Com 58 anos de carreira, José de Abreu, de 79, afirma em entrevista por telefone ao O GLOBO não ter dúvidas de que o papel de Charlie é “o mais difícil da minha vida”. O personagem é o protagonista de “A baleia”, versão para o teatro do texto de Samuel Hunter. que foi levado ao cinema pelo diretor Darren Aronofsky em 2022 e conquistou três Oscars, incluindo o de ator para Brandon Fraser e melhor maquiagem. A montagem brasileira estreia sexta-feira (6), no Teatro Adolpho Bloch.
- Dan Stulbach estrela montagem contemporânea de ‘O mercador de Veneza’: ‘absolutamente atual’
- Sebastião Salgado: primeira mostra póstuma exibe série célebre do fotógrafo, com 149 imagens
— É um personagem muito intenso, que joga em várias camadas da emoção, do riso ao choro. Eu comparo com “O beijo da Mulher Aranha”, que fiz na década de 1980, e “A mulher sem pecado”, de Nelson Rodrigues, dos anos 2000 — explica José, que estava longe dos palcos há mais de dez anos e volta contracenando com Luisa Thiré, Gabriela Freire e Eduardo Speroni, sob direção de Luís Artur Nunes.
Além das camadas emocionais, há camadas do corpo obeso do personagem, de 300 quilos, que somam dificuldades à atuação. Para a caracterização, são usados preenchimentos e artifícios para que o ator não sinta calor excessivo, como bolsas de gelo que somam quatro quilos.
— São três camadas de neoprene, que não deixa o gelo me queimar. Uma camada de algodão, a barriga de látex enorme, que pega toda uma toda a minha parte do abdômen. Depois, vem um suspensório, para parte de baixo não descer, e por fim a parte de cima que é muito maior que a de baixo. Na hora que eu boto a parte de cima, eu não consigo passar na porta— detalha o ator sobre a caracterização feita por Carlos Alberto Nunes e Mona Magalhaes.
O texto do dramaturgo americano estreou em 2012 no teatro americano e aborda os desafios de relacionamento do professor de inglês com a filha, Ellie, e da compulsão alimentar que o levou a obesidade. José conta que essa adaptação brasileira rendeu a ele uma amizade com Samuel, que planeja vir assistir pessoalmente à montagem.
— Começamos a trocar e-mails e ele é muito querido. A gente está conversando quase que diariamente. Ele esteve no Brasil muito jovem com a escola, mas não conhecia o Rio— conta o artista.
‘A baleia’. Teatro Adolpho Bloch. Qui a sáb, às 20h. Dom, às 18h. Até 20 de julho. De R$ a R$ 160. 14 anos. Estreia sexta (6). Ingressos via Ingresso.com.

