A Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) vai reforçar a segurança em aldeias do Mato Grosso do Sul após ameaças a comunidades indígenas depois do segundo turno das eleições. A mobilização foi anunciada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, neste sábado.
As forças de segurança vão atuar nas aldeias Sassoró, em Tacuru, Taquaperi, em Coronel Sapucaia, e Limão Verde, em Amambai. No total, 145 agentes foram designados para patrulhar os locais.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, se reuniu em Dourados (MS) neste sábado com forças de segurança pública para coordenar as ações de proteção no estado. Participaram a Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) e órgãos estaduais, incluindo a Secretaria de Segurança Pública, Polícia Civil e Polícia Militar.
O Ministério Público Federal (MPF) e a PF instauraram uma investigação para investigar ameaças de envenenamento da água de indígenas na aldeia Sassoró que circularam em grupos de Whatsapp de moradores da região.
Segundo o ministro Wellington César, a força-tarefa vai atuar em conjunto com as polícias estaduais para que as comunidades sejam devidamente protegidas.
— Todas as providências necessárias foram adotadas nos casos específicos, que já estão sendo investigados em estágio avançado, e a responsabilização ocorrerá nos termos devidos. É importante ressaltar também que a Força Nacional está adotando um procedimento em que estará sempre no terreno para se deslocar até o local que aconteça qualquer ocorrência com aparência criminosa ou severa — destacou César Lima em entrevista coletiva.
O ministro de Povos Indígenas, Eloy Terena, afirmou que a PF já ouviu dois suspeitos e que o monitoramento da qualidade da água será reforçado. Dois servidores da prefeitura de Tacuru (MS) foram afastados neste sábado após a divulgação dos áudios.
— Nós recebemos 10 casos, depois de filtrar tudo que foi recebido. E, desses 10 casos, quatro são aqui de Mato Grosso do Sul, até o momento. Lógico que é uma averiguação preliminar. Apenas esse caso do envenenamento que tem uma ligação direta com crime político. Os outros atropelamentos, até o momento, não, mas é claro que não serão descartados — relatou o ministro Eloy Terena.
Equipes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) no estado também foram enviadas às aldeias de onde partiram denúncias, para qualificar informações e prestar apoio.
O Brasil registrou 40 casos de violência política contra indígenas entre julho e outubro de 2026 — cerca de uma ocorrência a cada três dias do período. É o que mostra levantamento da Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), obtido pelo GLOBO.
A maior concentração dos atos violentos se deu no período entre o início oficial da campanha e o primeiro turno (18 casos). Houve apenas um único registro na pré-campanha. Já 13 ocorrências se deram no contexto de segundo turno. Outras seis foram após a fase final do pleito.
Segundo o levantamento, houve sete assassinatos, 35 casos de racismo, 11 ameaças de morte, 18 agressões físicas e sete casos de violência de gênero contra indígenas no período. As ocorrências se deram em 15 estados, que vão do Norte ao Sul do país.
Após ameaças a indígenas no MS, governo envia Força Nacional para reforçar segurança de aldeias
