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outubro 14, 2026
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Ataques russos atingem ‘infraestruturas críticas’ e deixam 600 mil sem energia na Ucrânia

Por · outubro 14, 2026
Ataques russos atingem ‘infraestruturas críticas’ e deixam 600 mil sem energia na Ucrânia


Pelo menos 600 mil pessoas ficaram sem eletricidade na Ucrânia nesta quarta-feira, após uma ofensiva russa com dezenas de mísseis e drones contra instalações energéticas do país. Os ataques, que deixaram três mortos e 25 feridos em Kiev, atingiram infraestruturas críticas na capital, em seus arredores e na região de Kharkiv, no nordeste, enquanto as temperaturas caíam para menos de 10°C. A ofensiva ocorreu apesar do anúncio feito no domingo pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de um cessar-fogo energético entre Moscou e Kiev, cuja existência foi posteriormente colocada em dúvida pelo próprio americano.
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O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, relatou na madrugada um “ataque maciço com mísseis balísticos” contra a capital, que atingiu instalações energéticas e provocou interrupções no fornecimento de eletricidade em toda a cidade. Um prédio residencial também foi atingido, e moradores enfrentaram cortes de água e energia. Segundo o primeiro-ministro ucraniano, Serhii Koretskyi, três usinas municipais e instalações ferroviárias estatais em cinco regiões do país foram atacadas.
A Força Aérea ucraniana informou que a Rússia lançou 39 mísseis balísticos e de cruzeiro e 128 drones durante a madrugada. Desse total, quatro mísseis e 115 drones foram abatidos. O Ministério da Defesa russo confirmou a realização de um “ataque maciço” e afirmou que suas forças atingiram seis usinas termelétricas e uma subestação que abasteciam Kiev e seus arredores, além da região de Kharkiv. Moscou disse, no entanto, que os alvos incluíam instalações de comunicação e energia utilizadas pelas Forças Armadas ucranianas.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, porém, acusou Moscou de atacar deliberadamente as instalações energéticas que deveriam estar protegidas pelo entendimento anunciado por Washington. No X, ele escreveu que “a Rússia teve como alvo justamente a infraestrutura abrangida pelo cessar-fogo anunciado pelo presidente americano”, e “o ataque foi inteiramente deliberado e demonstrativo em sua escala”.
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No domingo, Trump havia anunciado nas redes sociais que Rússia e Ucrânia concordaram com uma suspensão imediata dos ataques contra instalações energéticas: “Com efeito imediato, há um cessar-fogo energético na guerra entre Rússia e Ucrânia. Ambas as partes concordaram. Não o violem!”, escreveu. Um dia depois, no entanto, o presidente americano reconheceu que nenhum dos lados havia efetivamente assumido o compromisso.
Desde o anúncio, Zelensky afirmou repetidamente que a Ucrânia está disposta a suspender ataques contra refinarias de petróleo e outras instalações energéticas russas, desde que Moscou adote a mesma medida. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, por sua vez, declarou que Kiev não merece a “trégua” proporcionada por um cessar-fogo, argumentando que a suspensão das hostilidades permitiria que a Europa abastecesse a Ucrânia com novos armamentos.
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As tensões entre Washington e Kiev aumentaram desde que Trump anunciou, na semana passada, ter chegado a um acordo com o presidente russo, Vladimir Putin, para fornecer diesel aos mercados americano e internacional. A iniciativa foi apresentada como uma tentativa de conter a disparada dos preços dos combustíveis antes das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para o próximo mês.
Falhas nos alertas
Os bombardeios desta quarta-feira marcaram a segunda noite consecutiva de ataques russos com mísseis contra Kiev. Nas duas ocasiões, projéteis balísticos atingiram alvos na capital antes que as sirenes de alerta aéreo fossem acionadas. A Ucrânia depende de sistemas de satélites americanos para rastrear lançamentos russos, emitir avisos à população e tentar interceptar os mísseis antes que atinjam seus alvos.
Zelensky disse ter informado ao premier canadense, Mark Carney, que a Ucrânia não recebeu “nenhum aviso prévio de nossos parceiros” sobre os lançamentos de mísseis balísticos russos, pela segunda vez nesta semana. O ucraniano não apresentou detalhes sobre a falha. Na terça-feira, ele já havia denunciado a ausência de um alerta antecipado durante o que classificou como um ataque “particularmente vil” contra a capital.
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Posteriormente, o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha, afirmou que a cooperação de inteligência com os EUA continuava e atribuiu o atraso nos alertas ao “tipo especial de armamento utilizado pelo lado russo”. Trump também negou, na terça-feira, que Washington estivesse suspendendo o compartilhamento de informações com Kiev.
Restrições à Starlink
Em meio aos ataques, autoridades ucranianas também relataram dificuldades nas operações militares provocadas por restrições à velocidade de conexão dos terminais Starlink, sistema de comunicação via satélite da empresa SpaceX, de Elon Musk. O assessor militar de Zelensky, Serhii Beskrestnov, conhecido pelo codinome Flash, afirmou que a companhia implementou durante a madrugada um limite de velocidade de 160 km/h nos terminais, afetando o chamado StarShield, pacote de serviços militares da empresa.
“Nossas forças de defesa não receberam nenhum aviso sobre essa restrição, o que levou à interrupção de diversas missões. Está claro que essa medida não pode ser uma coincidência e está relacionada à atual situação política”, disse ele em uma publicação no Facebook.
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Em outra manifestação, o assessor ressaltou que a Starlink é a ferramenta mais eficaz para permitir que sistemas interceptadores derrubem os drones russos de propulsão a jato desenvolvidos recentemente. O sistema tornou-se essencial para fornecer acesso à internet às tropas ucranianas e permitir o controle de drones enviados contra alvos russos. Em fevereiro, uma decisão de Musk de impedir o acesso das forças russas à rede dificultou o avanço de Moscou e provocou confusão entre comandantes militares do país.
Zelensky também afirmou que os Estados Unidos ameaçaram restringir o compartilhamento de informações de inteligência caso a Ucrânia não aderisse ao cessar-fogo proposto por Trump. O americano negou que Washington estivesse retendo essas informações. No ano passado, os EUA suspenderam temporariamente o compartilhamento de informações com Kiev depois de um confronto público entre Trump e Zelensky no Salão Oval.
Do lado russo, o Ministério da Defesa afirmou ter abatido 902 drones ucranianos durante a madrugada em diferentes regiões do país, incluindo Moscou e a Crimeia, península ucraniana anexada pela Rússia em 2014. O Sberbank, maior banco russo e controlado pelo Estado, informou que seu centro de processamento de dados em Balakovo, na região de Saratov, foi alvo de um ataque com drones. Segundo o primeiro vice-presidente da instituição, Alexander Vedyakhin, todos os sistemas e serviços continuavam funcionando normalmente.
(Com Bloomberg)

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