Pular para o conteúdo
setembro 30, 2026
BRcom
Dólar PTAXR$ 5,2198
News

Briga na cabine, piloto esfaqueado e queda brusca: O que se sabe sobre incidente em voo para Israel

Por · setembro 30, 2026
Voo com destino a Tel Aviv é desviado para a Arábia Saudita após briga entre pilotos


Um voo da FlyDubai que seguia de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para Tel Aviv, em Israel, fez um pouso de emergência na Arábia Saudita nesta quarta-feira após um incidente na cabine de comando envolvendo os pilotos. A aeronave perdeu milhares de metros de altitude em poucos minutos, emitiu sinais de emergência e mudou abruptamente de direção antes de pousar em segurança na cidade saudita de Tabuk. Em vídeo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o caso começou quando um dos pilotos “esfaqueou o outro e aparentemente tentou derrubar o avião”, classificando o episódio como “um incidente de segurança extremamente grave”.
Contexto: Israel investiga esfaqueamento em voo entre Dubai e Tel Aviv como terrorismo
O GLOBO no Mundo: Receba as notícias internacionais direto no seu celular
O comandante e o copiloto ficaram feridos e foram hospitalizados, enquanto todos os passageiros desembarcaram em segurança, segundo a companhia aérea e autoridades sauditas. Relatos de passageiros já indicavam que houve uma briga na cabine de comando e que um dos pilotos foi esfaqueado. Passageiros teriam ajudado a conter um dos envolvidos, enquanto outros pilotos que estavam a bordo assumiram o controle da aeronave.
Autoridades israelenses investigam diferentes hipóteses para o episódio, incluindo uma possível tentativa de ataque terrorista ou de sequestro da aeronave. As circunstâncias exatas do confronto e a motivação, porém, ainda não foram esclarecidas. Veja o que se sabe:
Avião ‘perdeu o controle’
Com cerca de 150 passageiros a bordo, segundo autoridades israelenses, o voo fazia a rota entre Dubai e Tel Aviv, realizada diariamente pela FlyDubai, e deveria chegar ao Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Israel, às 9h10 (3h10 em Brasília). Cerca de duas horas após a decolagem, porém, o avião começou a perder altitude rapidamente e mudou de direção antes de concluir o pouso de emergência na Arábia Saudita às 9h45 (3h45 em Brasília).
Entenda: Netanyahu processa jornais enquanto relatos de que ignorou alertas sobre o 7 de outubro dominam campanha eleitoral
Segundo dados do site de rastreamento Flightradar24, a aeronave voava a cerca de 10 mil metros quando iniciou uma descida repentina. Dados divulgados pela BBC indicam que o avião caiu cerca de 5,2 mil metros em apenas dois minutos, enquanto, segundo a agência Reuters, a aeronave chegou a descer 4,2 metros em menos de 30 segundos. Em relatos à imprensa israelense, passageiros relataram ter sentido o avião “perder o controle”:
— Em poucos minutos, nosso avião perdeu completamente o controle, e sentimos que era o fim, que estávamos prestes a cair. Pensei: já perdi o meu irmão, não posso fazer isso com a minha mãe — disse Miriam Ohayon, destacando que o irmão, o soldado Evytar Ohayon-Abuksis, foi morto no ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.
O que motivou o incidente?
Relatos sobre o que teria motivado o incidente permanecem imprecisos, mas autoridades israelenses e passageiros relataram que o caso começou após um confronto entre os pilotos. Segundo Netanyahu, um israelense conseguiu entrar na cabine de comando junto de um integrante da tripulação, e os dois conseguiram “neutralizar” o agressor enquanto ele tentava sabotar os sistemas da aeronave. Outro tripulante conseguiu estabilizar o avião. O “piloto agressor”, disse o premier, foi preso e está sendo interrogado por autoridades sauditas.
— Todas as pessoas gritaram, acharam que iam morrer. Depois de alguns minutos, outros dois pilotos assumiram o controle. Alguns israelenses correram até o homem, que pegou uma faca e tentou matar o piloto. Eles seguraram a mão dele e o colocaram no chão. Havia muito sangue por toda parte — disse Yasmin Abukasis, mãe de Miriam, acrescentando que a filha contou ter ouvido o piloto gritar por socorro.
Durante o incidente, o avião transmitiu o código squawk 7700, sinal internacional utilizado para indicar uma emergência geral. Minutos depois, emitiu o código 7500, usado para indicar sequestro ou interferência ilícita em uma aeronave, antes de voltar a transmitir o código 7700. Segundo o Flightradar24, o avião também fez mudanças abruptas de direção e chegou a entrar no espaço aéreo da Jordânia antes de retornar ao território saudita.
Caças mobilizados e suposto ataque terrorista
Israel chegou a mobilizar caças para interceptar o avião após o sinal de emergência, mas as aeronaves foram instruídas a recuar antes de entrarem no espaço aéreo saudita. À CNN, duas fontes israelenses afirmaram que, inicialmente, houve o temor de que pudesse se tratar de um sequestro, embora a hipótese depois tenha sido posteriormente descartada. Israelenses foram alvo de uma série de sequestros e ataques a avião nas décadas de 1960 e 1970.
Dois ministros de extrema direita do governo israelense, Bezalel Smotrich e Itamar Ben-Gvir, divulgaram declarações afirmando que o incidente foi um ataque terrorista frustrado, mas autoridades de segurança israelenses ainda não chegaram a nenhuma conclusão sobre o que provocou a briga na cabine de comando ou o que pode ter motivado quem a iniciou.
Ainda que terrorismo seja uma das possíveis motivações, outras hipóteses incluem a possibilidade de que um dos tripulantes tenha feito uma tentativa de suicídio derrubando o avião, disseram duas autoridades de defesa israelenses ao New York Times. A aeronave ainda estava longe do espaço aéreo de Israel quando o incidente começou.
Pilotos de reserva
Passageiros também relataram que outros dois pilotos que viajavam na parte traseira da aeronave foram chamados para assumir os controles depois do confronto. A informação sobre a atuação dos dois, porém, ainda não foi confirmada oficialmente pelas autoridades. À imprensa israelense, o passageiro Almog Itali afirmou que os dois eram pilotos de reserva que deveriam operar um voo posterior. Segundo ele, um deles era britânico e o outro, europeu, embora sua nacionalidade não tenha sido especificada.
O avião pousou em segurança no Aeroporto Internacional Príncipe Sultan bin Abdulaziz, em Tabuk, no noroeste da Arábia Saudita. Os pilotos feridos foram transferidos para um hospital, e os passageiros receberam atendimento no terminal. A FlyDubai afirmou que todos estavam “em segurança” e que trabalhava em coordenação com as autoridades competentes.
O Shin Bet deverá interrogar os passageiros depois que eles retornarem a Israel. As investigações também buscam esclarecer quem iniciou o confronto, quem utilizou a faca, o que ocorreu dentro da cabine e qual era a eventual intenção do agressor. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelenses, tenente-general Eyal Zamir, reuniu-se com altos funcionários da Força Aérea e das áreas de inteligência e operações para avaliar o caso.
Arábia Saudita e Israel não mantêm relações diplomáticas formais, e autoridades sauditas não teriam autorizado que uma aeronave militar israelense pousasse no país para buscar os passageiros. Em vez disso, a FlyDubai providenciou uma aeronave substituta para realizar o transporte. A Autoridade de Aeroportos de Israel também preparou uma área no Aeroporto Ben Gurion para receber familiares enquanto aguardavam o retorno dos passageiros.
(Com New York Times)

Briga na cabine, piloto esfaqueado e queda brusca: O que se sabe sobre incidente em voo para Israel