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outubro 11, 2026
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Barra da Tijuca é o bairro do Rio onde comércio e serviços mais cresceram no pós-pandemia; movimento revela novos hábitos de consumo

Por · outubro 11, 2026
Novo Centro Médico Samaritano Barra, com foco em oncologia e tratamentos de alta complexidade, é inaugurado


A Barra da Tijuca é o bairro onde os setores de comércio e serviços mais cresceram em números absolutos nos últimos anos na cidade, revelam dados oficiais. Depois da pandemia, novos negócios surgiram às centenas, em diferentes pontos da Zona Sudoeste, com áreas como saúde, gastronomia e comunicação puxando o aumento da oferta e empresas de diferentes tamanhos abrindo as portas. O que os números não revelam de pronto mas moradores e frequentadores percebem no dia a dia é que o crescimento foi movido por uma nova forma de consumir, e, ao mesmo tempo, ajuda a moldá-la: o cliente quer ter tudo perto de casa.
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Números do Data.Rio, portal oficial de dados abertos da Prefeitura do Rio, mostram a dimensão desse movimento. Entre 2022 e 2025, a Barra da Tijuca registrou 15.978 aberturas de novos estabelecimentos, mais do que qualquer outro bairro do município. Passou de 3.823 novos estabelecimentos, em 2022, para 4.303 em 2025. Deixou para trás localidades historicamente importantes do ponto de vista comercial, como Tijuca, Copacabana e Campo Grande.
Para Delair Dumbrosck, presidente da Câmara Comunitária da Barra da Tijuca (CCBT), a informação oficial não surpreende. Ele diz que os moradores notam o crescimento das opções de comércio e serviços em sua rotina e afirma que o bairro passou a concentrar atividades profissionais que eles antes precisavam buscar em outras regiões. Agora, diz, o fluxo se inverteu.
— Quando cheguei à Barra, em 1978, médicos, advogados e outros tipos de profissionais trabalhavam no Centro e na Zona Sul. Hoje, os moradores de outros bairros vêm aqui buscar esses atendimentos — afirma Dumbrosck, comparando o boom comercial atual com o ocorrido nos idos dos anos 1980, no momento em que o bairro começava a se adensar. — Esse crescimento de agora lembra o daquela época.
Novo Centro Médico Samaritano Barra, na Barra da Tijuca, reúne mais de 50 especialidades e serviços de alta complexidade.
Divulgação/Rede Américas
A expansão da rede hospitalar — com a inauguração, por exemplo, do novo Centro Médico Samaritano Barra, em agosto, e do novo prédio do Barra D’Or, no ano passado — e a chegada de mais shoppings e supermercados também foram significativas, segundo Dumbrosck. O que aumentou a oferta de empregos local.
Segundo levantamento da Secretaria municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE), com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego, de 2022 para 2025 os vínculos de emprego cresceram de 184,4 mil para 246,2 mil na região, o que corresponde a um acréscimo de 61,9mil postos de trabalho. O resultado é maior do que a taxa média do município, que registrou crescimento de 12% nos empregos no período.
Essa expansão combina empresas de tamanhos diferentes. As microempresas — aquelas com receita de até R$ 360 mil, na definição do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES)— passaram de 10,8 mil para 12,9 mil e responderam por cerca de 80% do aumento no número de estabelecimentos. Já as grandes empresas — com receita maior do que R$ 300 milhões — cresceram 37,9% em número de estabelecimentos e 57,3% em vínculos, gerando 44,5 mil empregos — aproximadamente 72% do crescimento total dos postos de trabalho.
O salão de beleza Walter’s Coiffeur acompanha essa mudança no bairro há quatro décadas. Sua primeira unidade na Barra foi aberta em 1985, no BarraShopping. Hoje, quatro das suas 15 lojas estão na região e representam 36% do faturamento da rede. Com números tão positivos, a empresa pretende abrir uma quinta unidade na área, possivelmente no entorno do condomínio Rivieri dei Fiori.
Para Walter Filho, CEO da empresa e morador do bairro, a Barra se tornou um mercado especial por reunir crescimento populacional, novos empreendimentos imobiliários, elevado poder de compra e espaço para expansão. Mas ele percebe uma transformação ainda mais cotidiana no comportamento dos moradores.
— As pessoas estão cada vez mais nos seus minibairros. Quem mora no Jardim Oceânico fica por ali; quem mora mais para o meio da Barra fica em outro canto; o pessoal do Península, em outro lugar; e assim vão sendo formadas ilhas dentro do bairro — observa.
Para Walter, a dimensão da região e a dificuldade de deslocamento fizeram com que diferentes áreas passassem a desenvolver sua própria oferta de serviços. Os dados da SMDE mostram que o aumento é o mesmo observado em uma ampla gama de negócios. Entre 2022 e 2025, saúde e serviços sociais acrescentaram 10,1 mil vínculos de empregos na Barra. Atividades administrativas e serviços complementares ganharam 9,5 mil; informação e comunicação, 8,6 mil; e transporte, armazenagem e correio, 7,1 mil. Na área profissional, científica e técnica, os estabelecimentos cresceram 37,8%, e os empregos passaram de 7,6 mil para 13,6 mil.
Investimento que compensa
Trattoria do complexo Forno Paradiso, recém-inaugurado no BarraShopping
Divulgação/Rodrigo Azevedo
A efervescência comercial da região é facilmente observada na gastronomia, com exemplos como a inauguração, este mês, do Balcão Margot, nova casa do grupo Pulse, liderado por Fabio e Eduarda Dupin, que em setembro haviam inaugurado o complexo Forno Paradiso, também no BarraShopping.
Cláudio Gandelman, sócio do Mare Mare Pane e Vino, também acaba de aportar na Barra. Ele conta que avaliou o potencial de diferentes regiões da cidade antes de escolher o bairro da Zona Sudoeste para a expansão da empresa, original da Zona Sul. A unidade, instalada no Rio Design Barra, é cercada por condomínios e casas e atende também, por delivery, moradores da Península, do Recreio e de parte de Jacarepaguá.
Com a loja inaugurada há cerca de dois meses, Gandelman colhe as primeiras estatísticas. O consumo presencial continua sendo o carro-chefe e representa mais de 70% do negócio, mas o delivery cresceu rapidamente de um mês para o outro. O empresário diz que o consumidor local revela uma alta exigência. Mas sua percepção, diz ele, é que diferentes áreas da Barra podem apresentar perfis de consumo próprios, o que abre espaço para formatos e negócios distintos.
— Na Barra existe uma exigência maior do que em outras praças, como a Zona Sul. Por exemplo, nossa loja trabalha com balcão, então, o cliente precisa pegar a própria comida. Aqui, temos muitos que ainda desejam o atendimento na mesa. No Leblon isso não é uma questão — observa. — Ao mesmo tempo, temos na Barra consumidores que vão da classe A até a classe C. É um mercado muito interessante.
Outra diferença é no chamado tíquete médio, diz ele: no Leblon, um dos metros quadrados mais caros do país e onde o negócio começou, o sanduíche mais vendido é o rosbife, comercializado por R$ 59. Já na Barra, o campeão de vendas é o de presunto de Parma, que custa 15% a mais.
— O consumidor da Barra compra produtos de maior valor — pontua.
A partir dessas observações, Gandelman se prepara para lançar em 2027 uma nova marca na Barra, com um conceito de combinar proteínas e saladas. O local exato, ele ainda não revela.
Shoppings se renovam
Se novos negócios se espalham por núcleos formados ao redor de áreas com boa concentração de pessoas, os grandes centros comerciais continuam atraindo público de todas as partes, indistintamente — e por isso não deixam de se modernizar. A Multiplan, empresa que administra alguns dos principais centros comerciais locais, o BarraShopping, o VillageMall e o NewYork City Center, revela ter investido mais de R$ 140 milhões nestes shoppings nos últimos três anos.
Foram R$ 35 milhões na oitava expansão do BarraShopping, R$ 88,3 milhões na revitalização do empreendimento e R$ 19 milhões na renovação do New York. O VillageMall ainda contará com uma expansão, ganhando mais de três mil metros quadrados, além de um projeto multiúso que erguerá uma torre corporativa e nove edifícios residenciais interligados a suas instalações.
BarraShopping passou por sua oitava expansã
Divulgação/Luke Garcia
O desempenho comercial acompanha os investimentos, diz a Multiplan. No primeiro semestre de 2026, o BarraShopping registrou quase R$ 1,8 bilhão em vendas, o maior volume entre os estabelecimentos da empresa. E este ano o VillageMall já chegou a R$ 608 milhões, quase 10% acima do mesmo período de 2025.
Marcelo Martins, vice-presidente de operações comerciais da Multiplan, vê os resultados como efeito de uma transformação no comportamento do consumidor acelerada pela pandemia.
— Hoje, o cliente valoriza cada vez mais conveniência, serviços, gastronomia e experiências reunidos no mesmo lugar. Claro, sem esquecer das compras — afirma.
FGV: espaço para mais crescimento
Diretor da FGV Social e fundador do Centro de Políticas Sociais (CPS), o economista Marcelo Neri aponta que a demografia da Barra é um fator-chave para se compreender esse movimento comercial recente. E afirma que ainda há potencial para manter a curva ascendente.
— O bairro segue com área para se expandir. E tem uma população mais jovem do que a de regiões mais tradicionais da cidade, com mais pessoas em idade ativa e famílias em formação. É um perfil que favorece a expansão da oferta de comércio e serviços voltada ao cotidiano dos moradores — explica.
Neri também relaciona o incremento dos novos negócios na região ao custo do deslocamento na cidade e às mudanças provocadas pela pandemia, como a maior presença do trabalho remoto.
— Em vez de os moradores precisarem sair da Barra para trabalhar, parte dos empregos formais passa a se aproximar das pessoas dessa região — diz.
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Barra da Tijuca é o bairro do Rio onde comércio e serviços mais cresceram no pós-pandemia; movimento revela novos hábitos de consumo