“Ninguém nos olha, eu gosto, é a liberdade!”, afirma Nathalie, enquanto esquece por algumas horas suas obrigações familiares e profissionais em um das festas apenas para mulheres que, sob o conceito “Mamãe vai dançar”, ganham popularidade na França. São 19h30 de uma terça-feira em Paris, mas a pista de dança da Raspoutine, perto da Champs-Élysées, está cheia e seguirá assim até 22h. É dia de “Festa das Divas” na boate, onde dezenas de mulheres dançam ao ritmo de antigos hits da discoteca.
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Os únicos homens no local são os garçons e um animador contratado para lançar coreografias e “animar aquelas que não se atrevem a dançar”.
— É um conceito afterwork, das sete às dez da noite, exclusivamente para mulheres, voltado principalmente para mães, mas não só — disse a promotora de eventos Constance d’Amecourt, que organiza as festas com duas amigas.
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Ela disse que a festa era “para aquelas que querem relaxar depois de um dia de trabalho ou da correria depois da escola, do dever de casa, do banho e do jantar com seus filhos”. Seu sucesso imediato significou que a próxima noite do evento acontecerá em um local muito maior.
O conceito ganhou destaque nos últimos anos, particularmente na Alemanha com eventos como “Mama Geht Tanzen” (“Mãe Vai Dançar”) ou “Mães Que Vão a Raves” no Reino Unido. Mais tarde, surgiram versões em várias cidades da França por iniciativa de jovens mulheres.
Os 260 ingressos para a segunda “Festa das Divas” na capital, celebrada em março, esgotaram em cinco dias. As participantes, em sua maioria entre 30 e 60 anos, chegam depois do trabalho e muitas vão em grupo.
— Nos conhecemos fazendo kite surf e nos vemos duas vezes por mês, em restaurantes ou aulas de dança. Essa é mais uma atividade — explica uma médica.
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Flore, que trabalha com recursos humanos e é mãe de quatro crianças de entre 3 e 9 anos, chega com cinco amigas. Em casa “a atmosfera é complicada nesse momento, é bom se distrair, é uma bolha de alegria”, diz Martine, de 71 anos, cujo marido “não gosta de dançar”.
— Meu marido me mostrou um documentário sobre essas festas na Alemanha, liguei para pessoas do mundo dos eventos, mencionei o assunto ao meu redor e disse: ‘Vale a pena tentar!’ — explica uma das organizadoras, Lucie de Gourcuff, que pretende realizar duas “Festa das Divas” em Paris todos os meses.
A terceira está prevista para 8 de abril em uma boate que pode receber o dobro de pessoas. Por que sem homens?
— Com a presença de homens, as mulheres prestam mais atenção em sua fisionomia, se perguntam o que vão pensar delas ou estão no modo de sedução. Aqui nos libertamos — confessa Isaure, mãe de duas crianças de 5 e 7 anos.
Kelly Forêt, de 32 anos, que trabalha no setor imobiliário e lançou as festas “Mamãe e suas amigas” na cidade de Nantes, no oeste da França, diz que algumas mulheres preferem “não serem incomodadas pelo gênero masculino, que pode ser um pouco insistente nas festas”.
— Quando saio, não solto meu copo por medo de que ponham algo. Aqui nos sentimos seguras — destaca ela.
Os copos são deixados sobre as mesas sem supervisão. No bar, servem champanhe sem álcool, vinho rosé e refrigerantes. A entrada das “Festas das Divas”, por 45 euros (R$ 281), inclui bebidas e um bufê composto por salmão, frutas, tomates-cereja e bolos.
São 22h e a boate começa a fechar.
— Tenho a sensação de que já são duas da manhã — diz Indre, mãe de duas crianças, de 1 e 5 anos. — Mas não estamos bêbadas nem cansadas. Às onze estarei na cama e amanhã pronta, às sete, para o café da manhã das crianças — complementa Elisabeth, com um sorriso no rosto.

