O presidente argentino, Javier Milei, em plena tensão no fim de semana com autoridades brasileiras, acusou, neste domingo (26), os governos do Brasil e do México, além do Partido Democrata dos Estados Unidos de financiar uma “campanha anti-Argentina”.
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As declarações foram uma aparente alusão às críticas dirigidas contra o país e sua seleção, à margem da Copa do Mundo de futebol.
—Quem pôs mais dinheiro nesta campanha anti-Argentina… O governo do Brasil. Vinte e cinco por cento dos recursos saíram do governo do Brasil — afirmou Milei, em entrevista à rádio local Mitre, sem apresentar provas. — E depois vêm me falar de ingerência.
Além disso, Milei acrescentou que esta campanha também foi “financiada pelo México e pelo Partido Democrata dos EUA”, que, segundo o argentino, “são as cabeças progressistas que não querem que as ideias da liberdade funcionem”.
Sem fornecer mais dados para respaldar suas acusações, o presidente argentino disse que os supostos ataques ocorriam porque “se a economia progride e o povo está melhor, têm um problema enorme”.
Milei também acentuou as críticas contra o país vizinho após a negativa que recebeu da justiça brasileira ao seu pedido para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), preso por tentar um golpe de Estado em 2022.
— Não me deixaram visitar meu amigo — reclamou Milei, que classificou a prisão do brasileiro como injusta.
No sábado, o presidente argentino foi figura central da convenção do Partido Liberal, em São Paulo, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, às eleições presidenciais de outubro.
Durante o ato, o ultraliberal se referiu a Lula como “presidiário” e “ladrão” e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes como “lixo careca”, sem mencioná-los diretamente.
Em resposta, o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, “foi chamado para consultas (…) em razão das ofensas proferidas” por Milei, informou à AFP um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores brasileiro a respeito desta medida diplomática que um Estado aciona quando considera a relação bilateral afetada.
Em um dos momentos mais tensos nas relações dos dois países vizinhos, sócios do Mercosul, Milei também mencionou a suposta colaboração do governo Lula para apoiar a oposição na passada campanha eleitoral na Argentina.
— Tinha um vizinho que se metia na política da Argentina para tentar distorcer a história a favor dos esquerdistas de merda — disse Milei no sábado, outra vez sem nomear o presidente brasileiro.

