O caso dos três brasileiros presos por autoridades portuguesas nesta terça-feira por pilotarem um narcossubmarino até o continente europeu não é o único que liga essa modalidade de tráfico de drogas ao país. Desde 2010, foram descobertos ao menos cinco planos de organizações criminosas que atuam no Brasil para o envio de envio de cocaína em submersíveis, segundo investigações.
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Vestígios brasileiros foram identificados em submersíveis recentemente apreendidos na Espanha, por exemplo. Em março de 2023, um narcossubmarino que teria saído do Brasil com drogas e três tripulantes foi encontrado semissubmerso em Arousa. De acordo com as autoridades locais, investigadores apontaram à época para a existência de “cobertores, roupas e comida brasileira” no interior da embarcação.
Em 2019, outro narcossubmarino de origem brasileira, o “Che”, foi encontrado no mar da Galícia. Na ocasião, um piloto e dois tripulantes foram presos, e três toneladas de cocaína — avaliadas em R$ 700 milhões — foram apreendidas. Uma sacola da loja Paradão das Confecções, de Macapá, encontrada no interior da embarcação, revelou sua origem.
Em fevereiro do ano passado, pescadores encontraram um submarino em São Caetano de Odivelas, no Pará. O município é vizinho à cidade de Vigia, onde foi encontrado, em 2015, o primeiro narcossubmarino do Brasil.
Por trás deste primeiro caso estaria uma quadrilha de traficantes colombianos. O bando era chefiado pelo capo Willians Triana Peña, que já era procurado na Argentina por tentar enviar para a África remessas de cocaína impregnadas em sacos de arroz. Nos meses que antecederam a apreensão da embarcação no Pará, dois sócios de Triana Peña que eram monitorados por agentes federais fizeram viagens de Belo Horizonte — onde o grupo mantinha um centro de armazenagem de cocaína — a Belém. Depois que a polícia encontrou o submarino, ambos deixaram o país.
As polícias espanhola e americana falam sobre narcossubmarinos pelo menos desde 1993. Nessas três décadas, mais de 300 embarcações desse tipo foram apreendidas em ambos os lados do Oceano Atlântico, segundo as forças de segurança. Só no período entre 2017 e 2021, a polícia colombiana apreendeu 152 semissubmersíveis.
Construídas em sua maioria no Suriname ou na Guiana, essas embarcações transportam carregamentos com toneladas de cocaína das costas brasileira e colombiana para a Espanha e o norte da África. De acordo com a Brigada Central de Narcóticos da Polícia Nacional do país europeu, a evolução do uso desses dispositivos é constante.
A construção dos narcossubmarinos se sofisticou com o tempo. Segundo a polícia espanhola, o atual objetivo dos traficantes é incluir sistemas de navegação com piloto automático, evitando que as embarcações necessitem de uma grande tripulação para viajar. Assim, de acordo com a investigação, os criminosos ganhariam espaço para transportar mais carga nos dispositivos, que ainda têm tanques de combustíveis em seu interior.

