As forças de segurança agiram de forma excessiva e houve brutalidade deliberada contra manifestantes e jornalistas durante os protestos de junho, em Los Angeles, contra as políticas migratórias de Donald Trump, segundo um relatório da Human Rights Watch (HRW) publicado na segunda-feira.
- Flávia Oliveira: É espantoso Trump falar de direitos humanos para acuar o Brasil
Dezenas de pessoas ficaram feridas por disparos de balas de borracha, granadas de atordoamento e spray de pimenta lançados pela polícia a curta distância durante as manifestações, majoritariamente pacíficas, contra o aumento dramático das detenções de imigrantes no sul da Califórnia.
- Agentes de imigração dos EUA deram relatos distorcidos para sustentar prisões em protestos em Los Angeles, diz jornal
- Bandeira do México se torna símbolo central dos atos pró-imigração em Los Angeles e vira alvo de conservadores nos EUA
– Membros das forças de segurança utilizaram força brutal, excessiva e desnecessária contra pessoas que se manifestavam pelos direitos humanos e contra aqueles que registravam os protestos – disse Ida Sawyer, diretora de crises, conflitos e armamentos da HRW.
Os protestos começaram em 6 de junho, após as batidas do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), que recebeu ordens do governo do presidente Trump para focar nos imigrantes indocumentados naquela cidade, de maioria latina.
As manifestações se concentraram em uma pequena área do centro de Los Angeles e foram, em sua maioria, pacíficas, embora em alguns momentos tenham saído do controle, resultando em cenas caóticas que levaram Trump a enviar a Guarda Nacional e fuzileiros navais — decisão duramente criticada pelas autoridades locais.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/w/1/dBELrqRvmYLSD5e9Of4w/111341941-los-angeles-california-june-08-the-national-guard-police-and-protesters-stand-off-ou.jpg)
Para o relatório, a equipe da Human Rights Watch observou os protestos, visitou os locais onde ocorreram as batidas em meados de junho e entrevistou dezenas de pessoas.
O informe documentou 65 casos em que policiais feriram manifestantes e jornalistas, mas advertiu que “é provável que o número real seja muito maior”.
Em um dos casos, um policial atirou em três pessoas “a uma distância muito curta com projéteis de impacto cinético, o que lhes causou dor intensa por vários dias”.
Também foram registrados feridos com ossos quebrados, contusões, um dedo amputado e lesões graves nos olhos.
O departamento do xerife do condado de Los Angeles afirmou, em comunicado, que seus oficiais “não usam armas não letais de forma indiscriminada”. “Elas são utilizadas apenas quando todas as tentativas de desescalada foram esgotadas”, acrescentou.
Um fotógrafo da AFP foi atingido no rosto por uma bala de borracha disparada por um policial enquanto cobria um protesto no centro de Los Angeles, em 14 de junho. Pelo menos outros três jornalistas também ficaram feridos.
A Constituição dos Estados Unidos garante o direito à liberdade de expressão e à manifestação pacífica, e protege os cidadãos contra o uso excessivo da força por parte de agentes da lei. A Califórnia possui leis que restringem o uso de “armas menos letais” durante protestos e protegem os direitos da imprensa.