A linguagem usada para descrever desejos, afetos e identidades deixou de se restringir aos termos tradicionais e passou a englobar expressões que tentam nomear nuances de comportamento antes ignoradas. Da relação com a tecnologia ao peso da inteligência como gatilho de atração, passando por vínculos que dispensam romance, sexo ou gênero, diferentes denominações ganharam espaço nas redes e no discurso público. O movimento tem sido impulsionado, em grande parte, por artistas e influenciadores que assumem essas definições e acabam apresentando esses termos a um público mais amplo.
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A seguir, saiba o que significa cada uma dessas denominações e quem são os famosos que se identificam com elas.
A digissexualidade descreve pessoas que desenvolvem relações afetivas ou de desejo mediadas por tecnologia — seja com inteligências artificiais, avatares, aplicativos ou recursos digitais. O termo ganhou força depois que a influenciadora Suellen Carey afirmou ter vivido uma relação emocional de três meses com o ChatGPT. Ela relatou que a experiência a fez repensar a própria sexualidade e entender que havia encontrado uma forma nova de se relacionar.
— Durante um tempo, vivi algo que nunca imaginei: uma relação emocional com uma inteligência artificial. Eu me descobri digissexual — disse ela ao explicar que a “conexão sem corpo” parecia preencher lacunas afetivas da vida real.
O caso reacendeu o debate sobre vínculos digitais, limites emocionais e a fronteira entre simulação e afeto. Apesar da polêmica, o relato transformou o termo em tema de conversas populares e trouxe o conceito para o centro das discussões sobre sexualidade.
A assexualidade descreve pessoas que não sentem atração sexual, ainda que possam ter vínculos afetivos, relacionamentos estáveis ou vida romântica. O tema ganhou nova visibilidade após o personagem Poliana, interpretado por Matheus Nachtergaele no remake de “Vale Tudo”, revelar não sentir desejo sexual e compreender, pela primeira vez, que essa ausência de atração faz parte de sua orientação.
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Fora da ficção, a orientação também foi apresentada ao público por figuras conhecidas. O consultor de moda Tim Gunn se declara assexual e já afirmou viver há décadas sem sentir interesse sexual por homens ou mulheres. O ex-BBB Victor Hugo também se identifica dessa forma e costuma abordar o tema nas redes, contribuindo para ampliar a compreensão sobre o espectro assexual.
A demissexualidade refere-se a quem só sente atração sexual após estabelecer conexão emocional profunda. Não se trata de timidez nem de moral conservadora, mas de uma estrutura de desejo: sem vínculo, não há impulso sexual.
A orientação se popularizou quando Iza e Giovanna Ewbank explicaram que só conseguem se envolver intimamente quando existe admiração ou laço afetivo. Em relato no podcast “Quem Pod, Pod”, Giovanna contou ter tido poucos parceiros antes do casamento porque precisava estabelecer conexão para sentir desejo. Iza reforçou a mesma percepção:
— Demorei para ver que não tinha nada a ver com o boy, tinha a ver comigo. Eu tenho que admirar muito.
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A sapiossexualidade descreve quem se sente atraído prioritariamente pela inteligência. A boa conversa, o repertório cultural e a capacidade de argumentação funcionam como gatilho de desejo mais forte que a aparência física.
Bela Gil ajudou a popularizar o termo ao afirmar que o intelecto pesa mais que padrões estéticos em sua vida afetiva.
— Eu me atraio por pessoas inteligentes, não necessariamente bonitas — disse ela no “Mil e uma tretas”.
Antes dela, Karol Conká e o produtor musical Mark Ronson já haviam se declarado sapiossexuais, reforçando que a orientação não está ligada ao gênero, mas ao estímulo intelectual.
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A pansexualidade inclui pessoas que se sentem atraídas independentemente de gênero, orientação ou identidade da outra pessoa. Não há preferência definida: homens, mulheres, pessoas não binárias ou trans podem ser igualmente objeto de desejo.
A influenciadora Bianca Andrade afirmou que descobriu ser pansexual ao refletir sobre relações passadas.
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A bissexualidade envolve atração por mais de um gênero, podendo incluir ou não pessoas não binárias. Embora antiga, a denominação voltou ao debate depois de depoimentos de artistas conhecidos.
Deborah Secco revelou ter vivido relações com mulheres e afirmou ser bissexual. Anitta também já declarou que sente atração por pessoas do mesmo sexo, mesmo sem ter mantido um relacionamento público com mulheres. Esses relatos reintroduziram o termo no vocabulário cotidiano e ajudaram a diferenciar bissexualidade de pansexualidade, frequentemente confundidas.
O arromanticismo descreve pessoas que não sentem interesse romântico ou não vivenciam relacionamentos de forma tradicional. Isso não significa ausência de afeto: indivíduos arromânticos podem ter vínculos estáveis, vida sexual ativa ou relações casuais, mas sem a dinâmica de romantização — declarações de amor, idealização, envolvimento emocional profundo.
O termo apareceu com força em debates sobre o espectro assexual, quando criadores de conteúdo passaram a explicar por que não se identificam com o modelo romântico convencional. Depoimentos relatam desconforto com demonstrações de afeto público, falta de interesse em namorar e ausência de “paixão” como elemento central da vida.
O gray-a — ou “área cinza” — designa quem não se identifica totalmente como assexual nem como alossexual. Essas pessoas podem sentir atração sexual raramente, de forma muito específica ou apenas em condições excepcionais.
A expressão ganhou visibilidade com relatos de pessoas que, embora raramente tenham desejo, não se reconhecem na assexualidade estrita. Muitos afirmam já ter sentido atração uma ou duas vezes na vida, ou apenas em situações particulares, o que os levou a adotar o termo gray-a para descrever essa experiência intermediária.
A ecossexualidade une afetividade e consciência ambiental. Pessoas que se identificam assim relatam sentir maior atração por parceiros que demonstram cuidado com o meio ambiente e adotam práticas sustentáveis.
O ator Sergio Marone ajudou a difundir o termo ao explicar que tende a se relacionar com pessoas que compartilham sua postura ecológica. Ele afirmou que atitudes que desrespeitam o meio ambiente o afastam imediatamente de um possível envolvimento.
— Poucas coisas me tiram mais tesão numa relação do que alguém que não recicla o próprio lixo — disse.

