A ONU fez um alerta nesta terça-feira para o crescente número de palestinos que foram forçados a saírem de suas casas na Cisjordânia, e afirmou que desde 1967, quando Israel ocupou o território, não se via uma situação tão grave como a atual. Além dos deslocamentos forçados, as Nações Unidas apontam para o aumento da violência contra civis, em atos atribuídos a militares e a colonos israelenses.
Segundo Thamim al-Khitan, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, desde janeiro, quando Israel lançou a operação Muro de Ferro na Cisjordânia, cerca de 30 mil pessoas foram expulsas de casa — ele afirma que “as forças israelenses dispararam munição real contra palestinos desarmados, incluindo aqueles que tentavam voltar para suas casas nos campos de refugiados de Jenin, Tulkarem e Nur Shams”.
Al-Khitan aponta ainda para o aumento do número de destruições de casas em várias cidades, vilas e campos de refugiados: desde janeiro, 1,4 mil ordens de demolição foram emitidas por Israel.
“Essas demolições em larga escala, se não forem tornadas absolutamente necessárias por operações militares, violam as obrigações de Israel como potência ocupante”, disse al-Khitan, em comunicado. “O deslocamento permanente da população civil dentro de territórios ocupados equivale a uma transferência ilegal, uma grave violação da Quarta Convenção de Genebra e, dependendo das circunstâncias, pode também ser considerado um crime contra a humanidade.”
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Em declarações à imprensa, a porta-voz da agência da ONU para os refugiados palestinos (Unrwa), Juliette Touma, afirmou que a ofensiva israelense na Cisjordânia é “a mais longa desde a Segunda Intifada”, se referindo ao levante realizado no início do século.
— Ela afeta vários campos de refugiados na região e provoca o maior deslocamento de população palestina na Cisjordânia desde 1967 — afirmou, se referindo ao ano em que Israel anexou o território, em meio à Guerra dos Seis Dias.
Além dos deslocamentos forçados, al-Khitan destacou o aumento da violência contra a população palestina na Cisjordânia, acusando as forças de segurança israelenses e os colonos de assentamentos judaicos, considerados ilegais pela lei internacional.
“Em junho, a ONU registrou o maior número mensal de palestinos feridos em mais de duas décadas. No total, 96 palestinos foram feridos por colonos israelenses”, afirma o porta-voz. “Durante o primeiro semestre de 2025, houve 757 ataques de colonos que resultaram em vítimas palestinas ou danos materiais, um aumento de 13% em relação ao mesmo período de 2024.”
Desde os ataques do grupo terrorista Hamas — que não controla a Cisjordânia — contra Israel, em outubro de 2023, e do início da guerra na Faixa de Gaza, 964 palestinos foram mortos por militares israelenses e colonos no território. No ano passado, o governo do então presidente americano Joe Biden, em um raro gesto, aplicou sanções contra alguns dos colonos, citando o aumento da violência, medida que foi revertida pelo atual líder dos EUA, Donald Trump.
Em um dos mais recentes ataques envolvendo os colonos judeus, Sayfollah Musallet, um cidadão americano de 21 anos, foi morto na semana passada ao tentar proteger a fazenda de sua família nos arredores de Ramallah. Em entrevista coletiva no estado americano da Flórida, na segunda-feira, a família dele fez cobranças à Casa Branca.
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— Alguém precisa ser responsabilizado — disse o tio de Musallet, Hasem, acusando o governo americano de agir com indiferença diante da morte de um de seus cidadãos.
O Exército de Israel afirma que “pedras foram arremessadas” contra israelenses pelos palestinos, e que “um violento confronto” teve início, sem dar detalhes, prometendo iniciar uma investigação sobre o caso. O embaixador americano em Israel, MIke Huckabee, pediu que o incidente seja investigado “de maneira agressiva”, e o líder da minoria democrata na Câmara dos EUA, Hakeem Jeffries, exigiu que os responsáveis sejam punidos.
“O governo Trump não pode continuar a ignorar o que está acontecendo na Cisjordânia se estiver realmente comprometido em encontrar uma paz justa e duradoura entre Israel e o povo palestino”, disse em comunicado. “o aumento da violência dos colonos israelenses na Cisjordânia contra civis palestinos é completa e totalmente inaceitável.”
Desde 2022, nove cidadãos americanos morreram na Cisjordânia, incluindo a jornalista Shireen Abu Akleh — segundo a rede catariana al-Jazeera, para a qual Abu Akleh trabalhava, nenhum dos casos resultou em condenações.
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Na Faixa de Gaza, onde negociadores tentam quebrar resistências de lado a lado em busca de um cessar-fogo, autoridades locais afirmaram que 93 pessoas morreram e mais de 270 ficaram feridas em ataques israelenses nesta terça-feira.
Um dos ataques mais violentos, relatados por representantes do Hospital al-Shifa, ocorreu na Cidade de Gaza, matando 19 membros de uma mesma família, incluindo oito mulheres e seis crianças. Nos arredores do campo de al-Shati, no norte, foram relatadas nove mortes, incluindo a de Mohammad Faraj al-Ghoul, integrante do núcleo político e que tinha desempenhado funções no governo do Hamas.
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Segundo a rede al-Jazeera, 30 pessoas ficaram feridas nos arredores de um centro de distribuição de ajuda em Rafah, no sul do enclave — os centros, administrados por uma organização apoiada pelos EUA e Israel, são cenários recorrentes de massacres de civis desesperados por qualquer tipo de alimento ou insumo disponível. Números da ONU afirmam que desde meados de maio, 900 palestinos morreram perto desses locais.
Desde outubro de 2023, quase 59 mil palestinos, na maioria civis, morreram em Gaza, segundo dados do Ministério da Saúde liderado pelo Hamas, considerados confiáveis pela ONU.