Reconhecido internacionalmente com uma estrela Michelin, condecoração perseguida por todo grande restaurante, o Mee, do Copacabana Palace, até que é “civilizado” para os padrões de Odete Roitman, vilã interpretada por Débora Bloch na versão 2025 de “Vale tudo”, da TV Globo.
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É nesse lugar que se desenrolaram as cenas que o GLOBO acompanhou na semana passada, algo que o jornal fez com frequência durante sua história e a da TV no Brasil. Por cerca de oito horas, além de um almoço com Celina (Malu Galli), no qual Odete faz o tal comentário ácido sobre o local e que está previsto para ir ao ar no dia 4 de agosto, foi registrado também um importante encontro dela com Mário Sérgio (Thomás Aquino), que deve ir ao ar no dia seguinte. Antes de o clima entre os dois esquentar e culminar num beijo, Odete confessa que quer “destruir em larga escala a reputação da Paladar”. Mário Sérgio dá a ideia de “calúnia”, “plantar a informação de que está vendendo comida estragada”. É o início dos planos de uma das tramas mais lembradas da original de 1988, de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères: o envenenamento da maionese dos restaurantes de Raquel.
A receita que vai ao ar agora, porém, está diferente. Em 2025, os planos de Odete azedam por causa de um apagão. O Rio tem uma pane sem precedentes, como aconteceu em Portugal e na Espanha no dia 28 de abril, desligando telefones, internet, sinais de trânsito, serviços de trens, metrô e avião.
—Desde que comecei a pensar o remake, me preocupava com esse fator de incomunicabilidade de que o evento da maionese precisava — diz ao GLOBO a autora Manuela Dias sobre os capítulos que começam a ir ao ar no dia 9 de agosto. — Quando aconteceu o apagão na Espanha e em Portugal, uma coisa quase inimaginável para os nossos tempos, pensei: “É isso!”
Outra novidade é a forma como Celina fica sabendo do envenenamento da maionese. Se na primeira versão ela é avisada pelo motorista Jarbas (Stepan Nercessian), agora é a própria Odete quem conta à irmã sobre o boicote.
Celina, por sinal, mantém-se como ingrediente indispensável na força-tarefa de evitar a contaminação dos clientes. A clássica frase “Ninguém come essa maionese de jeito nenhum”, dita aos berros no passado por Nathalia Timberg quando interrompia um almoço, também está prevista nas falas de Malu Galli.
Walter (na novela original João Bourbonnais, e no remake Leandro Lima, que também gravou com Débora Bloch no hotel) é quem se infiltra na Paladar para executar o plano. Fica a cargo de Lucimar (Maria Gladys em 1988 e Ingrid Gaigher em 2025) provar o prato “batizado” antes de ele ser despachado para os restaurantes.
Para a pesquisadora Ana Paula Gonçalves, autora do livro “O Brasil mostra a sua cara: Vale Tudo, a telenovela que escancarou a elite e a corrupção brasileira” (Editora Autografia), a manutenção do “maionesegate”, como a trama é chamada nas redes pelos fãs, é um jeito de agradar a audiência saudosa.
—Manter esta história em 2025 é uma forma de acarinhar o público da primeira versão, que fica ansiando pela reprodução, nos nossos tempos, de uma cena com valor afetivo — diz Ana.
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Se o apagão foi necessário para trazer a novela ao hiperconectado século XXI, a entrada de Mário Sérgio na falcatrua faz parte do tempero pessoal da autora. O personagem interpretado por Thomás é o oposto do vivido por Marcos Palmeira nos anos 1980. Este era jornalista íntegro, apaixonado por Solange (na época, Lídia Brondi), alguém que dava lições de cidadania nas reuniões de pauta da revista em que trabalhou durante toda a novela. Agora, não: depois de demitido da agência de conteúdo que a Tomorrow se transformou, virou funcionário da TCA, despertando ciúme no capacho Freitas (Luis Lobianco) por sua relação com o chefe Marco Aurélio (Alexandre Nero).
—Senti que Mário Sérgio cumpriu o papel dele na Tomorrow e que poderia jogar mais com a elasticidade que o Thomás oferece — diz Manuela, que sempre desejou escrever para o pernambucano de Recife. — Foi maravilhoso trazê-lo para a TCA e criar esse triângulo com Nero e Lobianco.
No ar também em “Guerreiros do sol”, do Globoplay, Thomás comemora a moral elástica do personagem.
—De 0 a 10 de vilania, acho que Mário Sérgio, pelas loucuras, é um 9.8 — diz o ator. —É uma pessoa muito flexível e talvez tenha um 0.2 de redenção (risos).
Tal nota agrada a vilã Odete Roitman.
— Mário Sérgio é bem direto, ele entra na sala da Odete dizendo a que veio e ela não gosta de romantismo — diz Débora Bloch, a atriz com mais cenas no dia da visita do GLOBO: chegou ao hotel no meio da manhã e saiu no início da noite, dando de cara com cerca de 30 pessoas que a esperavam na porta do Copacabana Palace.