Menos de uma semana após a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e o embate de Flávio Bolsonaro (PL) com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), influenciadores católicos saíram em defesa do candidato à Presidência nas redes sociais. As publicações também miraram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governo federal.
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Com milhões de seguidores, esses perfis fazem parte de diferentes circuitos do catolicismo conservador e, nas postagens dos últimos dias, identificam Flávio como o candidato próximo ao catolicismo, desmentindo supostas acusações falsas de que cassaria o título de Nossa Senhora Aparecida de “padroeira do Brasil”.
O perfil Segundo Católico, que reúne 1,2 milhão de seguidores, recuperou a renovação da consagração do Brasil a Nossa Senhora Aparecida feita por Jair Bolsonaro enquanto estava na presidência da república para destacar a proximidade do bolsonarismo com símbolos do catolicismo brasileiro. A informação, segundo ele, teria sido “derrubada” pelo governo petista. O influenciador também publicou um vídeo em que acusou Lula de repercutir a informação falsa de que pessoas de religião evangélica teriam tentado “mexer” na imagem de Nossa Senhora Aparecida “mesmo sabendo que se tratava de fake news”. Até o momento, a publicação acumula mais de 108 mil curtidas e 15,4 mil comentários.
Perfis católicos publicam posts defendendo Flávio Bolsonaro após polêmica com Nossa Senhora
Reprodução/Instagram
Com 112 mil seguidores no Instagram, Tiago Prado de Maria, que se apresenta como jornalista católico e missionário por trás da plataforma Católicos de Verdade, republicou um trecho de um sermão do padre Adão Dias Martins, da Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes, em Porto Rico (PR), com a legenda “Segurança Nacional: Todos católicos precisam escutar o padre”. No vídeo, o sacerdote questiona a permanência do atual governo e questiona se “o governo Bolsonaro” seria melhor.
— O povo colocou na cabeça um negócio de que o atual governo é o pai dos pobres. Gente boa, deixa de ser idiota. Deixa de ser besta —, diz o padre.
Tiago também compartilhou, em conjunto com outro influenciador conservador, uma “colinha eleitoral católica”, com sugestões de votos para deputados e senadores em diferentes estados, em sua maioria candidatos do PL, além de endossar Flávio Bolsonaro para a Presidência.
O episódio também serviu de ponto de partida para críticas à própria CNBB. Álvaro Mendes, presidente da editora católica Centro Dom Bosco, usou tanto seu perfil pessoal quanto as redes da organização — que, juntos, somam mais de 320 mil seguidores — para comentar a controvérsia. Em publicações nesta semana, afirmou que as últimas gestões da entidade teriam sido “simpáticas à extrema-esquerda” e classificou uma eventual participação de bispos no episódio como parte de uma “infiltração revolucionária na Igreja”. Mendes recomendou ainda que famílias buscassem paróquias tradicionais e não votassem no que chamou de “mal maior”.
Outro perfil que se manifestou foi o padre Deivid Nass, que acumula 23 mil seguidores. Em uma publicação, citou nominalmente o Presidente da República, e expôs o que classificou como “falsas acusações e mentiras” do governo Lula. Ele afirmou ser necessário “reestabelecer a Verdade” e acusou o governo vigente de tentar “usurpar mais uma vez da fé do povo” e de ofender a fé católica.
Campanha de Flávio lida com desgaste
Aliados de Flávio avaliam como “desordenada” a forma como a campanha reagiu ao desgaste. A reação ocorreu após acusações falsas de que ele cassaria o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Nos últimos dias, a história foi impulsionada nas redes sociais após um debate sobre um projeto de lei arquivado há quase 20 anos que tinha o objetivo de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
O principal ponto de tensão foi a acusação feita pelo candidato de que pessoas ligadas à CNBB teriam ajudado a disseminar a informação falsa. A declaração provocou reação da entidade e transformou uma crise provocada por um conteúdo contra o candidato em um confronto com uma instituição da Igreja Católica.
A mobilização ocorre em um momento de atenção ao eleitorado católico. Pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, encomendada pelo GLOBO e pela TV Globo, mostra que Lula passou de 43% para 48% das intenções de voto entre católicos, enquanto Flávio foi de 27% para 29%, na comparação com o levantamento da semana anterior. A margem de erro nesse segmento é de três pontos percentuais.
Segundo o Censo mais recente, 100,2 milhões de brasileiros se declaram católicos, o equivalente a 56,7% da população.
Um relatório especial divulgado nesta terça-feira (29) pela Casa Galileia identifica esse movimento e aponta que parlamentares, sacerdotes e influenciadores formam uma articulação descentralizada em torno da candidatura de Flávio, funcionando como pontos de conexão entre o candidato, a identidade religiosa e o público católico.
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Após polêmica com Nossa Senhora Aparecida, influenciadores católicos saem em defesa de Flávio Bolsonaro
