A China está avançando em uma tecnologia que já foi um dos projetos mais ambiciosos da NASA: um robô capaz de construir grandes estruturas diretamente no espaço, como se fosse uma aranha tecendo sua própria teia. O conceito, conhecido como SpiderFab, funciona como uma espécie de impressora 3D espacial, projetada para montar antenas, painéis solares e outras estruturas a partir de carretéis de fibra de carbono.
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A ideia original foi desenvolvida pela NASA em parceria com a empresa Tethers Unlimited, mas nunca chegou a ser testada em órbita. Agora, pesquisadores do Instituto de Automação de Shenyang, no norte da China, afirmam ter recuperado o conceito e dado novos passos para torná-lo viável.
Hoje, qualquer equipamento enviado ao espaço precisa ser construído na Terra, dobrado para caber dentro de uma nave ou foguete e, depois, aberto ou implantado já em órbita. Foi o que aconteceu, por exemplo, com os espelhos do Telescópio Espacial James Webb. Embora esse modelo tenha se mostrado eficiente, ele impõe limites rígidos de tamanho e peso, além de exigir que as peças suportem a violência de um lançamento.
Robôs como o SpiderFab poderiam mudar essa lógica. Em vez de levar estruturas prontas ao espaço, a ideia é transportar apenas matérias-primas, como carretéis de fibra de carbono, e permitir que a montagem aconteça já em baixa ou quase nenhuma gravidade. Na prática, isso poderia viabilizar, no futuro, estruturas grandes demais para caber em foguetes, como antenas de um quilômetro de largura ou enormes painéis solares.
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Segundo os pesquisadores chineses, o projeto conseguiu enfrentar dois dos principais problemas encontrados pela NASA: o encaixe das peças no espaço e a resistência das estruturas fabricadas. Para isso, a equipe passou a usar compostos de fibra de carbono, em vez de fibra de carbono pura. Esses materiais podem ser moldados em tubos ocos, longos, leves e resistentes, características consideradas ideais para estruturas espaciais.
Outra mudança está na forma de conexão das peças. O robô chinês é capaz de fabricar juntas de montagem em 3D, dispensando parafusos ou cola. Quando necessário, os componentes também podem ser unidos por laser, em um processo semelhante a uma soldagem, o que resultaria em conexões mais fortes, montagens mais limpas e maior facilidade de automação.
Por enquanto, os testes ainda são modestos e acontecem em laboratório, na Terra. A equipe já conseguiu construir uma estrutura reduzida de antena, em uma prova de conceito considerada promissora. O próximo desafio será testar a montagem autônoma em condições de microgravidade, além de verificar a precisão do alinhamento em grandes distâncias e a durabilidade dos materiais diante de radiação e outras condições extremas do espaço.
“Construir estruturas em órbita elimina a necessidade de dobrá-las dentro de foguetes ou se preocupar com limites de tamanho. As peças podem ser feitas, unidas e montadas diretamente no espaço — potencialmente uma tecnologia central para os sistemas espaciais da próxima geração”, afirmou o instituto, segundo o jornal South China Morning Post.
Apesar do avanço, os cientistas ainda estão longe de uma aplicação prática em órbita. Antes de qualquer comemoração, será necessário provar que o robô consegue operar no ambiente espacial real, resistir às intempéries do espaço e realizar montagens complexas de forma autônoma. Ainda assim, o projeto reforça a ambição chinesa de disputar com os Estados Unidos não apenas missões à Lua ou estações espaciais, mas também tecnologias capazes de redefinir a forma como estruturas serão construídas fora da Terra.

