O Ministério Público da Bolívia abriu uma investigação contra o ex-presidente Evo Morales por ordenar bloqueios de estradas, informou o MP nesta segunda-feira. Um vídeo divulgado por um ex-dirigente próximo a Morales deu origem à denúncia criminal, que inclui crimes como terrorismo. Na gravação, supostamente se ouve a voz do ex-mandatário instruindo um de seus seguidores a obstruir as vias.
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O procurador-geral Roger Mariaca informou em entrevista coletiva que “foi decidido admitir esta denúncia” e “isso exige o início de uma investigação”.
O governo, por meio do Ministério da Justiça, denunciou Morales na semana passada pelos crimes de “terrorismo, instigação pública ao crime, atentados contra a segurança dos serviços públicos”, entre outros. A lei estabelece uma pena de 15 a 20 anos por terrorismo, o crime mais grave.
Mariaca mencionou que os promotores e a polícia ativarão “todos os mecanismos de investigação” para que “essa denúncia possa ser esclarecida”.
Na semana passada, o ex-presidente de 65 anos acusou o governo de “montar casos” para desacreditá-lo.
O senador Leonardo Loza, colaborador próximo do líder cocalero, disse que “infelizmente eles recorrem à inteligência artificial”, afirmando que o atual governo teria usado perfis falsos para dizer que Morales solicitou os bloqueios, ecoando um episódio parecido no passado.
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O ex-chefe de Estado enfrentou uma denúncia semelhante em novembro de 2019. O governo da direitista Jeanine Añez também o denunciou por “terrorismo”. Na época, a então administração divulgou um vídeo em que se ouvia uma voz, supostamente de Morales, ordenando a seus seguidores que bloqueassem as estradas do país. No entanto, a investigação não prosperou.
Segunda semana de bloqueios
Há oito dias, a Bolívia registra dezenas de ocupações de vias que paralisam o centro do país, especialmente Cochabamba, bastião político de Morales. A estatal Administradora Boliviana de Carreteras registrou nesta segunda-feira 28 pontos de bloqueio em todo o país.
Os partidários de Morales exigem a renúncia do presidente Luis Arce, a quem culpam pela crise econômica e por supostamente manipular as autoridades judiciais e eleitorais para excluir o ex-presidente das próximas eleições, marcadas para 17 de agosto.
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O líder cocalero está refugiado desde outubro passado na região de Chapare, pois também pesa sobre ele uma ordem de prisão por um caso de tráfico de menores, quando era presidente, acusação que ele nega.
Arce, que foi um dos ministros com mais tempo no cargo durante o governo de Morales, acusou seu ex-aliado político de promover os protestos para impedir as eleições gerais. O objetivo, diz ele, é “apenas habilitar sua candidatura à força”, apesar de uma decisão judicial não permitir mais do que uma reeleição presidencial.
Morales exerceu o cargo três vezes, entre 2006 e 2019.
