Um ex-chef de cozinha que trabalhou por quase três anos para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou ter sido ameaçado por um homem que se apresentou como integrante do jogo do bicho e que agia em nome do empresário. As informações foram prestadas por Leandro Garcia em depoimento à Polícia Federal no inquérito que envolve Vorcaro, dono do Banco Master.
Chef de cozinha relata ameaça de grupo de Vorcaro
A investigação da polícia já havia apontado para a existência de uma estrutura chamada “A Turma”, suspeita de intimidar e vigiar adversários e acessar informações sigilosas de processos judiciais em curso a mando de Vorcaro. No Rio de Janeiro, a equipe era comandada por Manoel Mendes Rodrigues, que foi preso em uma das fases da Operação Compliance Zero.
O relato prestado por Garcia foi tornado público nesta terça-feira pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele contou que trabalhou entre setembro de 2021 e março de 2024 na casa de praia de Vorcaro, em Angra dos Reis.
Leandro contou que foi procurado por um homem identificado como Manoel, acompanhado de outras pessoas, entre elas um indivíduo que mais tarde reconheceria, por fotografias divulgadas na imprensa, como sendo o empresário Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”.
— Ele se apresentou como Manoel, ‘vim a mando do seu Daniel e mexo com jogo’ —, disse o homem, de acordo com o relato do cozinheiro. Ainda segundo Leandro, Manoel afirmou que havia sido encarregado de descobrir se ele possuía informações, imagens ou qualquer material relacionado ao banqueiro.
Ainda de acordo com o relato, o homem disse que Vorcaro havia o mandado “levantar tudo” sobre o cozinheiro. Garcia afirmou ainda que, durante a conversa, o homem apontou para o grupo que o acompanhava e fez uma advertência velada:
— Ele falou: ‘Se o senhor tiver alguma coisa, a gente não quer voltar aqui para atrapalhar o senhor’ — disse Garcia ao reproduzir a conversa com Manoel.
Conforme o ex-funcionário, o homem que permaneceu ao lado de Manoel durante toda a conversa não falou com ele. Entretanto, após a divulgação de informações sobre as investigações envolvendo o Banco Master, ele afirma ter reconhecido o indivíduo pelas imagens divulgadas como sendo Luiz Felipe Mourão, o Sicário, que também foi preso pela PF e comandava o grupo chamado “A Turma”. Mourão se sucidou na carcaregem da superintendência da PF em Belo Horizonte.

