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Porém, uma festa do partido de Montenegro (PSD) na região praiana do Algarve aconteceu mesmo com o país sob ameaça constante das chamas. A manutenção do encontro político foi muito criticada.
O presidente Marcelo Rebelo de Sousa também cancelou as suas férias no Algarve. Ele e Montenegro não foram aos locais afetados pelos incêndios.
Portugal atrasou ao máximo o pedido de socorro à União Europeia, que só começou ontem. O governo é confrontado pelos problemas no combate relatados pela população e prefeitos dos locais atingidos.
— Em momentos de crise, de tragédia, há sempre alguma irritação. Muitas vezes, pode até haver alguma descoordenação momentânea — disse Montenegro ontem:
— A população tem sido heroica.
O carioca Guilherme Mayerhofer enviou relato ao Portugal Giro de como está sendo tentar ajudar no combate voluntário aos incêndios em Gouveia, na Guarda, região onde o ex-prefeito Carlos Dâmaso morreu.
A segunda vítima foi o bombeiro Daniel Bernardo Agrelo, morto em um acidente com o caminhão da corporação que se dirigia ao combate ao incêndio na Covilhã.
Abaixo, o relato editado de Guilherme Mayerhofer. Ele trabalha para uma empresa do setor financeiro e escreveu sobre o último fim de semana, quando os focos apagavam e reacendiam na Guarda:
“O fogo circundou Gouveias. Estávamos preocupados porque estava muito perto da cidade. Ninguém dormia com receio do fogo avançar durante a noite. Mas, até o momento, o incêndio não avançou.
Voltou a queimar. Eu não sei se consigo voltar para a cidade. A Polícia de Segurança Pública estava orientando a seguir nas vias mais seguras. Precisei entrar pelas cidades vizinhas. Depois, apagou.
Tentei ajudar e ver o progresso do fogo. As casas são todas construídas no alto da colina e os animais acabam sofrendo.
Teve um esforço em conjunto de dois helicópteros, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros. E dos voluntários, que anexaram barris de água nos tratores e foram administrando o fogo.
O fogo veio na maldade… Primeiro, circundando. Depois, subindo a montanha. Parecia que queria chegar na cidade e cruzar a Estrada Nacional em direção aos municípios vizinhos. Muita fumaça.
Eu e os voluntários nos reunimos e nos juntamos aos bombeiros. Ficávamos todos atentos aos focos de incêndio e às propriedades. Não vi ninguém ser forçado a deixar seus imóveis.
A gente ficava de um lado para outro. Teve um hora que o fogo chegou bem perto de uma propriedade desocupada, mas, mesmo assim, estávamos lá.
Os voluntários subiram com os tratores e não deixaram o fogo avançar. Nas áreas mais remotas, os helicópteros conseguiram apagar. Eu vi um passar com depósito d’água.
Ajudei pouco mesmo. Tentei, mas nem ferramentas tinha. O pessoal com os tratores que conseguiu fazer o combate. Chegaram rápido quando havia perigo do fogo se aproximar das propriedades.
O risco é quando a pessoa percebe que vai perder tudo e não aceita. Tenta combater o fogo sem recursos. Não tem como prever: uma hora o vento aponta para um lado e, na outra, em direção oposta.
Eu vi fotos do primeiro-ministro na praia e nas festas. Teve região sem apoio e demoraram para pedir ajuda (da União Europeia). Todos têm ideia da gravidade e cancelaram todos os eventos”.