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Bloomberg anuncia fundo de R$ 37 milhões para proteção marinha no Brasil às vésperas da cúpula dos oceanos da ONU

BRCOM by BRCOM
junho 8, 2025
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Corais em águas profundas ao largo da costa da ilha grega de Fournoi — Foto: Divulgação / Under the Pole / via AFP

A um dia da abertura oficial da terceira Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos (UNOC3), em Nice, na França, a Bloomberg Philanthropies anunciou um investimento de US$ 6,8 milhões (cerca de R$ 37,8 milhões) voltado à proteção dos ecossistemas marinhos e costeiros do Brasil. O anúncio, feito neste domingo, Dia Mundial dos Oceanos, posiciona o Brasil como peça-chave no avanço da meta global proteger pelo menos 30% dos oceanos até 2030 (30×30) e reforça seu papel de liderança ambiental antes da Conferência da ONU sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em Belém, entre os dias 10 e 21 de novembro.

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— Estamos comprometidos em ajudar o país a avançar na proteção dos oceanos como parte da meta 30×30, dentro do Protecting Our Planet Challenge [Desafio para Proteger o Nosso Planeta, em tradução livre] — disse ao GLOBO Melissa Wright, que lidera a Iniciativa Oceânica da Bloomberg na Bloomberg Philanthropies. — Este novo investimento de dois anos amplia esse apoio, fortalecendo esforços para proteger ecossistemas críticos do Brasil.

Com uma costa de mais de 10 mil quilômetros, florestas de mangue extensas e os únicos recifes de coral do Atlântico Sul, destaca Wright, o Brasil abriga ecossistemas marinhos vitais para a estabilidade climática, a segurança alimentar e a resiliência das comunidades costeiras.

Corais em águas profundas ao largo da costa da ilha grega de Fournoi — Foto: Divulgação / Under the Pole / via AFP

Neste contexto, o apoio financeiro, segundo a Bloomberg Philanthropies, ajudará na implementação da visão oceânica nacional do Brasil, que inclui a expansão das Áreas Marinhas Protegidas (AMPs), o avanço do Ordenamento Espacial Marinho (OEM) e ações climáticas baseadas no oceano previstas no Plano de Ação e Estratégia Nacional para a Biodiversidade (NBSAP).

Ainda de acordo com a Bloomberg Philanthropies, a iniciativa será operacionalizada por meio de parcerias com organizações ambientalistas como Rare, WWF-Brasil, Global Mangrove Alliance, Oceana, Global Fishing Watch e SkyTruth, com foco na restauração de manguezais, pesca sustentável, transparência na gestão marinha e monitoramento de ameaças como a exploração de petróleo e gás.

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— Esse trabalho foi pensado para gerar impacto de longo prazo, fortalecendo as pessoas e os sistemas que tornam a proteção dos oceanos eficaz. Estamos apoiando a Rare no trabalho direto com comunidades costeiras na costa amazônica e ajudando a Global Mangrove Alliance a estabelecer um centro regional no Brasil — explica Wright. — Ao mesmo tempo, a Global Fishing Watch e a SkyTruth estão ampliando ferramentas para monitoramento de embarcações e identificação de ameaças, garantindo que as áreas protegidas não apenas sejam criadas, mas também efetivamente fiscalizadas e mantidas ao longo do tempo.

O anúncio acontece às vésperas da UNOC3, que será realizada de 9 a 13 de junho na cidade balneária francesa. O objetivo da conferência é promover um entendimento comum entre os países sobre políticas para a conservação marinha e mobilizar recursos financeiros para essa agenda. Copatrocinada pela França e pela Costa Rica, a cúpula terá uma cerimônia de abertura pré-evento neste domingo, com a presença de cerca de 70 chefes de Estado e de governo — entre eles, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Para o governo francês, o objetivo é fazer pela conservação dos oceanos o que o Acordo de Paris representou para o combate às mudanças climáticas na COP21, em 2015. A expectativa é que os países presentes aprovem a chamada “Declaração de Nice” na sexta-feira, reafirmando o compromisso com a proteção dos oceanos.

Além disso, a França busca obter a ratificação de pelo menos 60 países para viabilizar a entrada em vigor de um tratado global inédito voltado à proteção de habitats marinhos situados em águas internacionais, isto é, áreas do oceano que não pertencem a nenhum país e onde a governança ambiental é mais frágil e difícil de implementar. Até agora, apenas 28 países e a União Europeia (UE) assinaram o tratado.

Com agências internacionais.

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