Apontado como uma das principais lideranças do tráfico de drogas em comunidades do Complexo do Fonseca, em Niterói, Alex Moreira Pereira, conhecido como Drill, de 42 anos, foi solto no último dia 13 de outubro, após decisão da Justiça do Rio. O traficante havia sido preso em abril, durante uma operação da Polícia Militar no Morro do Santo Cristo, e era investigado por envolvimento na disputa territorial entre facções criminosas que atingiu a região entre o fim de 2025 e o início deste ano.
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A decisão foi proferida pela 4ª Vara Criminal da Comarca de Niterói, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). Além de revogar a prisão preventiva, a Justiça absolveu Drill das acusações de tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo por falta de provas. Outra mulher que estava no imóvel no momento da operação, Laiane Cavalcante, também foi absolvida.
De acordo com os fundamentos da decisão, embora houvesse indícios de práticas criminosas no local, não foram apresentadas provas individualizadas que ligassem os dois réus aos materiais apreendidos. O documento aponta que a acusação de que Alex seria fornecedor de drogas “não recebeu confirmação judicial individualizada” e que “não houve material ilícito especificamente ligado a eles”.
Drill havia sido preso no dia 20 de abril, junto com outras cinco pessoas, em uma casa abandonada na Travessa Santo Cristo, no Fonseca. Segundo a Polícia Militar, o imóvel era utilizado como ponto de venda de drogas. Na ocasião, foram apreendidos dois fuzis com numeração raspada, munições, rádios transmissores, carregadores, uma granada e grande quantidade de entorpecentes.
Após a operação, os seis acusados foram encaminhados à 78ª DP (Fonseca) e autuados em flagrante por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo, segundo a Polícia Civil.
Tiroteio três dias após soltura
Três dias depois da decisão que concedeu a liberdade a Drill, na madrugada de 16 de outubro, disparos de arma de fogo foram detectados pelo sistema ShotSpotter na comunidade do Santo Cristo. A tecnologia, utilizada em Niterói, identifica tiros em tempo real e permite o acionamento das forças de segurança.
Após uma operação policial na região, que contou com veículos blindados, sete suspeitos apontados como integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) foram presos. Durante a ação, policiais do Grupamento de Ações Táticas (GAT) também encontraram um homem morto. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG).
Na ocorrência, foram apreendidas ainda três pistolas, um simulacro de arma de fogo, dois rádios transmissores e drogas. O material foi encaminhado à 78ª DP.
Quem é Drill?
Alex Moreira Pereira é apontado pelas forças de segurança como uma das antigas lideranças do Terceiro Comando Puro no Complexo do Fonseca, conjunto de comunidades que engloba Santo Cristo, Palmeira, Pimba, Coreia e Coronel Leôncio. Segundo informações policiais, ele possui mais de 11 registros de passagem pela polícia por suspeitas de envolvimento em crimes como homicídio, roubo, corrupção de menores e tráfico de drogas.
Drill também é investigado por participação em invasões a comunidades do complexo em novembro de 2025, quando integrantes do TCP avançaram sobre territórios que eram dominados pelo Comando Vermelho (CV). Na época, a disputa envolvia grupos ligados a Drill e a um traficante conhecido como Fluminense, apontado como liderança do CV na região.
O confronto entre as facções foi associado a um aumento na letalidade violenta no município. Em janeiro de 2026, Niterói registrou 14 homicídios dolosos e mortes decorrentes de intervenção policial, o maior número para o mês nos últimos sete anos, segundo os dados do Instituto de Segurança Pública (ISP).
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Apontado como chefe do tráfico em Niterói, Drill é solto após decisão da Justiça
