O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), recebeu elogios de bispos da Assembleia de Deus na noite desta segunda-feira (9), durante culto de aniversário de 93 anos de Manoel Ferreira, líder do ministério de Madureira. A denominação evangélica, cuja sede fica no bairro do Brás, na capital paulista, reúne mais de 42 mil templos e 65 mil pastores no país.
— Confesso que tenho muito medo que o senhor largue a política e vire pastor — brincou o bispo Samuel Ferreira, que comanda a congregação, ao agradecer a presença do político. — Eu recebi aqui muitos governadores, e a todos eu dizia: ‘Ajuda os crentes’. Nenhum ajudou, só diziam que era impossível. E o senhor criou um festival de fé (em Santa Bárbara d’Oeste), muito obrigado. O povo de Deus não é bobo. Nunca foi, nem nunca vai ser.
Tarcísio foi ao local acompanhado de três aliados que já declararam a intenção de concorrer ao governo do estado caso ele decida disputar a presidência em 2026: o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), o líder da Assembleia Legislativa do Estado (Alesp), deputado estadual André do Prado (PL), e o secretário de governo, Gilberto Kassab (PSD), presidente nacional do partido que governa mais municípios paulistas. Já o governo Lula (PT) foi representado pelo ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias.
Messias, Nunes e Tarcísio levaram aos fiéis passagens bíblicas, mas notadamente quem pareceu mais à vontade na função foi o governador de São Paulo. Ele empolgou os fiéis ao falar sobre a salvação e as características da promessa, citando três histórias diferentes. Tarcísio disse ainda que teve uma revelação de que Deus o abençoaria na eleição passada durante um culto na AD Brás, há três anos — e, entre elogios aos “dons espirituais” dos anfitriões, prometeu sancionar dentro da igreja o projeto de lei que batiza um conjunto hospitalar com o nome da bispa Keila Ferreira, esposa de Samuel falecida este ano.
Ferreira também chamou Prado de “amigo da igreja” e agradeceu tanto a Nunes quanto a Kassab por não terem fechado templos durante os seus governos à frente da cidade. A Messias, disse que a AGU está se transformando em um ministério evangélico, lembrando de André Mendonça, que o antecedeu no cargo durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) até ser indicado a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) com a credencial de “ministro terrivelmente evangélico”.
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Entre as autoridades que discursaram, Nunes foi quem mais politizou o momento, ao dizer que Tarcísio faz uma gestão de acordo com os “princípios cristãos”. O clima entre a dupla e o enviado do governo federal, contudo, foi de cordialidade. Sobrou até um cumprimento de Jorge Messias ao pastor Marco Feliciano (PL), que chegou atrasado e se sentou próximo dos deputados federais Cezinha de Madureira (PSD), oriundo da igreja, e Gilberto Carvalho (PSD), presidente da Frente Parlamentar Evangélica.
O bispo Manoel Ferreira concedeu apenas uma bênção ao final do culto, que terminou em bolo e parabéns. Diversos outros deputados e vereadores participaram das homenagens, incluindo parlamentares do PT ao PL. O ministério de Madureira costuma ser parada obrigatória de políticos paulistas pela capilaridade que tem no estado e no restante do país.
