Um dos veículos usados no atentado contra o bicheiro Vinicius Drumond, no último dia 11, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, de onde partiram mais de 30 disparos de fuzil que atingiram um Porsche blindado dirigido pelo contraventor, havia sido roubado há cerca de um ano e rodava com placas clonadas. Foi o que apontou o resultado preliminar de uma perícia feita no automóvel, na Delegacia de Homicídios da Capital(DHC), unidade encarregada de apurar a tentativa de assassinato. Apontado como um dos integrantes da nova cúpula do jogo do bicho, Drumond teve apenas ferimentos leves e sobreviveu ao ataque.
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O carro utilizado pelos criminosos responsáveis pelos disparos contra o contraventor, um Honda HR-V, preto, e blindado, tinha seteiras nos vidros, ou seja, buracos por onde passaram os canos de fuzis. O veículo foi abandonado pelos bandidos logo após o crime, em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio. Logo depois, eles sequestraram a proprietária de um carro e a obrigaram a transportá-los até Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde a vítima foi liberada. Além do HR-V, a investigação da DHC sobre o atentado revelou que outros quatro automóveis foram usados durante o planejamento e o ataque contra Drumond. São eles: um HB20 branco, que dava cobertura aos atiradores, um T-Cross, um Toyota RAV4 e um Nivus.
Desespero de motoristas no momento do ataque a Vinicius Drumond
Até agora, quatro pessoas suspeitas de participação no crime foram identificadas. Duas já estão presas. São elas o ex-PM Deivyd Bruno Nogueira Vieira, o Piloto, e o sargento PM Luiz César da Cunha, lotado no 15ºBPM(Duque de Caxias). Adriano de Carvalho de Araújo e Rafael Ferreira da Silva, o Cachoeira, apontados como integrantes do grupo que participou do atentado, também tiveram as respectivas prisões decretadas e já são considerados foragidos.
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A polícia apura a ligação dos suspeitos com o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. Cachoeira foi preso em 2022 por participar do sequestro de uma mulher, em Nilópolis. A vítima era parente de um homem que atuava no comércio de cigarros ilegais — negócio dominado por Adilsinho. Cachoeira também é citado num funk criado por integrantes da quadrilha de Adilsinho para comemorar o homicídio de Marquinhos Catiri, miliciano que era rival do bicheiro.
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Nesta quinta-feira, policiais da DHC, com apoio de agentes da 33ªDP (Realengo), realizaram uma operação em endereços ligados aos suspeitos que estão foragidos. Um dos locais seria um sítio localizado em Imbariê, Duque de Caxias, onde um mandado de busca e apreensão foi cumprido. A polícia não revelou se houve apreensões durante a ação.
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Adilsinho e Vinicius eram aliados, mas já vinham se desentendendo desde meados de 2024. Vinicius não teria aceitado a saída de Manuel Agostinho Rodrigues Miranda — ex-braço direito de seu pai e responsável pela gestão dos bingos da família — para o lado de Adilsinho. O funcionário alegou que se aposentaria, o que não era verdade. Em setembro daquele ano, Agostinho foi assassinado em Del Castilho, na Zona Norte, num carro blindado. Os criminosos dispararam, pelo menos, 38 tiros em direção à porta do motorista. O impacto foi tão violento que a maçaneta foi arrancada, o que permitiu a entrada das balas no veículo. Os investigadores da DHC têm como principal linha de investigação o envolvimento de Vinicius no homicídio.
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Adilsinho, por sua vez, não teria deixado o caso passar em branco. A polícia investiga o homicídio do ex-PM André da Silva Aleixo, segurança de Vinicius, no mês seguinte, como um possível acerto de contas.
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Vinícius Drumond teve o Porsche Taycan Turbo blindado que dirigia no último dia 11 atingido por mais de 30 tiros numa das vias mais movimentadas da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. O atentado aconteceu por volta das 11h, na Avenida das Américas, nas proximidades do VillageMall. Os bandidos emparelharam um veículo ao lado do Porsche e dispararam tiros de fuzil. Apesar dos disparos, Vinícius foi ferido apenas por estilhaços.
De acordo com as investigações, os automóveis envolvidos na ação criminosa seguiram pela Avenida das Américas e acessaram a Avenida Lúcio Costa, a partir de onde passaram a traçar caminhos distintos. O carro de onde partiram os tiros foi encontrado no bairro de Guaratiba, abandonado, com um dos pneus estourado, enquanto o outro foi para o município de Duque de Caxias.
Segundo a Polícia, após abandonarem o automóvel em Guaratiba, seus ocupantes, todos portando armas longas e balaclavas, abordaram a proprietária de outro veículo e a obrigaram a transportá-los até Nova Iguaçu, às margens da Rodovia Presidente Dutra. Lá, eles foram “resgatados” por outro integrante da organização criminosa.
“A investigação demonstrou que os autores iniciaram a empreitada criminosa em Duque de Caxias e para lá retornaram, percorrendo uma distância superior a 60 quilômetros. Houve a arrecadação e análise de diversas imagens de câmeras de segurança, que permitiram demonstrar, até o momento, que os envolvidos monitoraram a vítima nos dias que antecederam à ação, e permitiram, também, refazer todo o percurso dos veículos antes e após o crime. Identificou-se, ainda, que dois dos indivíduos alvos da ação deste sábado fazem parte de uma organização criminosa atuante em Caxias, sendo ambos investigados também pela participação na execução do advogado Rodrigo Marinho Crespo, ocorrida em fevereiro de 2024, no Centro do Rio. As diligências seguem para localizar e capturar todos os suspeitos identificados. Contra eles, há mandados de prisão preventiva”, diz uma nota da Polícia Civil sobre o caso.