Um voo da FlyDubai que seguia de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para Tel Aviv, em Israel, fez um pouso de emergência na Arábia Saudita nesta quarta-feira após um incidente na cabine de comando envolvendo os pilotos. A aeronave perdeu milhares de metros de altitude em poucos minutos, emitiu sinais de emergência e mudou abruptamente de direção antes de pousar em segurança na cidade saudita de Tabuk. Em vídeo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o caso começou quando um dos pilotos “esfaqueou o outro e aparentemente tentou derrubar o avião”, classificando o episódio como “um incidente de segurança extremamente grave”.
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O comandante e o copiloto ficaram feridos e foram hospitalizados, enquanto todos os passageiros desembarcaram em segurança, segundo a companhia aérea e autoridades sauditas. Relatos de passageiros já indicavam que houve uma briga na cabine de comando e que um dos pilotos foi esfaqueado. Passageiros teriam ajudado a conter um dos envolvidos, enquanto outros pilotos que estavam a bordo assumiram o controle da aeronave.
Autoridades israelenses investigam diferentes hipóteses para o episódio, incluindo uma possível tentativa de ataque terrorista ou de sequestro da aeronave. As circunstâncias exatas do confronto e a motivação, porém, ainda não foram esclarecidas. Veja o que se sabe:
Avião ‘perdeu o controle’
Com cerca de 150 passageiros a bordo, segundo autoridades israelenses, o voo fazia a rota entre Dubai e Tel Aviv, realizada diariamente pela FlyDubai, e deveria chegar ao Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Israel, às 9h10 (3h10 em Brasília). Cerca de duas horas após a decolagem, porém, o avião começou a perder altitude rapidamente e mudou de direção antes de concluir o pouso de emergência na Arábia Saudita às 9h45 (3h45 em Brasília).
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Segundo dados do site de rastreamento Flightradar24, a aeronave voava a cerca de 10 mil metros quando iniciou uma descida repentina. Dados divulgados pela BBC indicam que o avião caiu cerca de 5,2 mil metros em apenas dois minutos, enquanto, segundo a agência Reuters, a aeronave chegou a descer 4,2 metros em menos de 30 segundos. Em relatos à imprensa israelense, passageiros relataram ter sentido o avião “perder o controle”:
— Em poucos minutos, nosso avião perdeu completamente o controle, e sentimos que era o fim, que estávamos prestes a cair. Pensei: já perdi o meu irmão, não posso fazer isso com a minha mãe — disse Miriam Ohayon, destacando que o irmão, o soldado Evytar Ohayon-Abuksis, foi morto no ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.
O que motivou o incidente?
Relatos sobre o que teria motivado o incidente permanecem imprecisos, mas autoridades israelenses e passageiros relataram que o caso começou após um confronto entre os pilotos. Segundo Netanyahu, um israelense conseguiu entrar na cabine de comando junto de um integrante da tripulação, e os dois conseguiram “neutralizar” o agressor enquanto ele tentava sabotar os sistemas da aeronave. Outro tripulante conseguiu estabilizar o avião. O “piloto agressor”, disse o premier, foi preso e está sendo interrogado por autoridades sauditas.
— Todas as pessoas gritaram, acharam que iam morrer. Depois de alguns minutos, outros dois pilotos assumiram o controle. Alguns israelenses correram até o homem, que pegou uma faca e tentou matar o piloto. Eles seguraram a mão dele e o colocaram no chão. Havia muito sangue por toda parte — disse Yasmin Abukasis, mãe de Miriam, acrescentando que a filha contou ter ouvido o piloto gritar por socorro.
Durante o incidente, o avião transmitiu o código squawk 7700, sinal internacional utilizado para indicar uma emergência geral. Minutos depois, emitiu o código 7500, usado para indicar sequestro ou interferência ilícita em uma aeronave, antes de voltar a transmitir o código 7700. Segundo o Flightradar24, o avião também fez mudanças abruptas de direção e chegou a entrar no espaço aéreo da Jordânia antes de retornar ao território saudita.
Caças mobilizados e suposto ataque terrorista
Israel chegou a mobilizar caças para interceptar o avião após o sinal de emergência, mas as aeronaves foram instruídas a recuar antes de entrarem no espaço aéreo saudita. À CNN, duas fontes israelenses afirmaram que, inicialmente, houve o temor de que pudesse se tratar de um sequestro, embora a hipótese depois tenha sido posteriormente descartada. Israelenses foram alvo de uma série de sequestros e ataques a avião nas décadas de 1960 e 1970.
Dois ministros de extrema direita do governo israelense, Bezalel Smotrich e Itamar Ben-Gvir, divulgaram declarações afirmando que o incidente foi um ataque terrorista frustrado, mas autoridades de segurança israelenses ainda não chegaram a nenhuma conclusão sobre o que provocou a briga na cabine de comando ou o que pode ter motivado quem a iniciou.
Ainda que terrorismo seja uma das possíveis motivações, outras hipóteses incluem a possibilidade de que um dos tripulantes tenha feito uma tentativa de suicídio derrubando o avião, disseram duas autoridades de defesa israelenses ao New York Times. A aeronave ainda estava longe do espaço aéreo de Israel quando o incidente começou.
Pilotos de reserva
Passageiros também relataram que outros dois pilotos que viajavam na parte traseira da aeronave foram chamados para assumir os controles depois do confronto. A informação sobre a atuação dos dois, porém, ainda não foi confirmada oficialmente pelas autoridades. À imprensa israelense, o passageiro Almog Itali afirmou que os dois eram pilotos de reserva que deveriam operar um voo posterior. Segundo ele, um deles era britânico e o outro, europeu, embora sua nacionalidade não tenha sido especificada.
O avião pousou em segurança no Aeroporto Internacional Príncipe Sultan bin Abdulaziz, em Tabuk, no noroeste da Arábia Saudita. Os pilotos feridos foram transferidos para um hospital, e os passageiros receberam atendimento no terminal. A FlyDubai afirmou que todos estavam “em segurança” e que trabalhava em coordenação com as autoridades competentes.
O Shin Bet deverá interrogar os passageiros depois que eles retornarem a Israel. As investigações também buscam esclarecer quem iniciou o confronto, quem utilizou a faca, o que ocorreu dentro da cabine e qual era a eventual intenção do agressor. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelenses, tenente-general Eyal Zamir, reuniu-se com altos funcionários da Força Aérea e das áreas de inteligência e operações para avaliar o caso.
Arábia Saudita e Israel não mantêm relações diplomáticas formais, e autoridades sauditas não teriam autorizado que uma aeronave militar israelense pousasse no país para buscar os passageiros. Em vez disso, a FlyDubai providenciou uma aeronave substituta para realizar o transporte. A Autoridade de Aeroportos de Israel também preparou uma área no Aeroporto Ben Gurion para receber familiares enquanto aguardavam o retorno dos passageiros.
(Com New York Times)
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