A cotação do ouro tem se mantido nas alturas com a guerra comercial deflagrada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, reforçando um movimento que vinha dos últimos anos, desde a retomada da economia em meio à pandemia de Covid-19. Após atingir recordes de preço 40 vezes em 2024, segundo o Conselho Mundial do Ouro, as cotações voltaram a renovar as máximas em abril, após Trump anunciar seu tarifaço. A cotação subiu 26,7% de fim do ano passado até o dia 17 deste mês.
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É um incentivo a mais para mineradoras de todo o mundo tocarem seus projetos de produção a pleno vapor, embora executivos e analistas expliquem que há limitações na expansão da oferta. Ainda assim, os investimentos estão em alta. O Ibram, entidade que representa o setor de mineração, projeta aportes de R$ 2,1 bilhões em projetos de ouro no ciclo 2025-2029, ante R$ 1,5 bilhão no ciclo anterior, de 2024 a 2028.
— A Aura, assim como a maioria das empresas de ouro, produz o máximo que pode, claro, dentro do custo em que você tem uma rentabilidade — afirma Rodrigo Barbosa, presidente da Aura Minerals, que produz ouro em projetos no Brasil, no México e em Honduras.
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Com as cotações nas máximas, a rentabilidade aumenta. No quarto trimestre de 2024, a produção total da Aura Minerals foi “consistente” com igual período de 2023, mas a receita líquida saltou 38% na mesma base de comparação, para US$ 171 milhões. Em 2024 como um todo, somou US$ 594 milhões, salto de 43% em relação a 2023.
Segundo Barbosa, dificilmente as cotações elevadas impulsionarão novos projetos capazes de elevar a produção global no curto prazo. Em parte, porque a entrada em produção de uma nova mina é algo que leva anos, de pesquisa e desenvolvimento de engenharia.
— Esse aumento expressivo que teve no preço do ouro ao longo dos últimos meses, que foi mais acentuado nas últimas semanas, não deve se refletir em aumento de oferta nem no curto nem no médio prazo – explica o presidente da Aura Minerals. — Para viabilizar novos projetos, tem um ciclo de exploração, entendimento da reserva, engenharia, licenciamento. Qualquer mudança estrutural que acontece nos preços vai impactar a produção daqui a oito a dez anos, no mínimo.
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Essa particularidade da mineração do ouro e a postura das empresas de produzirem “o máximo que podem” são um sinal não só do aquecimento do mercado, mas aponta para um dos motivos pelos quais o ouro segue, há séculos, como importante reserva de valor: sua escassez.
Segundo Lucas Laghi, analista de mineração da XP Investimentos, os preços nas máximas poderiam viabilizar e impulsionar novos projetos de produção, mas não tem muito para onde correr:
— O problema é que há uma escassez de projetos. Não tem tanto projeto assim, então, isso acaba limitando o crescimento da produção no setor.
A Aura está bem posicionada no mercado justamente porque possui projetos em expansão, diz Barbosa. A mina de Almas, no Tocantins, primeiro empreendimento construído pela empresa do zero, foi inaugurada em 2023 e teve, em 2024, o primeiro ano completo de produção. No quarto trimestre, a produção de Almas saltou 11% em relação ao terceiro trimestre.
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Segundo o presidente da Aura Minerals, a estratégia de crescimento inclui a aquisição de projetos iniciados por outras empresas. É o caso da mina de Borborema, no Rio Grande do Norte, que ficou pronta em março e está em fase de “ramp up”, o início da produção antes de entrar em operação comercial. O projeto foi adquirido, já iniciado, de uma empresa australiana.
— Esperamos entrar em operação comercial no terceiro trimestre, mais para o fim dele — diz Barbosa, lembrando que a mineradora tem perspectiva de aumento de produção e de redução de custos, num cenário de cotações em alta.
Na AngloGold Ashanti, multinacional sul-africana que é uma das maiores produtoras de ouro do mundo, o foco também é “manter o crescimento operacional” com custos sob controle, diz Marcelo Pereira, presidente da companhia para a América Latina.
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O Brasil responde por pouco mais de 10% da produção mundial da empresa, com os complexos de Cuiabá, em Sabará, Nova Lima e Caeté, em Minas, e de Serra Grande, em Crixá, Goiás.
— A cotação do ouro é uma variável de mercado sobre a qual a AngloGold Ashanti não exerce controle. Por isso, nosso foco está consistentemente na eficiência operacional, no controle rigoroso de custos e na disciplina financeira, sempre sustentados por uma atuação pautada na sustentabilidade — diz Pereira.
Entre as iniciativas de sustentabilidade, a AngloGold Ashanti tem investido no fechamento de barragens antigas de rejeitos. Desde 2022, a empresa introduziu o processo de disposição de rejeito a seco em 100% das unidades no Brasil.
Há investimentos também em energia renovável e na eletrificação da frota usada pela mineradora. Segundo Pereira, “um dos grandes marcos de 2024 foi a chegada da primeira carregadeira 100% elétrica de subsolo operando no Brasil”.

