Aos 39 anos, Irina Shayk continua provando que o tempo pode ser um aliado da beleza. Com aparência jovial, pele impecável e postura de quem domina não apenas as passarelas, mas também a própria narrativa, a supermodelo russa foi protagonista de uma passagem marcante pelo Brasil. Além de estrear no desfile da Beija-Flor de Nilópolis, a top foi fotografada para a edição de agosto da Vogue Brasil, posando com peças em cetim, renda e transparência, e refletindo sobre carreira, maternidade e envelhecimento: “Cada idade tem a sua beleza, mas a maturidade traz uma confiança única”, declarou ela à jornalista Thaís Varela.
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O editorial fotográfico, clicado no Rio de Janeiro com vista para o Pão de Açúcar, mostra uma Irina segura, sensual e cheia de energia. Ao invés da frieza das poses ensaiadas, o ensaio revela espontaneidade, risadas e até tentativas da modelo de aprender gírias em português. A naturalidade impressiona e evidencia como a russa, que completou 39 anos em janeiro, desafia os estereótipos de uma indústria que por muito tempo priorizou juventude extrema. “Sinto que minha carreira está só começando”, disse.
Em março deste ano, a modelo realizou um antigo desejo: conhecer o Carnaval do Rio de Janeiro. E não como espectadora. Irina atravessou os 700 metros da Marquês de Sapucaí como destaque da Beija-Flor de Nilópolis, usando uma luxuosa fantasia assinada por Henrique Filho, repleta de cristais e plumas azuis.
Em entrevista à Vogue Brasil, revelou que a inspiração veio de um look icônico de Luma de Oliveira, usado em 2005: “Eu queria algo vintage, e a roupa dela tinha uma exuberância e uma silhueta clássica de Carnaval”, explicou.
Irina mergulhou nos bastidores da festa, visitou os barracões da Cidade do Samba e aprendeu os passos básicos do samba com ajuda da comunidade da escola. A experiência, segundo ela, foi arrebatadora.
“A energia é absolutamente fantástica. Nunca vivi nada igual. Saí do desfile com a sensação de ‘alguém me belisca?’”, contou emocionada. A escola terminou campeã, e Irina comemorou o título em Nilópolis, ao lado dos integrantes da agremiação. “Dançamos por muitas horas, tirei fotos com o troféu. Foi insano e inesquecível.”
Nas redes sociais, ela compartilhou a alegria do momento com os fãs: “Me belisca, isso é um sonho! Eu não acredito que isso é real… Brasil, muito obrigada pelo amor que você me deu! Rio, você tem sido muito mágico! Brasil, estou obcecada por você”, escreveu nas redes sociais.
Da vila russa à consagração internacional
Irina Valeriêvna Shaykhlislamova nasceu em Yemanzhelinsk, uma pequena vila no sul da Rússia. Filha de um mineiro tártaro e de uma professora de música, começou a tocar piano aos seis anos e passou sete anos em uma escola de música. Perdeu o pai aos 14 e começou a trabalhar cedo para ajudar em casa.
Aos 19 anos, quando acompanhava a irmã em um curso de cosmetologia, foi descoberta por um olheiro. Relutante, levou quase um ano para aceitar o convite e mudar-se para Paris. Não falava inglês e pouco conhecia sobre o mundo da moda.
Mesmo diante de dificuldades, como o padrão da época que julgava seu corpo “muito comercial”, Irina persistiu. Em 2007, tornou-se rosto da marca Intimissimi e, em 2011, a primeira russa na capa da Sports Illustrated. Depois vieram Givenchy, Versace, Dolce & Gabbana, Schiaparelli, Balenciaga, Victoria’s Secret, campanhas de beleza como L’Oréal, além de inúmeras capas de revistas como Elle, GQ, Vanity Fair e, claro, Vogue.
A carreira, porém, não se resume a editoriais e passarelas. Irina é mãe de Lea, fruto do relacionamento com o ator Bradley Cooper, e busca transmitir à filha os valores que herdou da mãe e da avó, uma heroína da Segunda Guerra Mundial. “Cresci cercada por mulheres fortes”, afirmou.
O retorno de Irina Shayk à capa da Vogue Brasil reforça uma tendência em crescimento na moda: a valorização da mulher madura. “Quando comecei, a moda era voltada principalmente para meninas muito jovens, com padrões muito rígidos. Agora, trata-se mais de personalidade e de celebrar o belo em qualquer idade ou forma”, avaliou à revista.
Inspirada por colegas como Naomi Campbell e Helena Christensen, ela acredita que a longevidade na profissão depende menos da idade e mais de autenticidade. Com 39 anos, Irina continua estampando campanhas globais e dominando as passarelas, como provou recentemente ao abrir o desfile da Blumarine em Milão.
“Acho que tudo isso faz parte de uma mudança maior… Sinto que minha carreira está só começando”, afirma, com entusiasmo que rivaliza com o de qualquer jovem estreante. Sua beleza permanece incontestável, mas é sua confiança que agora rouba a cena.