Desde que foi eleito chefe da Igreja Católica, o Papa Francisco não voltou a sua terra natal, mas, quatro meses depois de se tornar o Pontífice, ele se encontrou com algo em torno de cinco mil peregrinos argentinos na Catedral Metropolitana do Rio, durante a 28ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em julho de 2013. Claramente à vontade, com um discurso de improviso, Francisco expressou vontade de ver aquela multidão de fieis nas ruas espalhando os valores católicos e frisou que queria “confusão”.
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“Espero que no final da Jornada a consequência seja uma confusão. Aqui dentro vai ter confusão, no Rio vai ter confusão. Quero agito nas dioceses, que vocês saiam às ruas. Quero nos defender da comodidade, do clericalismo, de ficarmos fechados em nós mesmos. A Igreja não pode se converter em uma ONG. Peço desculpas aos bispos e padres pela confusão que isso pode gerar. Obrigado pelo que vocês fazem”, disse o santo padre, que morreu nesta segunda-feira, aos 88 anos.
Do lado de fora, cerca de 25 mil argentinos, alguns que tinham chegado de madrugada, se espremiam pela Avenida Chile e ruas próximas, no Centro do Rio. Eles intercalavam momentos de silêncio para tentar ouvir o pronunciamento com gritos de “Essa é a juventude do Papa”. Ao se referir ao público, Sua Santidade lamentou que eles estivessem “enjaulados”. E não esqueceu daqueles que estavam na chuva. Queria estar mais perto de vocês, mas entendo que, por razões de ordem, isso não é possível.
O Papa fez críticas ao consumismo da sociedade e destacou a importância de não se idolatrar o “deus dinheiro”. Segundo ele, “o culto ao ‘deus dinheiro’ é tão grande que estamos gerando uma exclusão dos dois polos da vida, que são os idosos e os jovens”. Na opinião do Papa, a civilização nos levou a excluir “as duas pontas que são o nosso futuro”. Por conta disso, Sua Santidade também falou diretamente aos jovens ali presentes quando pediu para que eles não abandonem os idosos:
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“Ao povo argentino eu peço: não deixem de transmitir os valores e a memória do povo. E vocês jovens, por favor, não briguem com os mais velhos. Saibam que nesse momento vocês, os jovens, e os idosos estão condenados ao mesmo destino”, afirmou o então chefe da Igreja Católica.
Aquela foi a primeira viagem apostólica do Papa Francisco. Ele chegou ao Rio no dia 22 de julho e ficou hospedado na Residência do Sumaré, na Floresta Nacional da Tijuca. Dois dias depois, embarcou em um helicóptero para visitar o Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo. O ápice da passagem pelo Brasil foi o domingo, dia 28 de julho de 2013, quando 3,7 milhões de pessoas assistiram à homilia do Pontífice na Praia de Copacabana. Madonna e Lady Gaga ficariam com inveja.
