Está cada vez mais claro que o mercado se abriu para aproveitar o potencial que a inovação tem de transformar o setor de saúde com impactos positivos na qualidade de atendimento, na sustentabilidade do sistema e na experiência do paciente. No último episódio do videocast “Entre PJs”, apresentado por Santander Empresas, a especialista em finanças Ana Leoni conversa com Marcelo Barboza, cofundador e CEO do Labi Saúde, uma healthtech que nasceu em 2017 com o propósito de resolver o problema de acesso com a redução de custos.
Confira a íntegra do bate-papo:
— Fomos o primeiro comércio eletrônico de exames no Brasil com uma jornada totalmente digital, desde a venda até o resultado — afirma Barboza.
Na pandemia, em 2020, o executivo lembra que, de um dia para o outro, as solicitações diárias de coletas domiciliares passaram de cinco para 300 e foi preciso muita agilidade para montar uma operação que absorvesse a demanda.
Entretanto, passada a fase mais crítica da Covid, em 2022, com a diminuição drástica dos pedidos de testes, o Labi viu sua receita cair pela metade em um momento que não tinha tamanho para gerar caixa. Nesse estágio, Cláudio Lottenberg, investidor do negócio, aconselhou a expansão da oferta de serviço para além do exame domiciliar, focando no atendimento completo, incluindo realização de aplicação de medicamentos em casa e home care baseado em tecnologia.
Barboza conta que, nessa etapa, o Santander Empresas foi fundamental, apostando na ideia e financiando a expansão da operação, com uma visão de longo prazo e leitura estratégica de cenário.
— O banco nos deu o oxigênio de que precisávamos no momento certo. Em dois anos, triplicamos o negócio e, hoje, estamos com uma receita por volta de R$ 150 milhões com margem de 10% —conta.
E o head, Thiago Brondi, complementa:
— Nosso papel é estar dentro do cliente apoiando e pensando de forma estratégica, para entender o contexto e propor as melhores soluções para cada fase da empresa —.
Atualmente, a empresa atende pacientes em mais de 40 cidades e o CEO atribui a garantia de qualidade ao sistema tecnológico que possuem.
— O de geolocalização, por exemplo, garante que o profissional destacado esteja no local e na hora certos, com o medicamento correto. Há reconhecimento facial para proporcionar segurança e as medicações seguem um protocolo de entrada de dados controlados e compartilhados com todas as partes interessadas — destaca.
Ele aponta que a desospitalização tem sido o grande motor do crescimento do negócio e explica que a digitalização é uma forte aliada na redução de custos. Um exemplo é o uso de inteligência artificial para conseguir otimizar o dia de um profissional e as rotas mais eficientes para que ele possa atender mais pacientes, mantendo a qualidade.
— Quem paga a nossa conta hoje são as operadoras de saúde e nosso maior desafio é investir em tecnologia para continuar garantindo processos eficientes. Temos conseguido reduzir custos de forma muito impactante — comemora.
Ele vislumbra grandes oportunidades de crescimento ao considerar o potencial do mercado brasileiro de desospitalização, estimado em cerca de R$ 25 bilhões, enxergando uma ampla avenida de expansão para o Labi Saúde
— Na nossa área, conseguimos combinar a melhoria do acesso com retorno aos investidores. Atuamos em um setor em que a proposta de valor justamente é a redução de custo, levando saúde para mais pessoas. Não sou médico, mas me sinto privilegiado por trabalhar com esse propósito.

