A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira solicitando o cancelamento da filiação ao Missão. A Corte informou mais cedo que o procedimento foi feito por um representante do Missão. O caso será analisado pelo presidente do TSE, ministro Nunes Marques.
“Não se pode admitir que uma alteração eletrônica não realizada nem autorizada pelo candidato seja capaz de impedir ou comprometer seu pedido de registro de candidatura, sobretudo quando faltam menos de dois dias para o encerramento do prazo legal”, diz a ação da campanha.
Com o impasse, Flávio ainda não conseguiu registrar a candidatura à Presidência. Como mostrou a colunista Malu Gaspar, do GLOBO, Flávio não conseguiu registrar sua candidatura à Presidência. O comando da campanha descobriu na hora de acessar os sistemas do tribunal que Flávio aparece como filiado ao Missão, cujo candidato ao Palácio do Planalto será Renan Santos.
Os representantes de Flávio vão pedir à Polícia Federal a abertura de um inquérito. A informação que aparece no site da Justiça Eleitoral mostra que Flávio teria se desfiliado do PL na quarta-feira e em seguida se filiado ao Missão. Integrante da equipe jurídica de Flávio, a advogada Maria Cláudia Bucchianeri se reuniu com o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, no início da tarde desta quinta. Ao fim do encontro, ele disse que Nunes Marques prometeu adotar as “providências cabíveis”.
Ceridão de filiação de Flávio Bolsonaro no sistema da Justiça Eleitoral
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Em nota, o Missão disse que foi vítima de uma “tentativa de filiação fraudulenta” de Flávio e que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos O partido afirma que notou a a ação e tentou cancelar o registro no TSE, mas o sistema não permitiu. A legenda diz que o gabinete de Flávio foi informado no início do mês, mas não deu resposta.
“A Missão já está adotando todas as providências cabíveis junto à Polícia Federal e ao TSE, a fim de que os responsáveis pelo crime e pela fraude sejam identificados e exemplarmente punidos. Um relatório com todos os logs, e-mails e IPs será disponibilizado para a imprensa e autoridades.”
O partido também ataca Flávio na nota e afirma que não tem interesse em ter nos quadros um palamentar que “para além do desalinhamento ideológico, figura em acusações e suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção”.
Caso de Lula
Como mostrou O GLOBO, no início de 2024 o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareceu nos registros da Justiça Eleitoral como filiado ao PL. Na ocasião, a PF abriu um inquérito para investigar o caso.
Fundador do PT e seu principal integrante, Lula estava formalmente desligado do partido desde 15 de julho de 2023, data em que seu suposto ingresso na legenda adversária foi comunicada à Corte.
A decisão do TSE na ocasião foi tomada após questionamento do GLOBO sobre a filiação de Lula à legenda comandada por Valdemar Costa Neto. Após uma apuração interna, o presidente da Corte, ministro Alexandre de Moraes, ordenou que o caso seja apurado pela PF. Por conta da falsa filiação feita com seu nome, o presidente passou a integrar os quadros do PL em São Bernardo do Campo, cidade do ABC paulista onde tem residência.
“Considerando a existência de indícios de crime a partir da inserção de dados falsos em sistema eleitoral, encaminhem-se cópia dos presentes autos ao diretor-geral da Polícia Federal para adoção de todas as providências cabíveis que deverão, oportunamente, ser informadas a este Tribunal Superior Eleitoral”, escreveu Moraes na decisão.
Em nota, o TSE acrescentou que há “claros indícios de falsidade ideológica”. O presidente da Corte também retomou o laço formal de Lula com o PT — “é fato notório que é integrante do Partido dos Trabalhadores”, disse — e cancelou o login responsável pela inclusão da informação falsa no sistema da Corte.

