A Fifa tem conhecimento das críticas ao supervisor do VAR, o australiano Shaun Evans, acusado de fazer um gesto associado à simbologia de supremacistas brancos durante a transmissão da goleada da Alemanha por 7 a 1 sobre Curaçao, no último domingo, pela Copa do Mundo. O caso chamou atenção pela semelhança com o episódio que envolveu Filipe Martins, ex-assessor especial para assuntos internacionais do governo Jair Bolsonaro, denunciado pelo Ministério Público Federal por ter feito o mesmo sinal durante uma sessão no Senado, em 2021.
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Segundo o site The Athletic, a entidade máxima do futebol acompanha a repercussão, mas ainda não se posicionou sobre o caso. O veículo também informou que buscou uma manifestação de Evans por meio da Fifa, mas não obteve resposta até o momento.
O árbitro teria sido flagrado fazendo o gesto no instante em que a transmissão mostrou a sala de vídeo. O movimento — em que o polegar e o indicador se encostam enquanto os demais dedos ficam estendidos — é tradicionalmente conhecido como sinal de “OK”, mas passou a ser associado, em alguns contextos, a um símbolo de “white power” (“poder branco”, na tradução) ligado a grupos de extrema-direita.
A leitura ganhou repercussão internacional após ser associada a casos de grande impacto, como o uso do gesto pelo supremacista branco australiano Brenton Tarrant em 2019, durante audiência em tribunal após o ataque a mesquitas na Nova Zelândia que deixou 50 mortos.
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A rede antidiscriminação Fare (Futebol Contra o Racismo na Europa) afirmou, em nota, que, segundo seus especialistas, o gesto “se assemelha claramente a um símbolo de ‘OK’ invertido”, utilizado como representação de “poder branco” em círculos de extrema-direita.
No Brasil, o mesmo gesto já havia colocado Filipe Martins no centro de uma investigação. Em junho de 2021, o então assessor de Bolsonaro foi denunciado à Justiça pelo Ministério Público Federal no Distrito Federal por um sinal feito em uma sessão no Senado, em março daquele ano. O gesto, segundo a denúncia, é usado por grupos extremistas para simbolizar o “white power” e foi classificado como “uma verdadeira expressão da supremacia branca” pela Liga Antidifamação (ADL, na sigla em inglês), organização dos Estados Unidos que monitora crimes de ódio.
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Segundo o MPF, Martins “agiu de forma intencional e tinha consciência do conteúdo, do significado e da ilicitude do seu gesto”. Ainda de acordo com o órgão, o ex-assessor teria um “histórico de menções a símbolos de extrema-direita”.
Martins era identificado como integrante da chamada “ala ideológica” do governo, ligado ao escritor Olavo de Carvalho, e tinha proximidade com os filhos de Bolsonaro. Na época da denúncia pelo gesto feito no Senado, embora o Palácio do Planalto tenha considerado sua exoneração, ele continuou no cargo.
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O ex-assessor também era defensor de um alinhamento com o então ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que voltou a ocupar a Casa Branca. Em 2019, publicou uma foto ao lado de Trump afirmando que “uma aliança estratégica entre Brasil e EUA em torno de uma visão de mundo e de uma filosofia comuns será decisiva na defesa do Ocidente”. Na mesma publicação, usou o termo “Deus Vult!”, expressão que significa “Deus quer” e que passou a ser utilizada, nos últimos anos, por integrantes da extrema-direita que se espelham em símbolos da Idade Média e das cruzadas para defender, entre outras coisas, a superioridade de grupos brancos, cristãos e conservadores em relação a outros, como muçulmanos.

