Quem conviveu com acne sabe que a história nem sempre termina quando as inflamações desaparecem. Em alguns casos, ficam marcas que alteram a textura da pele e podem permanecer por bastante tempo. O que nem todo mundo sabe é que essas cicatrizes não seguem um único padrão: algumas formam depressões mais largas e suaves, outras criam pequenas marcas profundas e há ainda aquelas que deixam a pele elevada.
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Essa diferença não é apenas uma questão de aparência. O formato, a profundidade e a maneira como o tecido foi afetado ajudam a definir quais abordagens podem ser consideradas em cada situação.
“É comum imaginar apenas aqueles pequenos ‘buraquinhos’ quando se fala em cicatriz de acne, mas existem diferentes padrões. Cada um apresenta uma alteração estrutural específica, e a avaliação dermatológica ajuda a entender essas características”, explica a dermatologista Mônica Aribi.
Rolling scars
As chamadas rolling scars são depressões mais amplas, com bordas pouco definidas e aspecto ondulado. A irregularidade fica mais evidente dependendo da incidência da luz sobre o rosto e pode estar relacionada a alterações nas camadas mais profundas da pele.
“Nas rolling scars, não estamos diante apenas de uma alteração superficial. Existe uma mudança na arquitetura do tecido que contribui para aquele aspecto ondulado”, afirma Mônica.
Por isso, a avaliação leva em conta o que acontece abaixo da superfície. Entre as possibilidades utilizadas em consultório estão recursos que estimulam a remodelação do colágeno e atuam em camadas mais profundas da pele, sem necessariamente remover sua camada superficial. A escolha depende das características da cicatriz e da resposta esperada em cada caso.
Boxcar scars
As boxcar scars formam depressões com bordas mais definidas, geralmente arredondadas ou ovais. Elas podem variar em tamanho e profundidade, criando uma mudança de nível mais evidente entre a área afetada e a pele ao redor.
A diferença em relação às rolling scars está justamente no desenho da depressão. “É essa característica que faz com que não exista uma receita única para todas as cicatrizes de acne. É preciso observar se a depressão é superficial ou profunda, sua extensão e as condições do tecido ao redor”, observa a dermatologista.
Em situações selecionadas, procedimentos voltados à remodelação da pele podem ser associados a outras estratégias, como o uso de preenchedores. A combinação não é indicada para todas as pessoas e depende da avaliação da área a ser tratada.
Icepick scars
Mais estreitas na superfície, as icepick scars podem avançar profundamente na pele. O nome vem justamente do formato que lembra pequenas perfurações. Apesar de parecerem discretas quando observadas de longe, sua profundidade pode tornar esse tipo de marca mais complexo.
“Uma cicatriz pequena não significa necessariamente uma cicatriz simples. As icepick podem ter uma extensão profunda apesar da abertura estreita na superfície”, diz Mônica.
Nesses casos, a estratégia pode envolver diferentes procedimentos, escolhidos de acordo com a profundidade e a distribuição das marcas. Recursos que promovem remodelação da pele estão entre as possibilidades, enquanto outros procedimentos dermatológicos podem ser considerados em situações específicas.
Cicatrizes elevadas
Nem toda marca deixada pela acne forma uma depressão. As cicatrizes hipertróficas apresentam elevação em relação à pele ao redor e estão associadas à formação excessiva de tecido cicatricial.
“Elas podem aparecer depois de processos inflamatórios mais intensos e permanecer delimitadas à região original da lesão”, ressalta a dermatologista. A diferença é importante porque, nesse caso, o objetivo não é lidar com uma perda de volume, mas com o excesso de tecido.
Dependendo da avaliação, podem ser utilizados recursos para remodelar a área ou medicamentos aplicados diretamente na cicatriz. A escolha varia conforme o tamanho, a espessura e o comportamento do tecido.
Um rosto pode ter mais de um tipo
As classificações ajudam a entender as diferenças, mas não significam que cada pessoa tenha apenas um padrão de cicatriz. É comum encontrar combinações no mesmo rosto, o que torna a avaliação individual ainda mais relevante.
“Na prática, um mesmo paciente pode apresentar mais de um tipo simultaneamente. É muito comum encontrarmos uma combinação de cicatrizes no mesmo rosto”, comenta Mônica.
Por isso, não existe um procedimento único capaz de responder a todos os formatos. Tecnologias que estimulam a produção de colágeno, procedimentos que atuam em diferentes profundidades e outras abordagens podem ser considerados conforme as características encontradas.
Mais do que escolher o recurso mais novo, a dermatologista ressalta que o ponto de partida deve ser a identificação do tipo de cicatriz. “A tecnologia é uma ferramenta. O resultado depende da indicação correta, dos parâmetros utilizados, das características da cicatriz e, muitas vezes, da combinação de diferentes abordagens”, finaliza.
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