Nas últimas semanas, a Fifa visitou diversos centros de treinamento pensando na organização da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. Porém, o Flamengo não liberou o Ninho do Urubu para a ocasião. Neste domingo, o presidente Luiz Eduardo Baptista explicou que o clube não entende que deva parar as atividades por conta do torneio, e apontou outras ações feitas em paralelo.
Em pequena coletiva concedida no Maracanã, antes do jogo do Brasileirão contra o São Paulo, Bap disse que a estrutura do CT está totalmente voltada para o clube, e que há projetos direcionados para o futebol feminino.
— Não é uma obrigação. A gente não entende que devamos parar. Trouxemos todas as atividades que nós tínhamos nas categorias de base para dentro do CT. O Flamengo tinha vários campos, mas treinava fora, não usava a infraestrutura que tinha. Trouxemos todos esses caras para dentro. Agora, nós temos feito um planejamento entre os campos que temos. Até meados do ano que vem, a gente deve ter um miniestádio para 4.500 pessoas. Vai poder ter jogo do futebol feminino. Nós temos um problema de capacitação na Gávea. Aquela arquibancada é condenada, então você não pode botar mais do que 800 pessoas. Só os sócios usam isso tudo. Para algumas fases de campeonato, você tem que ter mais do que 4 mil assentos. Vai ter no CT. Então, tem muita coisa acontecendo no CT e o investimento é para o Flamengo. Nós não temos nada a ver com a Copa do Mundo de futebol feminino — declarou Bap.
Principalmente, Bap mostrou incômodo com o fato de que o calendário do futebol masculino será paralisado para a realização da Copa feminina.
— O que seria eventual está começando a acontecer todos os anos. Esse ano, foi Copa do Mundo (masculina). Ano que vem é Copa do Mundo de futebol feminino. Eu entendo que não deveria paralisar o futebol (masculino), mas aparentemente vai paralisar. Então, o nosso está cada vez mais povoado pelas nossas atividades, e não faz sentido sair da nossa casa por conta de um evento extemporâneo que vem, e é episódico — ressaltou o presidente do Flamengo.
Treino do Flamengo no Ninho do Urubu
Gilvan de Souza/Flamengo
O dirigente ainda mostrou preocupação com receitas perdidas com a paralisação, e usou o exemplo da Copa masculina deste ano.
— Aliás, é um desafio, porque nós vamos parar o futebol masculino por causa do feminino. Agora (na Copa do Mundo masculina), foram mais de 70 dias sem receitas. Isso maltrata a gente. Continuamos tendo que pagar salários, (direitos de) imagem, leis sociais… sem ter outras receitas. Então, esse tipo de evento que se sobrepõe ao calendário local tira datas de você, espreme mais o calendário, e te força a ter pressões financeiras que você não teria em um ano convencional.

