Os irmãos Lyle e Erik Menéndez, presos por assassinarem seus pais em 1989, comparecerão a partir desta quinta-feira a uma comissão judicial encarregada de avaliar seu pedido de liberdade condicional. Eles foram condenados à prisão perpétua sem direito à liberdade condicional pelo parricídio que chocou os Estados Unidos na década de 1990.
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A liberdade condicional dos midiáticos irmãos, que alegaram os abusos sexuais do pai como justificativa para o assassinato dos pais, é reivindicada por sua família e apoiada por celebridades como Kim Kardashian.
Após mais de três décadas atrás das grades e condenados à prisão perpétua sem possibilidade de redução da pena, eles conquistaram uma importante vitória legal em maio, quando a Justiça americana suavizou os termos de sua sentença.
A suavização da sentença lhes dá direito à liberdade condicional, sobre a qual deve decidir uma comissão do Departamento de Serviços de Correções e Reabilitação da Califórnia. Os irmãos precisam demonstrar arrependimento e que não representam perigo algum para a sociedade.
Composta por dois ou três membros, a comissão os ouvirá por videoconferência de sua prisão em San Diego. Erik, de 54 anos, comparecerá nesta quinta-feira, enquanto o caso de Lyle, de 57 anos, será analisado na sexta-feira.
Mesmo que a liberdade condicional seja recomendada, os irmãos Menéndez não sairão imediatamente da prisão. O processo pode durar até quatro meses, e o governador da Califórnia, Gavin Newsom, terá a palavra final.
“Durante mais de 35 anos, eles demonstraram evolução constante. Assumiram toda a responsabilidade por seus atos”, diz um comunicado da Justice for Erik and Lyle Coalition, grupo de apoio que inclui membros da família.
O assassinato do poderoso empresário musical de origem cubana José Menéndez e de sua esposa Kitty Menéndez abalou os Estados Unidos em 1989.
Os irmãos, então com 21 e 18 anos, abriram fogo a sangue frio contra os pais enquanto eles assistiam televisão. Dispararam várias vezes, chegando a recarregar a arma e matar a mãe. Inicialmente, tentaram criar uma álibi e atribuíram o brutal homicídio à máfia.
Mas, após a confissão de Erik a seu terapeuta, as autoridades rapidamente os prenderam.
Em um julgamento muito midiático, a defesa afirmou que o crime foi consequência de anos de abuso psicológico e sexual por parte de um pai violento e uma mãe negligente. A sentença dos irmãos foi uma das primeiras transmitidas pela televisão, e a história voltou a ser notícia graças a uma série e a um documentário da Netflix no ano passado.
No entanto, o Ministério Público os acusou de planejar o duplo homicídio para se apoderar de uma herança milionária.
O primeiro júri não alcançou um veredicto unânime, mas o segundo julgamento terminou com a condenação à prisão perpétua.
O promotor de Los Angeles, Nathan Hochman, luta contra a libertação argumentando que os irmãos não demonstraram arrependimento pelo crime e que não existem elementos legais que justifiquem um novo julgamento ou alteração da sentença.