Resistente festival carioca de música experimental e investigações sonoras, o Novas Frequências chega esta quarta-feira à sua 15ª edição, trazendo para o Garage Grindhouse, na Praça da Bandeira, os shows da dupla americana Wolf Eyes (uma lenda do noise rock, que aposta na distorção e no caos como práticas estéticas) e do grupo japonês Birushanah, promotores de uma brutal colisão entre percussão metálica, escalas tradicionais da sua cultura e vertentes extremas do heavy metal.
O NF vai até domingo, em diversos palcos da cidade, e recomeça na segunda em sua primeira edição paulistana, que vai até o dia 13.
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Entre os destaques da programação, está a festa de encerramento da etapa carioca, domingo, no Circo Voador, com os afropunksambas do grupo Metá Metá, a demolição sonora do encontro entre os duos Test & Deafkids e a improvável mistura de black metal, progressivo, forró, maracatu e jazz fusion do grupo paraibano Papangu.
Quinta-feira, por sua vez, as canadenses Kara-Lis Coverdale e Sarah Davachi mostram no Solar de Botafogo sua música camerística e eletrônica.
Na sexta-feira, no Trauma (bar com pista de dança na Rua do Carmo, no Centro), o duo libanês-suíço Praed apresenta seu techno árabe-psicodélico, o grupo carioca Partido da Classe Perigosa vai de punk hardcore eletrônico com toques de batidão da favela e o ugandense Faizal Mostrixx traz sua visão radical do som club contemporâneo.
Já no sábado o palco do Novas Frequências vai para o Parque Lage, em noite que tem como destaque as participações do artista eletrônico paraibano Chico Correa e da mexicana Concepción Huerta, fotógrafa, compositora e videoartista que faz uso de fitas cassetes para manipular gravações de objetos do cotidiano e instrumentos eletrônicos e devolvê-los como sombria ambient music.
Diretor e curador do festival, Chico Dub avisa:
— Sigo acreditando que apostar nesse tipo de prática, ainda mais em um mundo plastificado, saturado por fórmulas e pela proliferação de simulacros insossos gerados por inteligência artificial, nunca foi tão urgente. O Novas Frequências chega a essa marca reafirmando a importância de cultivar o risco, a invenção e o novo como condição de futuro.

