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Não espere um enredo requintado. “Eu vou te encontrar” escalou o ranking das séries mais vistas da Netflix representando com honras a categoria “é ruim, mas é boa” (e sendo mais para ruim). A produção faz parte do pacotão de adaptações da obra de Harlan Coben para o streaming (é o 13º livro dele que vira série, leia mais aqui). Esse é um daqueles programas feitos para o espectador assistir deixando de lado o preconceito e as grandes (ou mesmo as médias) exigências artísticas.
O personagem central é David Burroughs (Sam Worthington), ex-professor universitário. Somos apresentados a ele numa penitenciária do Maine, onde está lá há cinco anos, condenado à prisão perpétua pelo assassinato do filho de 3 anos, Matthew. É um prisioneiro de comportamento exemplar e olhar triste.
Milo Ventimiglia/I will find you
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O crime teria acontecido (não vale rir) durante um ataque de sonambulismo. Foi tão violento que a identidade da criança teve de ser verificada por um teste de DNA. David jura inocência, mas ninguém acredita nele. A ex-mulher, a médica Cheryl (Erin Richards), refez a vida, se casou e está grávida de uma menina.
Quem aparece um dia de surpresa na cadeia é a ex-cunhada, a jornalista Rachel Mills (Britt Lower). Ela traz uma foto recente de um menino que é a cara de Matthew e tem até um sinal na bochecha idêntico ao dele. Na hora, David não tem dúvidas de que o filho está vivo.
Sam Worthington/David
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Assim começa uma aventura frenética. David consegue fugir com a ajuda do diretor da prisão, Phillip (Peter Outerbridge), e do filho dele, Adam (Jonathan Tucker). Por uma incrível coincidência, as duas famílias são amicíssimas. Aliás, não sei qual das duas palavras mais se aplica para descrever a série, se “incrível” ou se “coincidência”.
Os absurdos se sucedem. Assim, de inverossimilhança em inverossimilhança, o público vai ficando preso nessa trama. São pistas falsas, desvios de rota, becos narrativos sem saída e outros truques. A lista de clichês é infindável: uma pessoa presa injustamente, bonzinhos que na realidade são malvados e vice-versa, policiais incompetentes demais ou sendo boicotados por colegas etc. A geografia do enredo fica entre Boston e Nova York, mas passa pela Suíça numa das guinadas extravagantes.
Britt Lower/Rachel
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Embora o roteiro tenha todas essas fragilidades, a realização não é tosca. O elenco no geral é eficiente e destaco Britt Lower. Ela e Sam Worthington formam uma boa parceria. A presença de Milo Ventimiglia (Hayden), muito querido do público de séries desde que viveu o Jack em “This is us” (leia sobre ela aqui), faz bem ao resultado final. Outra figura conhecida é Madeleine Stowe, que remete à mexicaníssima “Revenge”.
“Eu vou te encontrar” começa mediana. Porém, à medida que evolui, vai abandonando de vez a coerência e só piora. São oito episódios de cerca de 40 minutos de pura distração barata.
