a jornalistas ao deixar a Casa Branca rumo à Flórida. Segundo o presidente, Wiles fez um “ótimo trabalho”, mas “às vezes, na vida, é preciso fazer mudanças”.
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Questionado sobre o que gostaria que Miller fizesse de diferente em relação a Wiles, de quem havia dito anteriormente que não sairia do cargo, o republicano respondeu:
— Apenas administrar as coisas bem.
Trump não assumiu a responsabilidade pelos resultados eleitorais nem em conversas privadas nem em declarações públicas. Em vez disso, criticou repetidamente Wiles e seus outros assessores políticos, insistindo que não recebeu o apoio adequado na preparação para as eleições de meio de mandato. Na terça-feira à noite, durante um evento de acompanhamento da apuração na Sala Leste da Casa Branca, ele criticou Wiles diante de várias pessoas, segundo fontes que conhecem o episódio e falaram sob condição de anonimato para descrever conversas internas.
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Trump também fez críticas reservadas a James Blair, aliado de Wiles que comandava a estrutura política externa do presidente, segundo pessoas a par dos comentários.
Nos últimos meses, Trump havia manifestado publicamente confiança em Wiles. Nos bastidores, porém, havia sinais de que a posição dela junto ao presidente estava fragilizada, segundo autoridades familiarizadas com a relação entre os dois.
Trump a repreendeu diante de outros integrantes da equipe por sua frustração com a demora do governo em encontrar pessoas que classifica como “delatoras” de informações sigilosas, além da paralisação de processos judiciais contra adversários políticos que considera inimigos. Diante de vários assessores, chegou a acusá-la de estar entre os responsáveis pelos vazamentos, segundo as fontes.
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O presidente também começou a excluir Wiles das decisões sobre nomeações, inclusive quando escolheu um comentarista de televisão sem experiência para substituir a então secretária de imprensa, Karoline Leavitt, que estava deixando o cargo.
Aliados de Wiles a descreveram como alguém preparada para deixar a função e sem interesse em lutar para permanecer no posto. Seus apoiadores consideraram as críticas uma tentativa de atribuir a ela a responsabilidade por uma estratégia política e de governo conduzida, em grande parte, pelo próprio Trump. Eles também criticaram os adversários de Wiles dentro e fora da administração por disseminarem informações destinadas a enfraquecê-la perante o presidente, incluindo notícias sobre o trabalho de lobby de sua filha.
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Em uma declaração publicada nas redes sociais, Wiles descreveu o trabalho para Trump na Casa Branca como a “maior honra de sua vida”.
“Embora minha função possa mudar, meu compromisso com o presidente e com a missão jamais mudará”, acrescentou.
A mulher de confiança
Wiles, primeira mulher a ocupar o principal cargo de chefia da equipe da Ala Oeste, ajudou a conduzir Trump à vitória eleitoral de 2024, desempenhando papel central em seu retorno ao poder quatro anos depois de sua derrota para Joseph R. Biden Jr.
Ela foi diagnosticada com câncer de mama no início de 2026. Wiles permaneceu no cargo enquanto iniciava o tratamento e anunciou recentemente que estava livre da doença.
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Wiles assumiu o posto depois de estabelecer uma relação próxima com Trump e conquistar um nível de confiança que nenhum dos quatro chefes de gabinete do primeiro mandato do presidente havia alcançado.
Segundo pessoas familiarizadas com sua atuação, ela tentou influenciar as decisões de Trump sobre questões centrais, incluindo a ofensiva contra a imigração, ainda que de maneira limitada. Também defendeu as nomeações do secretário de Estado, Marco Rubio, e do secretário do Tesouro, Scott Bessent, ambos considerados por muitas pessoas de fora do governo figuras capazes de trazer estabilidade à administração.
Mas, neste mandato, Trump tem confiado principalmente nos próprios instintos, e poucos assessores o confrontaram diretamente sobre políticas de governo, como ocorria durante sua primeira administração.

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