A temporada de migração das baleias-jubarte, a caminho do Banco dos Abrolhos, no sul da Bahia, segue proporcionando cenas marcantes nas águas de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. Dessa vez, os pesados mamíferos foram avistados nadando lado a lado com dezenas de golfinhos nariz de garrafa, na manhã desta terça-feira, a cerca de 500 metros da Ilha do Farol.
Vindas da gelada Antártica, as baleias tem as águas quentes de Abrolhos, no Nordeste do país, como principal área de reprodução da espécie. A passagem desses animais por águas fluminense deve se estender até o próximo mês.
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Baleias-jubarte nadam lado a lado com centenas de golfinhos
Desde junho, somente a partir do mirante Pontal do Atalaia foram avistados 350 animais. No ponto fixo de observação, pesquisadores e voluntários fazem as contagens por binóculo às terças, quintas e sábados. O monitoramento é realizado pela equipe da Fundação de Meio Ambiente e Tecnologia de Arraial do Cabo (FUNTEC).
Com o apoio diário dos drones do projeto, existe estimativa de mais animais serem vistos na região. Foi com um equipamento assim que ocorreu um registro de duas baleias lado a lado com golfinhos, feito pelos pilotos Rafael Pacheco e Ari Kaye.
— Estávamos com pouca bateria no drone, no mirante do Francês, quando fomos surpreendidos por um estardalhaço no mar. Quando vimos, era um verdadeiro ballet em alto mar — compartilhou Rafael, piloto que registra imagens de migração das jubarte há quatro anos.
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Embora possa ser surpreendente, especialistas apontam que o fenômeno não é raro. Segundo o oceanógrafo Douglas Nemes, é normal vermos mamíferos interagindo uns com os outros nas águas de Arraial do Cabo. Como as baleias estão em rota migratória, é como se os golfinhos “estivessem dando um oi” afirma.
José Lailson, da UERJ, também afirma que o fenômeno é comum nas águas fluminenses. De acordo com ele, uma das razões para isto acontecer está no golfinho nariz de garrafa.
— Mesmo atingindo os três metros e os 200 quilos, esses golfinhos são muito sociáveis. Interagem com embarcações e outros animais, incluindo as baleias-jubarte — explica José.
Avistamentos como esses têm firmado Arraial do Cabo como rota migratória da espécie. O turismo náutico tem crescido, mas é necessário ter cuidados. Entre eles, o público que quiser viver essa experiência deve procurar por embarcações autorizadas por órgãos competentes, como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), capacitadas para seguirem as regras para esse tipo de observação, garantindo a segurança das baleias e dos passageiros embarcados.