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setembro 29, 2026
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Brasil é o 3º país com menos professores satisfeitos e o 4º em que mais educadores deixam a profissão, aponta OCDE

Por · setembro 29, 2026
Mais escola, menos crime


O Brasil é o terceiro país com menos professores que relatam estar satisfeitos com suas condições de trabalho e o quarto com mais educadores que deixam a docência, mostra um novo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O levantamento inclui países membros do grupo, nações que estão em processo de adesão e aquelas que fazem parte do G20.
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O documento mostra que somente 44,3% dos profissionais brasileiros concordam em algum grau que estão “satisfeitos com suas condições de emprego”, excluindo o aspecto salarial. Considerando 38 países para os quais há dados sobre o indicador, o país aparece atrás apenas de Japão, onde 37,3% concordam com a afirmação, e Portugal, onde o percentual é de 39,1%. O desempenho do Brasil também é significativamente abaixo da média dos países da OCDE, de 68,4%.
Além disso, quando avaliada especificamente a proporção de professores satisfeitos com a remuneração, o percentual no Brasil é ainda menor, de 22,3%, o quinto pior no ranking e mais de 16 pontos abaixo da média na OCDE, de 38,7%. Apenas têm números piores que o Brasil a Turquia, com 21,3%; a Polônia, com 20,5%; a Islândia, com 19,3%, e Portugal, com 13,4%.
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O relatório também destaca que 10,3% dos educadores brasileiros do ensino fundamental e médio deixaram a profissão entre 2024 e 2025, incluindo aqueles que desistiram da docência e os que se aposentaram. É o quarto percentual mais alto entre os 24 países com dados sobre a saída de professores, atrás apenas da Comunidade Francesa da Bélgica, com 11,6%; Letônia, com 12%, e Dinamarca, onde 14,5% não atuam mais.
Segundo o levantamento, outros 12,3% dos professores de 30 a 49 anos relataram intenção de deixar a profissão nos próximos cinco anos. Enquanto isso, o número de docentes nos anos iniciais do ensino fundamental no Brasil aumentou apenas 4% de 2015 a 2024, bem abaixo da alta média de 13% dos países da OCDE, e caiu 2% nos anos finais antes do ensino médio.
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Indisciplina e estresse
Em meio a esse cenário, aumentou o percentual de educadores que relatam ter de acalmar alunos indisciplinados “frequentemente” ou “sempre” na sala de aula, chegando a 9 em cada 10 (89,4%) em 2024 no Brasil.
O percentual é acima da média na OCDE, de 72%, e abaixo apenas de Portugal, com 91,2%; Chile, com 91,3%, e Arábia Saudita, com 93,4%, considerando os 36 países para os quais há dados sobre. O relatório reconhece que, pelo mundo, “os desafios comportamentais e disciplinares nas escolas públicas e privadas se intensificaram em muitos sistemas educacionais”.
Ainda sobre as condições de trabalho, segundo o documento, somente 63% dos professores brasileiros têm emprego permanente, o segundo percentual mais baixo entre 37 nações, atrás apenas da Costa Rica (55,8%) e quase 20 pontos percentuais abaixo da média da OCDE, de 80,7%. Outros 19% estão em contratos temporários de mais de um ano letivo.
Também cresceu a proporção de educadores que relatam sofrer “muito estresse” no trabalho, saindo de 13,6% para 20,9% entre 2018 e 2024, novamente acima da média da OCDE. No ano mais recente, 54,4% dos docentes no Brasil relataram que ter trabalho administrativo demais é também uma fonte de “bastante” ou “muito” estresse. Além disso, apenas 14,1% acreditam que a profissão é valorizada pela sociedade, o 9º percentual mais baixo entre 38 países.
Os educadores brasileiros também trabalham por mais tempo. Em média, nos países da OCDE, os professores dos anos iniciais do ensino fundamental lecionaram 770 horas por ano e os dos anos finais, 710 horas anuais. No Brasil, a carga horária mínima anual de ensino é de 800 horas em todos os anos.
Brasil investe menos de um terço da média de países da OCDE
O Brasil investiu cerca de US$ 4,1 mil por estudante do ensino fundamental até o superior público, menos de um terço da média dos países da OCDE, que foi de US$ 13,6 mil em 2023. O valor é acima apenas dos gastos pela Colômbia (US$ 3,4 mil) e pelo Peru (U$ 1,8 mil), considerando 44 países com informações sobre.
Neste contexto, o país tem apenas 22% dos adultos em idade ativa, de 25 a 64 anos, com ensino superior, quase metade dos 43% da média das nações da OCDE. O percentual coloca o país na lanterna empatado com Itália e México (22%) e abaixo apenas de Romênia (19%); Índia (16%); Indonésia (13%) e África do Sul (8%), num ranking de 46 países. Apenas 1% da faixa etária tem mestrado no Brasil, enquanto a média é de 15% entre as nações da OCDE.
O Brasil é também o 5º com mais “nem nem”, jovens entre 18 e 24 anos que não estudam, nem trabalham, embora o percentual tenha caído de 27%, em 2016, para 22%, em 2024. O país está atrás apenas de Romênia (23%); Colômbia (26%); Turquia (31%) e África do Sul (48%), entre 41 nações.
Segundo o relatório, esse público, que é de, em média, 14% nos países da OCDE, representa “uma preocupação central das políticas públicas, uma vez que períodos prolongados de inatividade em uma idade precoce podem ter efeitos negativos duradouros sobre os resultados socioeconômicos ao longo da vida”.

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