O vice-presidente Geraldo Alckmin, além de ser um bom negociador, também se mantém muito sereno no meio da tensão. Foi isso que eu vi na minha ida à vice-presidência: uma pessoa tranquila, mesmo num ambiente intenso com muitas reuniões com grupos de empresários atingidos pelo tarifaço dos Estados Unidos.
- Alckmin diz que não vai desistir: Vice-presidente disse que Brasil está sendo injustiçado e continuará tentando o diálogo com os Estados Unidos
- Entrevista na íntegra: Alckmin conta como Lula falará com Trump
Para começar a gravar a entrevista da GloboNews, a equipe precisava montar o equipamento na sala do vice-presidente. Chegou um grupo que não estava previsto na agenda e acabou ocupando o gabinete. Quando ele partiu para outra reunião em outro local é que conseguimos organizar tudo.
Depois da gravação, ele receberia um grupo de Piracicaba, onde fica a sede da Caterpillar. Ele estava preocupado em dar uma resposta rápida e chegou a dizer: “Já vou lá dar uma boa notícia para eles”.
Quando eu perguntei qual era a novidade, ele me respondeu: “Todos os produtos, as máquinas e equipamentos que contêm aço ou alumínio entram na Seção 232”. Isso significa que o Brasil vai pagar tarifa, sim, mas todo mundo também vai pagar a mesma. A Seção 232 cria uma tarifa igual para todos os países.
Além da tranquilidade, o vice-presidente é conhecido por seu jeito de escapar de algumas perguntas. Teve uma em especial que me chamou atenção. Eu perguntei sobre negociações e ele desviou e disse que estava tendo negociação. Então perguntei: “O senhor está dizendo que em outras instâncias, esferas administrativas, tem tido contato assim. Ou seja, o ministro não fala, mas fala o técnico com o técnico, é isso?” Ele desconversou de novo e respondeu: “Isso e mais um pouco”. Mas o que seria esse “mais um pouco”?
Minha impressão é que ele dá a entender que, se conseguir algum contato, não vai anunciar antes. Justamente para não correr o risco de cair no mesmo desfecho do episódio do ministro Fernando Haddad, que divulgou que teria uma reunião com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent. E, no dia, o encontro virtual foi cancelado em cima da hora.
E ao lado de continuar procurando alguma brecha, o governo vai também procurar novos acordos comercial. Se de tudo isso sair uma abertura do Brasil ao comércio e mais acordos será bom. O Brasil é um país ainda muito fechado.