O café da manhã já não é pura e simplesmente a primeira refeição do dia faz tempo, numa mudança de comportamento acompanhada de perto pelo setor gastronômico. Se o que os consumidores procuram são opções diferentes para começar a jornada, então é isso o que vão encontrar. Na Zona Sudoeste, mesas cercadas pelo verde, cafés especiais, bufês criativos e vista para o mar dão outro sabor ao desjejum.
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O tema foi debatido em junho no painel “Bons negócios pela manhã”, realizado no Folga 2026+Mesa ao Vivo Rio, promovido pelo Sindicato Empresarial de Bares e Restaurantes (SindRio) e pela plataforma Prazeres da Mesa. Fernando Blower, presidente do SindRio e diretor-executivo da Associação Nacional de Restaurantes (ANR), diz que a manhã ganhou novo jeito.
— Essa é uma tendência. Cada vez mais estabelecimentos têm investido em menus de café e brunch, transformando a manhã em um importante período de faturamento — afirma.
Há espaços que apostam no contato com a natureza, outros na produção artesanal. Alguns transformam o café da manhã num evento, com o cenário como parte da experiência. É o caso do Don Pascual, em Vargem Grande. Localizado na Estrada do Sacarrão 867, a pousada e restaurante oferece o serviço diariamente, das 8h às 11h, mediante reserva e pagamento antecipado.
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Durante a semana, o café continental servido à mesa custa R$ 75 por pessoa. Aos sábados e domingos, a oferta passa a ser um café colonial em formato de bufê, por R$ 96. O ambiente é cercado pela Mata Atlântica e tem clima interiorano.
— Nosso diferencial é o cenário verde e um convite a um ritmo mais calmo em plena cidade. É um brinde à vida. Inclusive servimos espumante no café — resume Sandra Milani, dona da casa.
Também em Vargem Grande, o Ser.Tão Carioca Café aposta na sensação de estar longe da cidade sem sair do Rio. Instalado em uma casa de 1935, na Estrada do Pacuí 643, o lugar recebe os clientes em um quintal, com mesas ao ar livre e uma atração musical. Com atendimento de quarta a sábado, das 9h às 17h; e aos domingos, das 9h às 14h, tem combos que começam em R$ 31. São diferenciais o pão de inhame com castanhas e cranberries, os ovos cremosos com cebolinha da horta e o bolo de milho.
— Estamos entre um grande horto e hortas, e os clientes são servidos em nosso quintal. As mesas com ombrelones ou debaixo de espaço coberto ficam sob um chão batido e há sempre uma viola presente, sob a curadoria do maestro Henrique Bonna — compartilha a proprietária, Monica Severien.
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Em Vargem Pequena, o Florifé, na Rua Elísio de Araújo 17-B, se tornou ponto de encontro. A cafeteria aposta em um ambiente rústico, com obras de artistas locais na decoração. Às segundas, o espaço funciona das 10h às 17h; de terça a sexta, das 9h às 18h; aos sábados, das 8h às 18h; e aos domingos, das 8h e às 17h.
No Recreio, o Carambola Café, numa antiga casa de fazenda, segue proposta semelhante. Na Estrada do Pontal 2.277, oferece café aos sábados e domingos, das 8h às 13h, entre jardim, deque e objetos históricos. Nos destaques estão o pão com linguiça artesanal e queijo canastra, o omelete shiitake, a tapioca na crosta com queijo coalho e melado e o Parfait Carambola. Ainda no Recreio, a D.O.C Bakery, na Avenida Alfredo Balthazar da Silveira 1.795, abre diariamente das 7h45 às 20h. A casa aposta na fabricação dos próprios pães de fermentação natural, nos croissants de longa fermentação e em sobremesas.
Cafés e pés na areia
Se o verde e o rústico são diferenciais nas Vargens e no Recreio, na Barra os cafés chamam a atenção pela gastronomia artesanal e, em muitos casos, o pé na areia. O Empório CR, anexo ao Rio Brasa, na Avenida Armando Lombardi 583, no Jardim Oceânico, aposta na produção própria de padaria e confeitaria para criar seu bufê de café da manhã, oferecido em estilo self-service aos sábados, domingos e feriados, das 8h às 11h30, com valor de R$ 69,90 por pessoa. A ideia começou na pandemia, com combos feitos com pães de fermentação natural, e evoluiu.
— Criamos nossas receitas junto com os padeiros. Mas nosso cliente não é fiel apenas pela comida. O ambiente acolhedor e o bom atendimento também são nossa marca — diz Michelle Simões, gerente da casa.
Fidelidade confirmada por Yasmin Caseiro, que ao menos uma vez por semana vai ao Empório.
— Adoro a forma como sou atendida, me sinto especial. Além disso, eles sempre têm ao menos seis opções de suco, e eu adoro sucos. Estou sempre descobrindo novidades— conta.
Quiosque Pato com Laranja entrou na rota dos cafés da manhã na beira do mar
Divulgação/Bling Comunicação
Um endereço tradicional passou recentemente a olhar para esse novo mercado. O quiosque Pato com Laranja, no Posto 2 da Praia da Barra, lançou um menu de café da manhã e brunch, servido aos sábados, domingos e feriados, das 8h às 11h. Assinado pela chef Andréa Tinoco, reúne de receitas clássicas a preparações elaboradas. Entre as opções estão o Breakfast Sandwich (R$ 26), preparado com brioche, ovo, bacon, requeijão e queijo meia cura; o queijo quente no pão sourdough (R$ 34), a tigela de frutas da estação (R$ 22), cafés especiais e sucos.
— Percebemos que existia uma demanda crescente por experiências gastronômicas logo no início do dia. O café da manhã deixou de ser apenas uma refeição e passou a ser um momento de encontro, de desacelerar e de valorizar ingredientes de qualidade — afirma Andréa.
À beira-mar, muitos outros quiosques já oferecem cafés da manhã especiais, informa a Orla Rio. Entre eles, Match Beach Club, K08, Bondai, Clássico Beach Club, Via 11, Sunset, Naná, Origens, Nosso Quiosque e Burle Experience, na Barra; Orla 10, no Recreio; e Soul Prainha, na Prainha.
Rede hoteleira de olho na tendência
Hilton Barra abriu as suas portas para clientes externos que desejam um café típico de hotel
Divulgação / Epic Media
Os hotéis são opção mais sofisticada. No Hilton Barra, o café da manhã é aberto ao público externo e servido no restaurante Abelardo. O bufê custa R$ 105 e funciona de segunda a sexta, das 6h30 às 10h30; e até as 11h aos sábados, domingos e feriados.
Falando em sofisticação, no New York City Center há o Nolita Roastery, que oferece desde cafés preparados por diferentes métodos até produção de pães acompanhada pelo público, torra própria de grãos e biblioteca gastronômica com cerca de 1.500 livros.

