Os terremotos que atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira deixaram centenas de mortos e feridos, com atualizações mais recentes do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicando probabilidade de 39% de que o número de mortes fique entre mil e 10 mil. O evento tornou-se o mais recente de uma série de desastres sísmicos que marcaram a história da América Latina. Em comum, eles deixaram cidades reduzidas a escombros e mobilizaram operações de resgate que envolveram militares, equipes internacionais e milhares de voluntários.
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Relembre alguns dos terremotos mais mortais registrados na América do Sul e na América Central no último século.
México (2017)
Em setembro de 2017, o México foi atingido por dois fortes terremotos em um intervalo de pouco mais de uma semana. O primeiro, de magnitude 8,1, ocorreu na costa sul do país. Dias depois, um segundo tremor, de magnitude 7,1, atingiu a região central mexicana. Juntos, os dois eventos deixaram quase 500 mortos.
O segundo terremoto teve epicentro no estado de Puebla e provocou destruição em diversas cidades, incluindo a Cidade do México. Dezenas de prédios desabaram, deixando centenas de pessoas presas sob os escombros. O terremoto ocorreu exatamente no aniversário do devastador abalo de 1985, que matou milhares de pessoas na Cidade do México. Horas antes do tremor, moradores haviam participado de exercícios de evacuação e cerimônias em memória da tragédia.
Equador (2016)
Em 16 de abril de 2016, um terremoto de magnitude 7,8 atingiu a costa do Equador, provocando o pior desastre sísmico do país em 40 anos. O tremor deixou mais de 650 mortos e devastou cidades costeiras, vilarejos pesqueiros e áreas turísticas.
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O epicentro foi registrado próximo à localidade de Muisne, em uma região relativamente pouco povoada. Mesmo assim, o impacto foi grande: prédios desabaram e bairros inteiros foram destruídos em cidades como Portoviejo e Manta. As operações de resgate foram dificultadas por deslizamentos de terra e pelos danos à infraestrutura. Mais de 10 mil militares foram mobilizados.
Na época, o professor David Rothery, da Open University, afirmou à AFP que o tremor liberou cerca de 20 vezes mais energia do que um terremoto registrado no Japão no dia anterior. Segundo ele, não havia relação entre os dois eventos, que faziam parte da atividade sísmica natural observada em diferentes regiões do planeta.
Chile (2010)
Na madrugada de 27 de fevereiro de 2010, um terremoto de magnitude 8,8 atingiu a região central do Chile, deixando 523 mortos. O abalo durou cerca de um minuto e meio e foi sentido com intensidade em Santiago, onde provocou danos em edifícios, derrubou pontes, causou incêndios e interrompeu serviços de energia e telefonia. O governo declarou parte do território chileno como zona de catástrofe.
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Além dos danos provocados pelo terremoto, um tsunami atingiu áreas costeiras do país. Na ilha Juan Fernández, localizada a cerca de 600 quilômetros da costa chilena, as ondas destruíram parte da comunidade. Havia ainda preocupação de que o fenômeno alcançasse a Ilha de Páscoa.
Peru (2007)
Em 15 de agosto de 2007, um terremoto de magnitude 8,0 atingiu a costa central do Peru e deixou mais de 500 mortos. O epicentro foi registrado próximo à cidade de Chincha Alta, cerca de 160 quilômetros ao sul de Lima, mas o tremor foi sentido em grande parte do território peruano e também em países vizinhos.
Em Lima, prédios balançaram e milhares de pessoas correram para as ruas. Houve interrupções no fornecimento de energia elétrica e danos em diversas localidades. Inicialmente, o Serviço Geológico dos EUA informou que dois terremotos haviam ocorrido em sequência, mas posteriormente revisou a avaliação e concluiu que se tratava de um único evento sísmico. Nas horas seguintes, foram registradas nove réplicas.
El Salvador (2001)
O terremoto levou à emissão de alertas de tsunami para Peru, Chile, Equador e Colômbia, posteriormente cancelados. Na ocasião, autoridades classificaram o episódio como o pior desastre sísmico da história recente peruana, em um país que convive com terremotos desde os primeiros registros históricos do período colonial.
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Em 2001, dois terremotos em um intervalo de apenas um mês deixaram mais de 1,2 mil mortos. O primeiro terremoto, de magnitude 7,7, atingiu a costa do país em 13 de janeiro. Com epicentro no Oceano Pacífico, a cerca de 100 quilômetros da cidade de San Miguel, o tremor foi sentido em vários países da América Central e levou o então presidente Francisco Flores a decretar estado de emergência nacional.
Além dos danos provocados diretamente pelo abalo, deslizamentos de terra agravaram a tragédia. Um dos episódios mais graves ocorreu na cidade de Santa Tecla, onde um enorme desmoronamento soterrou cerca de 200 casas. Hospitais, igrejas e outras construções também sofreram danos ou desabaram. As comunicações foram interrompidas e estradas ficaram bloqueadas, dificultando o trabalho das autoridades.
Colômbia (1999)
Em 25 de janeiro de 1999, um terremoto de magnitude 6,0 atingiu a região centro-oeste da Colômbia, uma tradicional área produtora de café do país. O tremor provocou destruição principalmente na cidade de Armênia, capital do departamento de Quindío, e também afetou Pereira, capital do departamento vizinho de Risaralda. Cerca de 1,1 mil pessoas morreram no desastre, e milhares ficaram feridas.
México (1985)
Em 19 de setembro de 1985, um terremoto de magnitude 8,1 atingiu a região central do México, deixando cerca de 12 mil mortos e 250 mil sem abrigo. A capital foi a área mais afetada. Construída sobre o antigo leito de um lago, com um solo instável que amplificou os efeitos do abalo, a Cidade do México teve centenas de edifícios destruídos. Hotéis, fábricas e outras construções antigas desabaram.
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O desastre levou à criação de novos códigos de construção e ao estabelecimento de um sistema nacional de proteção civil. Os moradores que perderam suas casas se organizaram em grupos de pressão, como a Coordenadora Única de Damnificados (CUD), que reivindicou a reconstrução das áreas destruídas e novas moradias para os desabrigados. Nos anos seguintes, quase 100 mil residências foram reformadas ou construídas com apoio internacional.
Guatemala (1976)
Em 4 de fevereiro de 1976, um terremoto de magnitude 7,5 atingiu o oeste da Guatemala e deixou pelo menos 22,7 mil mortos e mais de 76 mil feridos. O tremor foi provocado pelo deslocamento da falha de Motagua, uma das principais estruturas geológicas da região, e foi sentido em uma área de pelo menos 100 mil quilômetros quadrados.
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Construções de adobe, comuns em muitas regiões do país, desabaram em grande escala, especialmente em áreas afastadas. Mesmo estruturas mais modernas, incluindo hospitais na Cidade da Guatemala, sofreram danos. O tremor também provocou uma série de deslizamentos de terra que bloquearam estradas, ferrovias e rotas de comunicação.
Peru (1970)
Em 31 de maio de 1970, um terremoto de magnitude 7,9 atingiu o norte do Peru. O tremor, com epicentro no litoral noroeste do país, deixou cerca de 66 mil mortos, 100 mil feridos e 800 mil pessoas sem moradia. Mais de 186 mil edifícios ficaram inabitáveis, e muitas construções, principalmente as feitas de adobe, não resistiram ao impacto do abalo.
A tragédia foi agravada por uma série de deslizamentos de terra provocados pelo tremor. O mais devastador ocorreu no monte Huascarán, a montanha mais alta do Peru, onde uma enorme avalanche de gelo, rochas e detritos se desprendeu do pico norte e avançou em direção ao vale com velocidades de até 320 quilômetros por hora, soterrando a cidade de Yungay, posteriormente declarada cemitério nacional em memória das vítimas.
Chile (1939)
Em 24 de janeiro de 1939, um terremoto de magnitude 8,3 atingiu a região central do Chile e provocou uma das maiores tragédias da história sísmica do país. O tremor ocorreu durante a noite e, segundo relatos da época, durou cerca de três minutos. O abalo atingiu uma área de mais de 100 mil quilômetros quadrados, entre as cidades de Talca e Concepción, deixando cerca de 28 mil mortos em Chillán — embora algumas estimativas apontem para um total próximo de 30 mil vítimas.
A cidade de Chillán, uma das mais importantes do sul do Chile, foi uma das áreas mais devastadas. A maior parte das construções locais seguia o estilo colonial, com estruturas antigas que não resistiram ao impacto do terremoto. Além de Chillán, as cidades de Pailahueque e Parral foram praticamente destruídas, enquanto Concepción, Talcahuano, San Rosendo e Los Ángeles sofreram grandes danos.
(Com New York Times)

