Após a Polícia Federal (PF) deflagrar nesta quarta-feira uma operação contra um esquema de venda de diplomas falsos de Medicina, o Conselho Federal de Medicina (CFM) afirmou em nota que a checagem dos documentos usados nos registros da entidade “é criteriosamente normatizada e uniforme em todo o Brasil”. Três pessoas foram presas.
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Segundo o CFM, os Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) pedem às instituições de ensino a relação dos formandos e apenas estes nomes são usados para autorizar registros. “Caso o nome do futuro médico não conste na documentação da instituição de ensino, o CRM oficia a instituição formadora para que seja feita a confirmação de forma individualizada”, diz a nota.
Os nomes dos alvos não foram divulgados. De acordo com a PF, foram identificadas pessoas suspeitas de adquirir os documentos falsos e a circulação de valores entre os investigados. O esquema teria ramificações em diferentes estados do país e pelo menos “45 nomes de pessoas já inscritas como médicos no Conselho Regional de Medicina teriam pago ao grupo supostamente para obtenção de documentos falsos para viabilizar esse registro”.
Segundo a PF, a organização criminosa venida tanto diplomas falsos quanto documentos para viabilizar acesso a cursos de Medicina.
As investigações que embasaram a Operação Canudo começaram com a apreensão, em 2023, de um diploma falso apresentado ao Conselho Regional de Medicina no estado do Rio Grande do Sul. O documento teria sido fornecido por um dos investigados.
Segundo a PF, a apuração indicou a existência de um “esquema estruturado para a falsificação e comercialização de diplomas, históricos escolares e outros documentos acadêmicos, utilizados para viabilizar o ingresso ou a transferência para cursos de Medicina e, posteriormente, a obtenção de registro profissional junto aos Conselhos Regionais de Medicina”.
O esquema
Os investigadores apontam que as fraudes incluíam a falsificação de diploma para ser apresentado no CRM, mas também a falsificação de documentos de ensino superior para o estudante ingressar em cursos de Medicina já em andamento e em fase final de conclusão do curso. No segundo caso, com documentos falsos, o estudante conseguia acessar o curso como se tivesse se transferindo de uma faculdade para outra, nos períodos finais da formação.
O principal suspeito já havia sido alvo de uma investigação da PF em 2016, quando foi descoberta uma organização criminosa acusada de fraudes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A PF detalhou que, na época, a apuração revelou o recrutamento de professores e estudantes para realizar as provas e transmitir, por meio de dispositivos eletrônicos, os gabaritos a candidatos “que pagavam valores elevados para obter vantagem no certame”. Integrantes da organização foram presos.
As investigações continuam para a identificação de pessoas que eventualmente tenham contratado ou utilizado os serviços oferecidos pelo grupo criminoso.

