Uma drag queen que transformou o palco em espaço de celebração e competição. Uma dramaturga, cientista social e antropóloga trans que dirige um espetáculo em homenagem às travestis que abriram caminhos. Um ator que volta a interpretar uma mulher trans perseguida pelo nazismo, 18 anos depois da montagem original. Em cartaz no Rio durante o Dia do Orgulho LGBTQIAPN+, celebrado neste domingo (28), a apresentadora Miami Pink, a dramaturga Renata Carvalho e o ator Edwin Luisi refletem sobre o significado da data e o papel da arte na luta por visibilidade, memória e pertencimento em entrevista ao GLOBO.
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No teatro, a diretora Renata Carvalho apresenta o “Cabaré traviarcado: uma ode às travestis”, espetáculo em cartaz no Teatro Gláucio Gill (sex a dom, às 22h; R$ 5; 18 anos; até dia 28) que homenageia pioneiras na cena brasileira, como Rogéria, Divina Valéria e Eloína dos Leopardos, com um elenco formado apenas por travestis. A idealização é de Rafael Raposo.
— Tenho orgulho de quem eu sou, lutei muito para ser eu mesma. Orgulho das minhas transcestrais que lutaram com muita garra, resistência e insistência pavimentando nossos caminhos. Quando uma travesti se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela. Tenho orgulho da história das travestis — defende Renata.
Além de atriz e dramaturga, Renata se define como uma “transpóloga” (“antropóloga trans”). Em 2019, ela estreou o elogiado monólogo “Manifesto Transpofágico”, no qual narra a história do corpo travesti, um sucesso de crítica e de público.
— Antigamente, pessoas trans e travestis não podiam andar nas ruas sem serem presas, entrar em teatros, andar de ônibus. Hoje, estamos ocupando as universidades, as artes, a política… A nossa história de luta e resistência pela vida é uma das coisas mais corajosas que conheço. Não podemos planejar o futuro sem conhecer nosso passado e nossa história. Somos o sonho de muitas gerações.
Para Miami Pink, drag queen e criadora do concurso Drag Star, que mensalmente ocupa o Teatro Rival Petrobras, no Centro, o orgulho nasce no instante em que a persona deixa de ser uma possibilidade privada e ganha o mundo.
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— Orgulho, para mim, é satisfação e realização. É poder ser quem eu sou, poder não me esconder. Celebrar a cultura drag e o orgulho através dela é muito importante. Quando me monto [como drag], mostro um pedacinho do meu coração. É algo que eu guardo comigo e que, quando me monto, estou abrindo para que todos possam ver o meu verdadeiro eu.
Neste domingo, Miami comanda ao lado de Ravena Creole uma edição especial de “Pride Show” no Dia do Orgulho, (Teatro Rival Petrobras; dia 28, às 20h; R$ 60; 18 anos) que reúne artistas de diferentes estilos, trajetórias e gerações.
Já Edwin Luisi encontra o tema do orgulho em uma história atravessada pela perseguição. Em cartaz com “Eu sou minha própria mulher”(Teatro Vannucci, Shopping da Gávea; sáb, às 20h30; dom, às 19h30; R$ 150; 14 anos; até dia 28), ele conta a história Charlotte von Mahlsdorf (1928-2002), mulher trans que enfrentou o nazismo e o regime comunista na Alemanha sem abrir mão da própria identidade. Esta é a segunda montagem do solo, dirigido por Herson Capri.
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— Há 18 anos, escolhi essa peça porque era um texto fascinante para um ator. Não pensava em pertencimento, identidade ou representatividade. Mas o mundo mudou. As discussões sobre liberdade de escolha e sobre o direito de ser quem se é se tornaram cada vez mais urgentes. Por isso, sinto que a peça tem muito mais a dizer hoje do que tinha quando a montei pela primeira vez.
Sozinho em cena, Edwin Luisi interpreta mais de 20 personagens que atravessam a vida de Charlotte. O espetáculo se consolidou como um marco na trajetória do ator, que acumula prêmios como Shell, Mambembe, APCA e APTR.
‘Cabaré traviarcado: uma ode às travestis’
- Onde: Teatro Gláucio Gill, Copacabana.
- Quando: Sex a dom, às 22h. Até domingo (28).
- Quanto: R$ 5
- Onde: Teatro Rival Petrobras, Centro.
- Quando: Dia 28, às 20h.
- Quanto: R$ 60.
‘Eu sou minha própria mulher’
- Onde: Teatro Vannucci, Shopping da Gávea.
- Quando: Sáb, às 20h30; dom, às 19h30. Até domingo (28).
- Quanto: R$ 150.

