Esvaziado pela ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), o primeiro debate dos candidatos à Presidência da República, que acontece neste domingo na TV Bandeirantes, conta apenas com a presença de Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Na abertura do debate, os três candidatos presentes criticaram as ausências, em especial as de Lula e de Flávio. Ao longo da conversa, os três abordaram temas como segurança, educação, economia e polarização.
Primeiro sorteado para responder uma pergunta dos jornalistas, Renan Santos dirigiu-se aos púlpitos vazios de Lula e de Flávio e afirmou que os apoiadores de ambos “vivem brigando na internet, mas eles próprios são covardes”.
— Eles não têm coragem de vir aqui falar sobre os crimes que cometeram. Não ligam para as vidas dos brasileiro que morrem todos os anos pela criminalidade — afirmou Renan, que se referiu aos dois adversários como “criminosos”.
Em seguida, Caiado manteve a mesma toada do presidenciável do Missão e lamentou as ausências de Lula e de Flávio, sem referir-se à falta de Zema:
— A sociedade esperava a presença dos dois pré-candidatos. Isso mostra que eles não têm como explicar os escândalos em que estão envolvidos — disse o candidato do PSD.
Cury, que chegou a ensaiar também faltar ao debate, usou sua primeira resposta para criticar a ausência de Lula
— Lula deveria estar aqui para responder sobre educação: 95% dos nossos jovens não aprendem matemática quando terminam o ensino médio. Isso pode condená-los a vida toda a não ter gestão financeira e debater ideias adequadamente — afirmou.
Em seguida, os candidatos fizeram perguntas uns aos outros, bloco que foi aberto por Renan Santos com uma pergunta direcionada a Augusto Cury sobre a persistência no voto no adversário petista. O escritor respondeu com um tom crítico à polarização.
— O Brasil está dramaticamente doente, polarizado, radicalizado. Venderam uma ideia mentirosa que estamos em dois barcos. Estamos em um barco só, nem de direita nem de esquerda. O barco se chama família brasileira, mais de 200 milhões de b. E 90% das dores não tem cor partidária — diz Cury, que em seguida começou a falar de violência contra mulheres, desemprego de jovens e impactos da IA sobre o mercado de trabalho.
Lula, Flávio e Zema
Inicialmente, o debate estava marcado para acontecer no dia 16 de agosto, mas acabou adiado para este domingo após Lula sinalizar que não iria ao encontro. O petista, no entanto, manteve a decisão de faltar ao evento, o que levou Flávio Bolsonaro a optar por não comparecer. Neste domingo, Romeu Zema (Novo) anunciou que não iria mais participar e atribuiu a decisão à ausência do petista.
“Diante da ausência de Lula e de outros concorrentes, a alteração de data perdeu o seu propósito inicial. Nesse contexto, esta assessoria informa que Romeu Zema também não participará deste debate promovido pela Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão”, disse a nota divulgada neste domingo.
Último a chegar nos estúdios da Band, o escritor Augusto Cury disse inicialmente a jornalistas que não iria participar do debate. Ele se referiu ao evento como “um teatro” e disse que a sua decisão era um “protesto”. Momentos depois, no entanto, Cury mudou de ideia e decidiu entrar no estúdio do canal de televisão, após conversar com o jornalista Fernando Mitre.
— Não estou fugindo. O Lula resolveu dar uma entrevista e não veio. Isso aqui é um teatro — afirmou em uma live que abriu em sua página no Instagram. Ele foi questionado sobre como a sua postura se diferenciava dos adversários ausentes — A diferença é que estou fazendo um protesto. Isso não é democracia
A última pesquisa do Datafolha, divulgada na sexta-feira, colocou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio marcava 33%. Ambos estão à frente dos demais candidatos, com Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) em empate técnico, dentro da margem de erro. No segundo turno, Lula aparece com 47% contra 43% de Flávio.
O debate com os candidatos à Presidência teve início às 20h. Serão três blocos temáticos principais, onde os presidenciáveis respondem a questionamentos formulados pelos apresentadores, além de perguntas elaboradas por jornalistas do Grupo Bandeirantes. Ainda haverá dois blocos de confrontos diretos entre os participantes. Nessas fases, os candidatos podem circular livremente pelo estúdio para fazer perguntas, réplicas e tréplicas sem a intermediação dos âncoras.

