Pular para o conteúdo
outubro 16, 2026
BRcom
Dólar PTAXR$ 5,0820
News

Cingapura aponta empresas da Indonésia como responsáveis por incêndios com névoa tóxica em parte do Sudeste Asiático

Por · outubro 16, 2026
Cingapura aponta empresas da Indonésia como responsáveis por incêndios com névoa tóxica em parte do Sudeste Asiático


Cingapura apontou, nesta sexta-feira (16), sete empresas da Indonésia como responsáveis pelos incêndios que espalharam fumaça tóxica por parte do Sudeste Asiático e deixaram pelo menos quatro mortos na ilha de Java. A cidade-Estado intensificou as medidas para combater os incêndios, que duram meses, e prometeu tomar providências legais contra as empresas responsáveis pelos focos de fogo, que fizeram a qualidade do ar na região figurar entre as piores do mundo.
Geleira Thwaites, conhecida como a do ‘juízo final’, está derretendo mais rápido do que o previsto, aponta estudo
Alerta: Seca severa atinge regiões do sul da Inglaterra após período considerado ‘o mais seco em mais de um século’
A poluição atmosférica forçou o fechamento de escolas em vários países da região e provocou um aumento nos problemas respiratórios da população.
— Nossa investigação sugere que parte da fumaça observada em Cingapura provém de incêndios em terrenos pertencentes a sete empresas da Indonésia — declarou a ministra de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente de Cingapura, Grace Fu.
Cingapura enviará “notificações preventivas” a essas empresas, sediadas na ilha indonésia de Sumatra e atuantes principalmente no setor de madeira, com base em uma lei de 2014 contra a poluição transfronteiriça causada por fumaça.
Essas notificações obrigam as empresas a mobilizar equipes de combate a incêndios, interromper qualquer queima ou foco de fogo em suas propriedades e apresentar planos de ação à Agência Nacional de Meio Ambiente de Cingapura.
Questionada sobre as medidas que Cingapura poderia adotar para garantir o cumprimento dessas exigências, Fu respondeu que o governo mantém “todas as opções em aberto”, incluindo “multas ou ações judiciais”.
A ministra alertou ainda que a situação pode piorar nos próximos dias.
— Devemos nos preparar para a persistência da fumaça tóxica por algum tempo. Dependendo das condições meteorológicas, podemos esperar oscilações na qualidade do ar, inclusive a possibilidade de que atinja níveis perigosos — afirmou.
Novo recorde: Espanha teve o mês de setembro mais quente desde 1961
Cingapura, a mais poluída
As autoridades informaram nesta sexta-feira que quatro pessoas morreram enquanto combatiam incêndios na ilha indonésia de Java.
Outras duas sofreram queimaduras graves e estão recebendo tratamento médico, segundo o Ministério de Florestas da Indonésia.
Cingapura voltou a liderar, nesta sexta-feira, o ranking em tempo real das cidades mais poluídas do mundo elaborado pela IQAir, com Kuala Lumpur em segundo lugar e Jacarta em sexto.
O primeiro-ministro de Cingapura, Lawrence Wong, prometeu na noite de quinta-feira tomar “medidas” contra as empresas responsáveis pelos incêndios na Indonésia e estudar “a possibilidade de uma ação conjunta com outros países”.
A poluição do ar em Cingapura disparou para 251 no índice de qualidade da IQAir, atingindo níveis muito insalubres na madrugada desta sexta-feira.
Segundo o sistema da empresa suíça, a faixa de 151 a 200 é considerada insalubre; de 201 a 300, muito insalubre; e acima de 300, perigosa.
— A visibilidade está muito reduzida, inclusive a partir de alguns dos locais mais emblemáticos de Singapura, como o hotel Marina Bay Sands — explicou um guia turístico à AFP.
Especialistas jurídicos alertaram que tomar medidas contra empresas ligadas à fumaça é complicado, uma vez que as investigações dependem da cooperação de autoridades estrangeiras.
As investigações de Cingapura sobre quatro empresas indonésias, devido ao seu suposto papel na crise de fumaça de 2015, continuam em aberto, um caso que tensionou as relações com Jacarta naquela época.
A indignação também é evidente na vizinha Malásia, onde a poluição decorrente dos incêndios na Indonésia forçou o fechamento de escolas e instalações esportivas, além da distribuição de máscaras. Timor-Leste também teve de fechar escolas.
900 mil hectares queimados
A Indonésia frequentemente enfrenta incêndios florestais durante a estação seca, que geralmente vai de abril a outubro.
No entanto, os incêndios, que destruíram mais de 900.000 hectares desde janeiro, intensificaram-se este ano devido ao fenômeno meteorológico El Niño.
Alguns especialistas apontam que fatores humanos também desempenham um papel crucial, incluindo o desmatamento por meio de queimadas e décadas de degradação florestal.
Em Palangkaraya, na parte indonésia da ilha de Bornéu, os níveis de poluição atmosférica continuavam, nesta sexta-feira, acima do limite considerado “perigoso” no índice da IQAir.
Syehan, um vendedor de 43 anos, relatou sofrer com a “falta de ar” e afirmou que a situação está “impactando” suas atividades: “as pessoas não vêm mais ao mercado”.
O setor aéreo indonésio também foi afetado. Desde agosto, cerca de mil voos foram cancelados e mais de 900 sofreram atrasos, segundo a aviação civil.

Cingapura aponta empresas da Indonésia como responsáveis por incêndios com névoa tóxica em parte do Sudeste Asiático